Lava Jato faz Odebrecht perder 20% dos negócios em três meses

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O impacto da Lava Jato nas finanças das empresas investigadas acendeu alerta máximo no grupo Odebrecht, que perdeu US$ 4,3 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões) em contratos somente nos três últimos meses de 2016, segundo números publicados pela Folha, neste domingo (2). Esse montante equivale a 20% do estoque que a empreiteira tinha em setembro de 2016, quando divulgou o seu balanço mais recente.

“Nessa conta”, diz o jornal, “estão obras canceladas por clientes e outras concluídas pela empreiteira no período. Desde outubro do ano passado, a empresa não fechou novos contratos para compensar as perdas.”

Para se ter ideia, antes da Lava Jato, a Odebrecht fechou o ano com US$ 33,9 bilhões em contratos. No fim de 2016, esse número já havia caído quase que pela metade, US$ 17 bilhões. “É o menor valor registrado desde 2008”, lembra a Folha.

O encolhimento da construtora, alvo de investigações nos Estados Unidos, Suécia e em países da América Latina, é maior que o previsto.

“Em relatório de 22 de fevereiro, a agência de classificação de risco Fitch observou que a carteira de projetos da Odebrecht poderia chegar, no fim de 2017, a US$ 18 bilhões. Mas esse patamar já foi alcançado no ano passado.

A crise desencadeia mais problemas financeiros, quando considerado que o grupo Odebrecht tem empréstimos cujas garantias estão atreladas à empreiteira. Ou seja, quanto maior a perda de contratos de obras, maior, em tese, o risco para quem deu crédito.

SAÍDA

Na reportagem, a Odebrecht fala em “firmar novos acordos na tentativa de impedir o cancelamento de mais obras e voltar a disputar contratos. Já há acordos preliminares com Peru, Colômbia e Panamá. Na República Dominicana, um acordo foi fechado, restando a homologação pela Justiça.”

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5 comentários

  1. Depende do ponto de

    Depende do ponto de vista 

    Elio Gaspari

    Ditadura condenou menos por corrupção que 3 anos de Lava Jato

    Durante 21 anos, cinco generais governaram o Brasil apresentando seu regime como um baluarte do combate à corrupção. É verdade que todas as roubalheiras da ditadura cabem nas fortunas de uns poucos petrolarápios, mas aqui vai uma estatística para as vivandeiras do século 21.

    A ditadura instituiu uma Comissão Geral de Investigações com poderes excepcionais para pegar corruptos. Entre 1968 e 1979, com cerca de duzentos funcionários, inclusive dois generais, investigou 25 mil pessoas, abriu 1.153 processos e confiscou os bens de 41 pessoas, apurando uma mixaria. (Os grandes tubarões ficaram de fora.)

    Em apenas três anos, respeitando as regras do direito, a Operação Lava Jato condenou 130 pessoas a penas que somam 1.377 anos, recuperou R$ 10 bilhões e bloqueou outros R$ 3,2 bilhões.

  2. Moro planejou isso

    Esse crime de lesa-pátria que Moro chama de “desnacionalização” da economia era o sonho de Moro, ele manifestou isso em 2004, tão logo Lula foi eleito…..tentaram fazer o mesmo com o setor de Carnes para que empresas americanas como Bunge e Cargil ocupassem o espaço, mas ai encontraram a resistencia que faltou na defesa das empreiteiras, bem como do setor de petróleo, gás, energia eletronuclear, que representam pelo menos 13% do PIB…

    Nassif: em 2004 Sergio Moro traçou os planos para a Lava Jato: acordo com a midia para perseguir desafetos politicos e proteger aliados…”desnacionalização” da economia…

    https://jornalggn.com.br/noticia/como-a-lava-jato-foi-pensada-como-uma-operacao-de-guerra

  3. É preciso cobrar o amadorismo

    É preciso cobrar o amadorismo da força-tarefa nessa questão. 

    A Krupp – famosa empresa de maquinário que instala metade dos elevadores de São Paulo – teve problemas em razão da atuação no regime nazista.

    A solução encontrada foi óbvia. Confiscar a empresa para preservar o mercado e a atividade empresarial.

    Anos após ainda devolveram a propriedade à família, passado o calor da guerra. Algo que pode ser evitado se for injusto.

    A teoria jurídica separa a atividade de empresa do sujeito empresário que a exerce, há muito tempo. Esse era o tema da moda de 15 anos atrás no Brasil, diretamente copiado dos italianos.

    A empresa em si é mera atividade. Especificamente de fazer circular bens e serviços na sociedade.

    Obviamente que o Marcelo Odebrecht não faz idéia de como se fecha um contrato, de como se faz uma tabela de fornecedores. Quem faz isso são empregados especializados, então é esse conjunto de pessoas produtivas que deve ser preservado. Em razão do dinheiro e do status conferido, achamos que a empresa se confunde com a família Odebrecht. Não é verdade. O nome deles é apenas uma marca.

    Por ser uma atividade social, a empresa constrói o mercado, que é algo coletivo, e tem reflexo em gente inocente.

    O empresário criminoso tem que ser encarcerado, julgado, preso preventivamente se for o caso, mas a pena não pode passar dele.

    Há um vídeo famoso de Silvio Santos cobrando Roberto Marinho em razão de práticas monopolísticas para cima Sergio Chapelin. O resumo da lição é que em uma cidade com 20 mil habitantes e 2 empresários, tanto faz se 15 mil trabalham para um ou se a divisão é 10 mil para cada. No final o bolo da sociedade é o mesmo, e os empresários tem a responsabilidade de cuidar disso. A força-tarefa ignorou essa lição.

    A solução óbvia era confiscar, ou mais tecnicamente sequestrar, as ações ou quotas da Odebrecht. Isso feito de modo a limitar o dano, e preservar o mercado. Caso inocentes, a firma íntegra seria restituída. Caso culpados vende-se a empresa a empresários idôneos. Ou melhor ainda, aproveita-se para pulverizar as ações e enriquecer a classe média. Há instrumentos no Brasil que não se usa por falta de coragem e de disseminação do conhecimento.  Existe gente formulando textos sobre isso antes da lava-jato, como já escrevi aqui há quase dois anos.

    Até um IPO na bolsa protegeria melhor os investidores, os fornecedores, os trabalhadores e o mercado como um todo do que uma investigação estabanada. O benefício da preservação da empresa seria muito maior do que o temor da pena, que é a teoria a justificar uma ação penal.

    Todo mundo sabe que, encarcerada a esquerda organizada, gente como o Aécio vai continuar sem ser comida, tanto que ele está citado dúzias de vezes e continua por aí feito o garoto de Ipanema. O temor da pena não vai ser o resultado útil desse processo, isso está óbvio.

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