Projeto para acabar com ensino integral é atraente só para as piores faculdades, por Luis Felipe Miguel

Extingue-se o programa de financiamento do ensino em tempo integral em escolas estaduais e municipais. Em troca, haverá estímulo para que universidades cedam seus "espaços ociosos" para que alunos do ensino básico estudem no contraturno.

Foto do site Pensar a Educação

Projeto para acabar com ensino integral é atraente só para as piores faculdades

por Luis Felipe Miguel

O projeto para acabar com o ensino integral mostra uma vez mais que é preciso atenção aos movimentos do MEC. Aquilo que parece só incompetência e desconhecimento do beabá da educação esconde, muitas vezes, uma dose de safadeza.

Extingue-se o programa de financiamento do ensino em tempo integral em escolas estaduais e municipais. Em troca, haverá estímulo para que universidades cedam seus “espaços ociosos” para que alunos do ensino básico estudem no contraturno.

O estímulo é que as universidades que o fizerem ganharão um “bônus” nas avaliações do INEP.

À primeira vista, parece um despautério completo.

Os espaços das universidades em geral não são adequados para estudantes do ensino básico. Não se fala de onde virão os professores para atendê-los.

E o bônus avacalha a avaliação do ensino superior. Vai gerar notas altas para instituições que não a mereceriam, pelo que oferecem a seus alunos.

Mas há um sentido. Universidades públicas, como regra, não têm espaços ociosos – exceto, às vezes, à noite, mas não se imagina que este seja o horário em que as crianças vão ocupá-las. Aliás, universidades públicas em geral não precisam de bônus nas avaliações, já que são os centros de excelência da educação superior no Brasil.

Para faculdades privadas, porém, pode ser um acerto interessante. A crise e o esvaziamento do FIES têm reduzido as matrículas, o que gera os espaços ociosos. E várias delas precisam desesperadamente de pontinhos para não reprovar nas avaliações do INEP, o que poderia levar até à suspensão de suas atividades.

Leia também:  Sobre a banalização dos assassinatos comandados por Witzel, por Eduardo Ramos

Você vira depósito de aluno do ensino básico durante um tempo e garante o direito de continuar vendendo péssimos serviços de ensino superior. Um bom negócio, não?

Quanto pior a faculdade, mais atraente é a proposta do MEC.

E o estudante que deveria receber ensino integral? Ah, esse é só um peão no arranjo feito para beneficiar os empresários da educação.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

2 comentários

  1. É uma ladeira abaixo sem fim com este desgoverno. A idéia deles me parece ser a destruição completa do país!! E eu me pergunto como, como essas criaturas votaram nele e como teve gente com a covardia de anular ou não ir votar??

  2. O pessoal da iniciativa privada, sabe como é… não duvido de que alguns campi de unisquinas sejam “fundados” apenas para gerar esse tais bônus, algo como limpar uma área para virar estacionamento.

    Quanto custa uma placa “Unisquina”, um barracão e uma quadra poliesportiva num terreno qualquer?

    Algumas coisas são importantes demais para ficar nas mãos desses aventureiros da iniciativa privada: Saúde, Educação e a própria Economia, por exemplo.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome