O Brasil que sangra, por Tiago Barbosa

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O Brasil que sangra

por Tiago Barbosa

O Brasil sangra. Sob balas e bombas, cassetetes e truculência, a face mais explícita da violência empregada por um governo ilegítimo e corrupto para reviver os dias de ditadura de um passado já difícil de esquecer.

O Brasil sangra sob a brutalidade de uma força de segurança inepta para proteger o cidadão, habilitada tão somente com o poder de reprimir direitos, quebrar cabeças, boicotar os sonhos por uma realidade mais justa e igual.

O Brasil sangra na alma quando chora por vidraças, prédios e concreto em detrimento de corpos, ideais e vidas, quando pessoas são destituídas da condição humana enquanto o lamento por objetos subsidia o discurso repressor.

O Brasil sangra silenciosamente no aval à barbárie consentido por quem tem nojo dos anseios do povo e lhe subtrai votos, benefícios sociais, trabalhistas, previdenciários, cidadania e até o direito de se insurgir contra o peso da opressão.

O Brasil sangra todos os dias no estupro interminável à constituição praticado por conchavos políticos e propinas empresariais, por conduções coercitivas, prisões infinitas, vazamentos seletivos, grampos a jornalistas, benevolência a delatores e assassinatos de reputação.

O Brasil desfalece de forma crônica nesse higienismo de estado em desfavor dos dependentes químicos, na destruição de barracos, colchões e vidas já tão desgraçadas pelas drogas, na prioridade ao trator sobre a saúde, na erradicação de cracolândias para beneficiar especuladores imobiliários.

O Brasil agoniza a céu aberto no extermínio contínuo de uma violência urbana comparada a guerras e fundamentalismos, no destino fúnebre de seres invisíveis transformados em números na cova da indiferença social.

O Brasil sofre golpes todos os dias na recorrência da homofobia, na permanência do racismo, no preconceito de gênero, sexo, origem social, na infindável desigualdade alimentada por uma elite mesquinha e desumana, expoente de uma colonização mordaz contra indígenas, negros e pobres.

E quando brasileiros se atrevem a levantar a cabeça e estancar o sangramento são maltratados por balas, bombas, cassetetes, represália midiática e a sombra militar de uma tirania ressuscitada.

O Brasil sangra desde sempre.

Mas essa hemorragia precisa parar.

 

 

4 Comentários

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Mariano S Silva

- 2017-05-25 19:29:05

É o que tenho dito: o mundo

É o que tenho dito: o mundo caminha para a instalação de uma monarquia burguesa absolutista e feudal! Concentrar riquesa na mão de poucos  e priorizar operações financeiras em detrimento da produção, caminha contra todas as noções de capitalismo. Oito (!!!) pessoas concentram a metade da riquesa do planeta e cerca de cem famílias (estudos matemáticos na rede feitos pelo Instituto de Tecnologia de Zurich) a quase totalidade da produção, comércio e finanças! O capitalismo deixado sem regulação pelos estados degenera no buraco negro do feudalismo monárquico por conta da eliminação da figura do consumidor (que é empobrecido pelo avanço do processo). O avanço das tecnologias de automação da produção, administração, comercialização e aniquilação (uso militar: exoesqueletos, andadores, drones,etc) mostra a face terrível da singularidade, que em física, todo buraco negro (horizonte de eventos) esconde: o estermínio de grande parte da humanidade improdutiva...

Vale a pena assistir filmes como Elysium, ou a série Black Mirror, para se ter uma ideia do que estou falando.

rvizin

- 2017-05-25 14:14:31

Aviso claro: quem se recusar a ser esfolado vivo, será morto....

Já que falou em sangramento, a Polícia do Pará assassinou 10 sem-terras como se fossem baratas. É o modus operandi das oligarquias medievais (verdadeira escória, não elite) que comandam (e desmandam) o Brasil desde sempre. Taí um recado claro: quem se recusa a ser esfolado vivo, é morto....

romulus

- 2017-05-25 13:55:20

TEMER JOGA “BOMBA NUCLEAR”... MAS NO PRÓPRIO PÉ

TEMER JOGA “BOMBA NUCLEAR”... MAS NO PRÓPRIO PÉ! 24/5: O DIA EM QUE O GOLPE FOI DERROTADO

Cadê o meteoro?

- Temer/Jungmann/Maia dão um baita tiro no próprio pé – mais para míssil nuclear (!): o “blefe” da “intervenção militar”...

- ... queimou na largada!

- Isso porque ninguém na Praça dos Três Poderes teve culhão para bancar o Exército – de novo! – descendo o cacete no... próprio povo que jurou defender!

- Insólito: Meirelles, gay semi-assumido (!), delirou que podia se tornar Presidente - no Brasil da homofobia assassina?!

- Peraí... “Presidente”? Portanto “Comandante-em-chefe”? Da repressão? Tocada pelos... ~machões~ fardados?! Esquece, Meirelles! (rs)

- Veja por que Lula é um estadista: o que é “Política” com “P” maiúsculo.

- Na qualidade de Estadista, Lula não se opõe a um freio de arrumação, sob Nelson Jobim. Para ~começarmos~ o looongo caminho de volta à democracia, ao Estado de direito e à normalidade institucional.

- Agora é com a Esquerda: a bola está na marca do pênalti! Começamos a transição pós-golpe, de volta à democracia? Ou não?!
 

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Clovis 50

- 2017-05-25 13:27:06

Reação não é ação.

Sobre as invasões de ministérios em Brasilia neste dia 24/05/2017

Como amante da História de meu país, insisto sempre numa tese: Aqui no Brasil, desde sempre a sociedade jamais foi a causa de tumultos ou quebra-quebra. A populaça quando age com tal atitude o faz em reação a atos causados pela plutocracia bandida que está no comando dos governos e agem como donos do Estado e violentadores do Estado de Direito. Portanto que fique claro de uma vez por todas, a sociedade nunca deu causa a violência, no máximo reage. E ademais, o que que é mais baderna: ser um ladrão de direito do trabalhador com golpe antidemocrático? Ou reagir a violência dos fardados causando algum pequeno quebra-quebra?

Sobre nova chacina de sem-terras, por parte da polícia no Sul do Pará.

Nesse mesmo raciocínio: lá no Sul do Pará, que conheço in loco, os fardados assassinaram, pelo milionésima vez, uma dezena de sem-nada, e a imprensa plutocrata não está falando quase nada; não está dando ênfase nenhuma, como se 10 vidas humanas não valessem nada. Apenas o que vale é um prejuízo de 100 mil no patrimônio público (prédios de ministérios em Brasília). Pobres não valem nada para as mentes escravistas e doentia deste país, para os brancos ricos que sempre estiveram aí mandando nos fardados e nos togados.

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