4 de junho de 2026

“Os mortos estão acordados, deveria dormir?”

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Por Sérgio Medeiros

“Os mortos estão acordados, deveria dormir”

Um golpe contra um governo legítimo, um golpe contra Dilma, um golpe contra Lula, um golpe contra a democracia.

Gostaria de falar palavras amenas, mas o momento não é de contemporização, a realidade é extremamente dura, e não nos permite, num horizonte próximo,  alimentar esperanças quanto a vivenciá-la sob o império de instituições livres e regidas pela imparcialidade da lei e de magistrados justos.

Estamos vivendo episódios em que a força se sobrepõe a razão, e assistimos perplexos e inconformados o massacre de pessoas que deram sua vida por um projeto que elevasse a vida dos cidadãos comuns do povo, e, com isso, a nossa própria, como seres humanos.

Estamos vendo uma justiça na qual nós não nos reconhecemos, que usa de suas prerrogativas e força decisórias, para trancafiar e expor de forma  cruel, quem se mostrou , mais uma vez, digno e inocente, mesmo frente a novas e insidiosas formas de arbítrio e tortura.

Antes os instrumentos violavam o corpo físico, agora tentam atingir a alma, a honra, a dignidade

Registro. Novamente serão derrotados

Não aceitamos esta suja guerra econômica  que tenta impor a miséria como regra, e a pobreza como destino, como se fosse possível que seres humanos, condenassem outros seres humanos, a tal condição.

Entretanto, a cada volta desta engrenagem espúria que se move, vejo seu reflexo nos jornais pagos a peso de ouro e vidas… e vejo mãos sujas de sangue inocente, escrevendo colunas e mais colunas… cheias de ódio e de sangue…. 

Em meio a extrema miséria moral desta imprensa, dita livre, mas financiada a moedas de prata, ainda assim, alguns se perguntam o que fazer?

“Os mortos estão acordados, deveria dormir?  

O mundo está em guerra contra os tiranos, deveria inclinar-me  –

A colheita está madura, hesitaria em colhe-la?(Byron)

Frente a tais questionamentos, só existe um caminho, e é seguir em frente, nossas consciências já não nos permitem capitular.

Precisamos também resgatar algumas palavras,  que não podem ser esquecidas, sob pena de ficarmos embrutecidos e inertes, entre elas, a solidariedade, o companheirismo, a responsabilidade e a noção de fazermos parte de um conjunto vivo e vibrante, e defendê-lo como defenderíamos nossos próprios filhos.

“Mas, de cada criança morta sai um fuzil com olhos

Mas, de cada crime nascem balas

Que vos encontrarão um dia o lugar do coração (Neruda)

Este foi  apenas mais um passo, mais um movimento desta absurda vingança em que o ódio tenta se impor frente a  inocência e a dignidade.

Que fique afirmado, não podemos ser derrotados, porque só podem ser derrotados os que não detêm   a razão, e se deixam ficar a margem , enquanto a barbárie tenta avançar.

Os embates serão cada vez mais duros, mas devemos estar preparados para reagirmos à altura de nossas próprias aspirações, para, somente assim, deixarmos para nossos filhos, um mundo onde cada manhã renasça como promessa de um mundo novo e melhor.

Por fim, fica o recado da canção, Conversando no Bar, interpretada por Elis Regina:

                                              “ descobri que minha arma é o que a memória guarda.

Neste momento, dizem presentes todos que lutaram contra o Golpe Militar, e em alto e bom som, informam, estamos acordados e acordando todos que vivem e sonham, para que nada se esconda, para que todos ocupem seus lugares e cerrem fileiras pela liberdade.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. altamiro souza

    10 de março de 2016 2:18 pm

    juro que gostaria de ter

    juro que gostaria de ter escrito esse ótimo post…

    quando a justiça decreta falencia, a insegurança vige e vigerá

  2. martha silva

    10 de março de 2016 2:52 pm

    A luta deve ser travada!

    A luta deve ser travada!

  3. Frederico Firmo

    10 de março de 2016 4:02 pm

    Indignação

    Obrigado amigo, no momento só 

    indignação:  ir contra aquilo  que  ofende a dignidade, não apenas de um mas de     todos  que pertencem a uma sociedade

      indignos:  aqueles que compactuam, que silenciam ou que concorrem para um ato que   fere a dignidade e a honra de    um   cidadão,

  4. rdmaestri

    10 de março de 2016 5:11 pm

    É, vamos a luta.

    Não vão nos deixar outra saída.

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