The Guardian: Governo de Bolsonaro ataca a indicada ao Oscar, Petra Costa, como ‘ativista anti-Brasil’

Matéria no inglês The Guardian fala sobre os ataques do governo Bolsonaro e seus seguidores à cineasta de ‘Democracia em Vertigem’.

Jornal GGN – A maioria dos governos celebra quando seus cidadãos são indicados ao Oscar – mas não no Brasil de Jair Bolsonaro. Esta é introdução de uma matéria no inglês The Guardian sobre os ataques do governo Bolsonaro e seus seguidores à cineasta de ‘Democracia em Vertigem’. O jornal destaca também o mesmo tipo de ataque do Zero03, Eduardo.

Em matéria do correspondente da América Latina, Tom Phillips, o jornal inglês aponta para a enxurrada de tuítes ocorridos nesta segunda, dia 3, contra Petra Costa. Diz que a diretora do documentário foi classificada como ‘uma ativista anti-brasileira’ e que ‘manchara a imagem do país no exterior’.

O filho Zero03, Eduardo, liderou a acusação, chamando Petra de ‘canalha’, diz o jornal.

O filme de Petra foi indicado ao Oscar de melhor documentário no mês passado, e a cineasta de 36 anos se tornou uma grande crítica internacional do governo de extrema-direita de Bolsonaro. O gatilho do ataque presidencial – que os especialistas chamaram de inconstitucional – foi uma entrevista dada por Petra ao jornalista norte-americano Hari Sreenivasan na semana passada.

Na entrevista, Petra lamenta o aumento do poder de Bolsonaro e critica o incentivo do ex-capitão do exército ao desmatamento da Amazônia e aos assassinatos da polícia que, conforme disse, aumentaram 20% no estado do Rio de Janeiro desde a eleição de Bolsonaro.

‘Normalmente, não perco tempo refutando desprezíveis como Petra Costa, mas o nível de seus absurdos é criminoso’, tuitou Eduardo Bolsonaro, representante sul-americano do grupo de extrema-direita de Steve Bannon, The Movement, ao lado da hashtag #PetraCostaLiar, diz a matéria.

Logo depois uma nova enxurrada de tuítes, desta vez da Secom – a secretaria de comunicação presidencial supostamente apolítica do Brasil, narra o jornalista. ‘É inacreditável que um cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras e previsões absurdas para denegrir uma nação só porque ela não aceita o resultado das eleições’, tuítou a agência presidencial em inglês.

‘Sem o menor senso de respeito por sua terra natal e pelo povo brasileiro, Petra disse em um roteiro irracional que a Amazônia se tornará uma savana em breve e que o presidente Bolsonaro ordena o assassinato de afro-americanos e homossexuais’, continuou a Secom.

E foi mais longe, ao postar um vídeo em português rejeitando as alegações de Petra sobre um aumento nos assassinatos da polícia como ‘notícias falsas’. Na matéria a menção às estatísticas oficiais, desmentindo o desmentido da Secom, que mostram que a polícia do Rio matou 1.810 pessoas no ano passado, o número mais alto em mais de duas décadas e um aumento de 18% em relação a 2018.

O jornalista aponta, também, que a Secom rejeitou a alegação de Petra sobre a Amazônia. Disse o responsável pela comunicação presidencial que a floresta já ‘estava em um ponto de inflexão onde poderia se tornar uma savana a qualquer momento’. O jornalista rebate dizendo que os principais cientistas alertam que o desmatamento está empurrando a floresta amazônica para um ponto de inflexão irreversível, embora não esteja claro quanto tempo temos pela frente.

A matéria aponta a defesa feita pela ex-presidente Dilma Rousseff, vítima do impeachment que motivou o documentário, que considerou uma ‘agressão intolerável’ o ataque do governo Bolsonaro à cineasta.

Em seu tuíte, Dilma disse que foi o presidente de extrema-direita que era um ‘ativista anti-Brasil’ e não Petra Costa. ‘Não há ninguém em nosso país que seja mais anti-Brasil e mais prejudicial à nossa imagem no exterior do que Bolsonaro’, disse ela.

E Dilma acrescentou: ‘Petra foi mesmo serena em sua escolha de palavras, ao expressar apenas uma fração do que os brasileiros e o mundo já sabem: que o Brasil é governado por um inimigo sexista, racista, homofóbico, inimigo da cultura, defensor de ditaduras, tortura e violência policial e um amigo dos paramilitares’.

E, por fim, a matéria do The Guardian lembra que, no mês passado, Bolsonaro descartou o filme de Petra – que ele admitiu não ter visto – como ‘porcaria’.

6 Comentários

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  1. Do que o governo e seus seguidores gostam mesmo é de celebrar a violência, a destruição e a morte…
    celebrar a vida, a verdade, a preservação da natureza, a garantia dos direitos humanos e até mesmo um simples reconhecimento nacional e internacional da possibilidade do trabalho de Petra vir a ser premiado não é com eles(as)

    se fosse para celebrar a morte de uma criança ou de um adversário político com mais potencial para ser eleito, estariam em êxtase, como já estiveram com a morte da Marielle e do netinho do Lula

  2. Todos os psicóticos que boiam no esgoto do desgoverno vomitaram suas imbecilidades contra quem não fugiu da verdade. Mas este é o único recurso do bando, que grita, esperneia, espuma, baba odio e só nao faz o que deveria fazer: governar
    Mas tranquilo.
    Afinal, o importante é que a caravana segue em frente e acho q desta vez ganhamos o Oscar.

  3. Óbvio, o filme eternizou os golpistas para sempre …. é a versão película da celebre foto do julgamento de Dilma, ali, os milicos sabiam que estavam cometendo um ato que ficaria marcado para sempre e preferiram esconder o rosto, o mesmo efeito tem o filme, os golpistas sabem que deram um golpe e…..voilá…..surgiu um documentário mundialmente aclamado e indicado ao Oscar para pregar-lhes na testa o estigma do golpismo para sempre….. até eu, se golpista fosse, ficaria p….da vida com essa moça…….

  4. O pau pega pra todo lado, direita e esquerda metendo a cara. Só o Haddad que nunca aparece em canto algum. Vira esquerda só em ano de eleição presidencial.

  5. Se Petra disse que a floresta amazônica em breve vai se transformar em uma savana, está sendo pouco pessimista. Eis o que falou José Bonifácio de Andrada e Silva em seu discurso na Assembleia Constituinte de 1823, a primeira do Brasil:
    “Nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado devastador da ignorância e do egoísmo; nossos montes e encostas vão se escalvando diariamente, e com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes que favoreçam a vegetação, e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil em menos de dois séculos ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia. Virá então o dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”
    (Projetos para o Brasil, pgs. 40-41)
    Lembrando que esta profecia de 1823 fala em menos de dois séculos, que se cumprem em 2023.

  6. TOU AMANDO…PETRA SENDO ESCOLHIDA E RECONHECIDA MUNDIALMENTE POR SUA LUTA, ÉTICA UNIVERSAL HUMANA E TER UM DOCUMENTÁRIO INDICADO AO OSCAR. PARABÉNS A TODAS AS GERAÇÕES DE MULHERES QUE LUTARAM E LUTAM POR NOSSOS DIREITOS EM MEIO A ESSA DOENÇA QUE SE ALASTROU NO BRASILEIRO CHAMADA : BOLSOMILICIA, UNIVERSARISMO (BOLSONARISMO + IGREJA UNIVERSAL) E OUTRAS IGREJAS PENTECOSTAIS. COMO DIZ PAULO FREIRE ” É por esta ética inseparável da prática, que devemos lutar. Não é possível ao sujeito ético viver sem estar permanentemente exposto á transgressão da ética.
    “A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no
    mundo. Com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos
    contra a realidade social que, de história e cultural, passa a ser ou a virar “quase
    natural”.
    A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a
    qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo. HOJE NOS DEPARAMOS COM ABERRAÇÕES COMO CADA MINISTRO ESCOLHIDO POR ESSE GOVERNO SEM ÉTICA HUMANA. QUE DEFENDE ASSASSINOS, MILICIANOS, ASSEDIADORES, FEMINICIDAS, TORTURADORES, RACISTAS, SEXISTAS, HOMOFÓBICOS, XENOFÓBICOS, AGRESSORES, ESTUPRADORES E TODO TIPO DE TRANSGRESSÃO CONTRA A EXISTÊNCIA HUMANA.

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