
Uma nova americanização do Brasil
por Fábio de Oliveira Ribeiro
Um dos episódios mais grotescos da História do Brasil é assim narrado por Moniz Bandeira:
“A americanização do Brasil significava, para os homens que assumiram o poder a 15 de novembro de 1889, o fim da herança colonial, a industrialização, o progresso da democracia. Era o mesmo ideal que, durante um século, todas as gerações revolucionárias agitaram. A república sintetizava-o, embora representasse um retrocesso institucional em relação à monarquia parlamentar existente no Brasil. O governo provisório lançou-se, febrilmente, à tarefa de sintonizar o Brasil com o tempo.
Rui Barbosa, à frente do Ministério da Fazenda, fundamentou na doutrina protecionista de Alexander Hamilton o esforço de industrialização a que compeliu o país. Abriu ainda mais as comportas do crédito, ampliando, extraordinariamente, as medidas que o governo imperial (gabinetes João Alfredo Correa de Oliveira e Afonso Celso de Assis Figueiredo, visconde de Ouro Preto) iniciou, para contornar a crise. Estimulou o surgimento de sociedades anônimas. Abandonou o lastro-ouro e permitiu (decreto de 17 de janeiro de 1890) que os bancos emitissem sobre apólices, papel garantindo papel. Era o encilhamento, segundo a linguagem do turfe. Assim, entre novembro de 1889 e outubro de 1890, apareceram mais empresas que em sete décadas do Império.
O Brasil viveu momentos de delírio. Queria romper com tudo que lembrasse o passado. O radicalismo exacerbou-se. Pretendeu-se até mesmo expropriar as companhias estrangeiras e expulsar do país o capital europeu. As manifestações de nacionalismo, paradoxalmente, acompanhavam as tendências para a americanização do país. Uma comissão de cinco membros, sob a orientação de Rui Barbosa, elaborou a nova Constituição, uma cópia mais ou menos fiel da americana. Instituiu-se o federalismo. O país passou a se chamar Estados Unidos do Brasil. E adotou-se, na primeira hora, a bandeira estrelada, com listras auriverdes, proposta pelo senador José Lopes da Silva Trovão. A diferença consistia nas cores.
Rui Barbosa era o cérebro daquele governo de composição pequeno burguesa, sôfrego e ansioso para arrancar o Brasil do atoleiro pré-capitalista e equipará-lo aos Estados Unidos, ainda que pelo simples mimetismo. A americanização que imprimiu ao país correspondia ao estado de espírito das classes em ascensão, contrário à preeminência da Inglaterra. Os Estados Unidos, segundo se informava, ofereciam dinheiro mais barato e constituíam uma opção para o Brasil, cujo crédito ficara abalado na Europa. Esta era uma das razões que levavam o positivista Benjamin Constant, ministro da Guerra, a defender uma política exclusivamente americana, a Doutrina Monroe.” (Presença dos Estados Unidos no Brasil, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007, p. 203/204)
Jurista como Rui Barbosa, Michel Temer deu um golpe de estado. Ao chegar ao poder colou em prática seu plano para americanizar o país.
Em apenas um ano o Brasil praticamente renunciou a modernizar suas forças armadas, ofereceu a Base de Alcântara aos EUA, começou a privatizar a Petrobras e o pré-sal em benefício das companhias norte-americanas e reformou a legislação do trabalho e previdenciária de maneira a reduzir o custo da exploração capitalista e a maximizar os lucros em benefício dos investidores gringos e dos seus sócios brasileiros.
O resultado, contudo, não foi nem a modernização nem a industrialização acelerada do país. O desemprego aumentou, milhares de empresas foram fechadas, o comércio encolheu e as indústrias continuam demitindo ao invés de contratar. Apesar da redução da demanda os preços dos produtos continuam estáveis.
Rui Barbosa ofereceu crédito aos empresários brasileiros. Michel Temer fez o oposto. Ele forçou a CEF, o Banco do Brasil e o BNDES a cederem espaço aos bancos privados, que por sua vez continuam praticando juros estratosféricos e inibindo o crescimento do país.
Por falta de investimento, os centros brasileiros de pesquisa científica estão morrendo. Várias universidades públicas estão sendo literalmente assassinadas pelo governo federal e por governos estaduais. Todavia, nenhum indicador acusou uma redução no preço das mensalidades das universidades privadas.
A lei de mercado simplesmente não funciona num país em que a elite financeira/empresarial tem uma mentalidade quase feudal. A americanização do Brasil, contudo, beneficiou os norte-americanos. Eles já controlam quase todo o mercado de derivados de petróleo importados do Brasil, enquanto o país exporta petróleo cru sob a vigência de uma lei que transfere para o exterior quase toda a riqueza resultante da exploração petrolífera.
Pressionado pelo MPF, Michel Temer rasgou a Lei de Responsabilidade fiscal e distribuiu dinheiro à vontade para os Deputados não permitirem que ele seja criminalmente processado. Em algum momento começaremos a sentir os efeitos deletérios deste novo encilhamento, pois o endividamento do Estado cresce, a arrecadação cai e o aumento de gastos com emendas parlamentares vai explodir o orçamento, obrigando o país a tomar mais dinheiro emprestado.
Como no período 1889/1890 o Brasil vive momentos de delírio. Quer romper com tudo que lembre o passado. O radicalismo exacerbou-se tanto que Lula foi condenado sem provas por causa de um crime impossível (ele não recebeu como propina o imóvel ainda é propriedade de uma construtora). Que empresário europeu, norte-americano ou asiático investiria num país em que os juízes são incapazes de reconhecer a validade do direito de propriedade e o princípio da presunção de inocência?
Rui Barbosa não conseguiu americanizar o Brasil, pois a Assembléia Constituinte resistiu ao acordo aduaneiro celebrado com os EUA:
“…A notícia da assinatura do acordo, firmado em 31 de janeiro de 1891, provocou forte reação. Nilo Peçanha, deputado à Assembléia Constituinte, pediu uma sessão secreta para examinar as bases da negociação com os Estados Unidos. O deputado Amaro Cavalcanti apoiou-o. E o ministro Aristides Lobo considerava ‘tantos e tão maus os resultados deste tratamento para as indústrias nascentes do país, que parece inútil discutir a razão que se pode alegar e que justifique as causas deste tratado’. As críticas partiam de todos os setores da opinião pública. Antonio da Silva Prado, ex-ministro da Agricultura, entendeu que o esquema do tratado não era, efetivamente, de reciprocidade e condenou as cláusulas sobre o açúcar e o petróleo. O visconde de Ouro Preto, presidente do último gabinete de D. Pedro II, denunciou então o dedo de Blaine na queda do Império.” (Presença dos Estados Unidos no Brasil, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007, p. 205)
Os dedos sujos da ex-embaixadora dos EUA na queda de Dilma Rousseff são evidentes. Ela preparou e fortaleceu o golpe reunindo-se com Michel Temer várias vezes antes dele começar a derrubar a presidenta do Brasil divulgando sua famigerada cartinha. Treinado nos EUA, Sérgio Moro ajudou a construir cenários para o golpe gravando criminosamente conversas entre Dilma Rousseff e Lula.
O juiz da Lava Jato também não se preocupou em contrapartidas fazer um acordo com autoridades norte-americanas que resultou na destruição das construtoras brasileiras que prestavam serviços à Petrobras. Tanto isto é verdade que recentemente Donald Trump tornou secretos todos os documentos que registram os negócios sujos das petrolíferas norte-americanas fora dos EUA.
A resistência ao golpe, porém, não se expressa como uma guerra ideológica à americanização do Brasil. A imprensa tupiniquim está toda ela comprometida com os ideais que nortearam o golpe de estado dado por Michel Temer com ajuda de sua quadrilha no Congresso e no STF, pouco importando o fato dele ser ou não derrubado em razão dos crimes que cometeu.
O que mais estranha nessa história toda é a aquiescência silenciosa das Forças Armadas do Brasil. Os comandantes militares brasileiros parecem estar resignados. Eles aceitaram pacificamente o rebaixamento ao posto de sarjentões de uma tropa de ocupação neo-colonial sob o comando do General do US Army que será designado para controlar tudo dentro e fora das nossas fronteiras? Se for este o caso, sugiro que eles comecem a hastear a bandeira dos Estados Unidos do Brasil ao lado da American Flag nos quartéis. Pelo menos assim saberemos de quem eles são amigos e inimigos.
Renato Lazzari
20 de julho de 2017 12:46 pmRepública velha e louca
Bem observado, caro Fabio! Acho que a turma de Temer, os golpistas, está tentando transformar nosso país numa daquelas pessoas que tendo chegado à velhice entregam-se a delírios esquizofrênicos sobre que poderiam ter sido. A base dessa loucura é a comparação de si mesmo com outros a quem julga ter sido mais bem sucedido. Coisas de velho demente que usa a vaidade para esconder o que julga o próprio fracasso, como o próprio Temer, Serra, Dória e os não menos obsoletos Moro, Dallagnol e conservadores que-tais. Medalha de honra do Asilo-Hospício a Bolsonaro. Mas a lista é grande e abrange todos esse que tomaram de assalto nosso país. Nosso país não é assim, não é a cara desse velhos dementes que, presta atenção, cheira a naftalina.
Conservadores, bah…
Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de julho de 2017 5:05 pmSó agora notei que o texto
Só agora notei que o texto tem alguns erros e ambiguidades. Aqui uma versão dele corrigida. Em negrito as correções:
Um dos episódios mais grotescos da História do Brasil é assim narrado por Moniz Bandeira:
“A americanização do Brasil significava, para os homens que assumiram o poder a 15 de novembro de 1889, o fim da herança colonial, a industrialização, o progresso da democracia. Era o mesmo ideal que, durante um século, todas as gerações revolucionárias agitaram. A república sintetizava-o, embora representasse um retrocesso institucional em relação à monarquia parlamentar existente no Brasil. O governo provisório lançou-se, febrilmente, à tarefa de sintonizar o Brasil com o tempo.
Rui Barbosa, à frente do Ministério da Fazenda, fundamentou na doutrina protecionista de Alexander Hamilton o esforço de industrialização a que compeliu o país. Abriu ainda mais as comportas do crédito, ampliando, extraordinariamente, as medidas que o governo imperial (gabinetes João Alfredo Correa de Oliveira e Afonso Celso de Assis Figueiredo, visconde de Ouro Preto) iniciou, para contornar a crise. Estimulou o surgimento de sociedades anônimas. Abandonou o lastro-ouro e permitiu (decreto de 17 de janeiro de 1890) que os bancos emitissem sobre apólices, papel garantindo papel. Era o encilhamento, segundo a linguagem do turfe. Assim, entre novembro de 1889 e outubro de 1890, apareceram mais empresas que em sete décadas do Império.
O Brasil viveu momentos de delírio. Queria romper com tudo que lembrasse o passado. O radicalismo exacerbou-se. Pretendeu-se até mesmo expropriar as companhias estrangeiras e expulsar do país o capital europeu. As manifestações de nacionalismo, paradoxalmente, acompanhavam as tendências para a americanização do país. Uma comissão de cinco membros, sob a orientação de Rui Barbosa, elaborou a nova Constituição, uma cópia mais ou menos fiel da americana. Instituiu-se o federalismo. O país passou a se chamar Estados Unidos do Brasil. E adotou-se, na primeira hora, a bandeira estrelada, com listras auriverdes, proposta pelo senador José Lopes da Silva Trovão. A diferença consistia nas cores.
Rui Barbosa era o cérebro daquele governo de composição pequeno burguesa, sôfrego e ansioso para arrancar o Brasil do atoleiro pré-capitalista e equipará-lo aos Estados Unidos, ainda que pelo simples mimetismo. A americanização que imprimiu ao país correspondia ao estado de espírito das classes em ascensão, contrário à preeminência da Inglaterra. Os Estados Unidos, segundo se informava, ofereciam dinheiro mais barato e constituíam uma opção para o Brasil, cujo crédito ficara abalado na Europa. Esta era uma das razões que levavam o positivista Benjamin Constant, ministro da Guerra, a defender uma política exclusivamente americana, a Doutrina Monroe.” (Presença dos Estados Unidos no Brasil, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007, p. 203/204)
Jurista como Rui Barbosa, Michel Temer deu um golpe de estado. Ao chegar ao poder colocou em prática seu plano para americanizar o país.
Em apenas um ano o Brasil praticamente renunciou a modernizar suas forças armadas, ofereceu a Base de Alcântara aos EUA, começou a privatizar a Petrobras e o pré-sal em benefício das companhias norte-americanas e reformou a legislação do trabalho e previdenciária de maneira a reduzir o custo da exploração capitalista e a maximizar os lucros em benefício dos investidores gringos e dos seus sócios brasileiros.
O resultado, contudo, não foi nem a modernização nem a industrialização acelerada do país. O desemprego aumentou, milhares de empresas foram fechadas, o comércio encolheu e as indústrias continuam demitindo ao invés de contratar. Apesar da redução da demanda os preços dos produtos continuam estáveis.
Rui Barbosa ofereceu crédito aos empresários brasileiros. Michel Temer fez o oposto. Ele forçou a CEF, o Banco do Brasil e o BNDES a cederem espaço aos bancos privados, que por sua vez continuam praticando juros estratosféricos e inibindo o crescimento do país.
Por falta de investimento, os centros brasileiros de pesquisa científica estão morrendo. Várias universidades públicas estão sendo literalmente assassinadas pelo governo federal e por governos estaduais. Todavia, nenhum indicador acusou uma redução no preço das mensalidades das universidades privadas.
A lei de mercado simplesmente não funciona num país em que a elite financeira/empresarial tem uma mentalidade quase feudal. A americanização do Brasil, contudo, beneficiou os norte-americanos. Eles já controlam quase todo o mercado de derivados de petróleo importados pelo Brasil, enquanto o país exporta petróleo cru sob a vigência de uma lei que transfere para o exterior quase toda a riqueza resultante da exploração petrolífera.
Pressionado pelo MPF, Michel Temer rasgou a Lei de Responsabilidade fiscal e distribuiu dinheiro à vontade para os Deputados não permitirem que ele seja criminalmente processado. Em algum momento começaremos a sentir os efeitos deletérios deste novo encilhamento, pois o endividamento do Estado cresce, a arrecadação cai e o aumento de gastos com emendas parlamentares vai explodir o orçamento, obrigando o país a tomar mais dinheiro emprestado.
Como no período 1889/1890 o Brasil vive momentos de delírio. Quer romper com tudo que lembre o passado. O radicalismo exacerbou-se tanto que Lula foi condenado sem provas por causa de um crime impossível (ele não recebeu como propina o imóvel que ainda é propriedade de uma construtora). Que empresário europeu, norte-americano ou asiático investiria num país em que os juízes são incapazes de reconhecer a validade do direito de propriedade e o princípio da presunção de inocência?
Rui Barbosa não conseguiu americanizar o Brasil, pois a Assembléia Constituinte resistiu ao acordo aduaneiro celebrado com os EUA:
“…A notícia da assinatura do acordo, firmado em 31 de janeiro de 1891, provocou forte reação. Nilo Peçanha, deputado à Assembléia Constituinte, pediu uma sessão secreta para examinar as bases da negociação com os Estados Unidos. O deputado Amaro Cavalcanti apoiou-o. E o ministro Aristides Lobo considerava ‘tantos e tão maus os resultados deste tratamento para as indústrias nascentes do país, que parece inútil discutir a razão que se pode alegar e que justifique as causas deste tratado’. As críticas partiam de todos os setores da opinião pública. Antonio da Silva Prado, ex-ministro da Agricultura, entendeu que o esquema do tratado não era, efetivamente, de reciprocidade e condenou as cláusulas sobre o açúcar e o petróleo. O visconde de Ouro Preto, presidente do último gabinete de D. Pedro II, denunciou então o dedo de Blaine na queda do Império.” (Presença dos Estados Unidos no Brasil, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007, p. 205)
Os dedos sujos da ex-embaixadora dos EUA na queda de Dilma Rousseff são evidentes. Ela preparou e fortaleceu o golpe reunindo-se com Michel Temer várias vezes antes dele começar a derrubar a presidenta do Brasil divulgando sua famigerada cartinha. Treinado nos EUA, Sérgio Moro ajudou a construir cenários para o golpe gravando criminosamente conversas entre Dilma Rousseff e Lula.
O juiz da Lava Jato também não se preocupou em contrapartidas fazer um acordo com autoridades norte-americanas que resultou na destruição das construtoras brasileiras que prestavam serviços à Petrobras. Tanto isto é verdade que recentemente Donald Trump tornou secretos todos os documentos que registram os negócios sujos das petrolíferas norte-americanas fora dos EUA.
A resistência ao golpe, porém, não se expressa como uma guerra ideológica à americanização do Brasil. A imprensa tupiniquim está toda ela comprometida com os ideais que nortearam o golpe de estado dado por Michel Temer com ajuda de sua quadrilha no Congresso e no STF, pouco importando o fato dele ser ou não derrubado em razão dos crimes que cometeu.
O que mais estranha nessa história toda é a aquiescência silenciosa das Forças Armadas do Brasil. Os comandantes militares brasileiros parecem estar resignados. Eles aceitaram pacificamente o rebaixamento ao posto de sarjentões de uma tropa de ocupação neo-colonial sob o comando do General do US Army que será designado para controlar tudo dentro e fora das nossas fronteiras? Se for este o caso, sugiro que eles comecem a hastear a bandeira dos Estados Unidos do Brasil ao lado da American Flag nos quartéis. Pelo menos assim saberemos de quem eles são amigos e inimigos.
romulus
20 de julho de 2017 5:16 pmProjeto – americanizado – de ditadura judiciária será enterrado:
Globo vs. Temer: o exemplo mais ilustrativo da tragédia brasileira
Por Romulus
A Globo nunca ficou do lado perdedor…
Assim, em constatando a derrota final dos Procuradores, não hesitará 2 segundos antes de jogar o PGR Rodrigo Janot e o MPF ao mar…
À Globo, no curto prazo, basta que siga a Lava a Jato de ~Curitiba~…
(que visa exclusivamente a Lula e ao PT!)
É verdade que o “passo maior que as pernas” – a guerra total contra ~toda~ a classe política tocada pela Lava a Jato de ~Brasília~ – animou a Globo (e a Finança) num primeiro momento…
Afinal, a implantação da “Noocracia (escamoteada!)/ “‘Democracia’ à iraniana” no Brasil – seu projeto de longo prazo – estava a apenas um passo…
Mas aí…
Chegou o Ortega y Gasset e estragou a “festa”:
“Entre o ser e o crer que já se é…
… vai a distância entre o sublime e o ridículo”
– Certo, Globo/ MPF/ Janot??
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http://bit.ly/GLOBOxTEMER
Fabian Bosch
20 de julho de 2017 5:52 pmRui e m.temer
Como comparar Rui Barbosa e Michel Temer? Por que Temer seria jurista? Um único opúsculo sobre D.Constitucional, medíocre. É tudo.
Não estou com Gilberto Freire, quando ele distingue implicitamente entre juristas fechados (herméticos) e juristas abertos. Os aadêmicos de Dreito são avessos a colaborações ou diálogos com outras disciplinas. Nutrem uma estranha superioridade sobre outros saberes, como engenharia, informática, economia. Os bancos de dados de tribunais, do Ministério Público Federal e de outros ambientes onde ‘juristas’ têm ascendência são uma miséria de confusão, classificações erradas, mal funcionamento. Isso é um sintoma do que afirmo.
No Nordeste ainda ecoa o mito de Rui Barbosa, tido como gênio, porque jurista e poliglota. Seria papel de jurista copiar a Constituição dos Estados Unidos?
Mas Michel Temer fica muito poupado quando absurdamente classificado como jurista. Existem toupeiras anedóticas ensinando nas faculdades de Direito deste país. O ensino em faculdade também não credencia Temer como jurista. Bem….há quem admire a mesóclise.
Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de julho de 2017 6:39 pmDeixei de ser admirador de
Deixei de ser admirador de Rui Barbosa quando estudei em detalhes o Encilhamento. Ele é um parente dele ficaram ricos durante aquele episódio. Nesse sentido a comparação entre ele e Michel Temer é pertinente, pois o usurpador também é um ladrão que enriqueceu roubando o Estado.
Jose de Almeida Bispo
20 de julho de 2017 6:33 pm“Jurista como Rui Barbosa,
“Jurista como Rui Barbosa, Michel Temer deu um golpe de estado. Ao chegar ao poder colou em prática seu plano para americanizar o país.”
Aos “revolucionários” paulistas do Golpe da República e aos “revolucionários” paulistas do golpe de 2016, o que importa e continuar um plantation e preservar os green cards. Só!
Vão retroceder o país a 1910. Eles nunca quiseram uma pátria; apenas serem capachos-mores da potência mundial da vez. Com uma cabeça ébria dessa não tem corpo que consiga dar um passo adiante.
Gregor Samsa
20 de julho de 2017 8:06 pmAmericanalhização
“Americanalhização” é um termo mais adequado para as colônias onde a maior parte das pessoas é imbecilizada pelo Poder Midiático.
CarlosEd
20 de julho de 2017 8:36 pmO amor por princípio
Moniz Bandeira é sem dúvida uma ótima fonte para o debate, mas em meus estudos sobre música e cultura venho construindo um pensamento que prioriza o conhecimento de nossa história cultural para além das histórias econômica e política. Um conhecimento sobre quem somos passa necessariamente pelo conhecimento da nossa história cultural, e sem isso penso que jamais sairemos do lugar.
A história política e econômica brasileira é mais ou menos a história das elites, e elites irão trabalhar sempre a favor delas mesmas, seja aqui ou em qualquer outro país.
Nosso conhecimento sobre nós mesmos é cerceado desde o Marquês de Pombal no século XVIII.
Desde que Pombal promoveu no país a primeira reforma educacional, destruindo o sistema construído pelos jesuítas ao longo de mais de 200 anos (1548-1759),toda uma história cultural foi destruída junto, a história que misturava ricos, pobres, negros, índios e mulatos na mesma sala de aula. Embora não houvesse uma elite econômica propriamente dita no Brasil do século XVIII, os mais privilegiados por aqui estudavam junto com todos os outros antes de se dirigirem a Coimbra para completarem seus estudos. A partir de Pombal a educação passou a servir apenas às elites, formando quadros para governos elitistas que se sucedem desde então.
Ora, mas o que isso tem a ver com a americanização do Brasil?
Ora, menos sabe o tolo de si que o espertalhão do alheio.
Há toda uma sequencia de fatos históricos que mostram que os EUA mantém rígida e constante vigilância sobre todos os movimentos da sociedade brasileira, não apenas os políticos, mas sobretudo aqueles que podem vir a ameaçar o seu domínio, que são os movimentos da nossa inteligência, da nossa educação, da nossa sabedoria e nosso conhecimento tecnológico.
Vamos a alguns deles:
1) Presença do Birô Interamericano no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, comandado por Nelson Rockefeller.
2) Criação da Escola Superior de Guerra em 1947, após oficiais brasileiros terem sido “treinados” no National War College.
3) Expulsão de 7.500 militares das forças armadas brasileiras após o golpe de 1964.
4) Acordos educacionais MEC/USAID após o golpe de 1964 (qualquer semelhança com o Escola sem Partido não é mera coincidência)
5) Criação da Rede Globo em 1965 e pouco depois do Jornal Nacional (ou será “tribunal” nacional?)
5) Prisão e encarceramento do Almirante Othon, oficial coordenador do programa nuclear brasileiro.
Por isso o artigo me parece ser da maior importância, pois é evidente que há toda uma política externa norte americana voltada exclusivamente para o Brasil, e isso vai muito além da dominação econômica e política. O que eles querem é a dominação do nosso pensamento e a dominação cultural, porque essa, uma vez conseguida, meus amigos, babau.
O que eles querem, além de nos deixarem pobres, é nos deixar burros e ignorantes, enquanto eles povoam o espaço aéreo com satélites espiões.
Se todos esses golpes que se sucedem forem por causa de nosso petróleo e outros recursos naturais, conclamo os leitores à reflexão, pois penso que podem levar nossos recursos, mas jamais podemos permitir que nos levem a nossa consciência, nossa inteligência e nossa cultura.
Sabem o que dizia o lema original positivista que foi transcrito na bandeira brasileira?
“O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.
Falta-nos portanto alguma coisa em nossa bandeira.
Fabian Bosch
20 de julho de 2017 9:38 pmmais informações, Carlos ed
sua abordagem chega a aspectos de que nunca suspeitei. Acredito que o mesmo se passa com muitos que frequentam este blog. Peço a você mais informações sobre a interferência norteamericana sobre nossa cultura. O movimento passivo, dos que aqui se perfilam com os yanques é evidente (Globo). Mas o movimento ativo, deles em direção a nossas práticas de ensino, de transmissão cultural ‘espondtânea’, nem tanto. Espero você.
CarlosEd
21 de julho de 2017 1:40 amRecomendo
Caro Fabian, recomendo os livros/textos abaixo
ALVES, Márcio Moreira. Beabá dos MEC-USAID. Prefácio de Lauro de Oliveira Lima. Rio de Janeiro: Edições Gernasa, 1968
SAUNDERS, Frances Stonor. Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Record, 2008.
CARVALHO, José Jorge de. Imperialismo Cultural: uma questão silenciada. In: Revista USP, São Paulo (32):66-89, dez.-fev. 1996-97.
Ze Guimarães
20 de julho de 2017 11:14 pmQueda da Monarquia foi erro Colossal
A deposição de Dom Pedro II foi um dos maiores erros já executrados por nossa elite. Dom Pedro II era um governante pró- povo, abolicionista, e na época o Brasil era a maior economia do hemisfério Sul, e mais rico do que os Estados Unidos.
Mas a nossa elite o depôs, pois ficou sentida que sua filha a princesa Isabel, assinou a Lei Áurea. Por uma mesquinharia que era de direito dos escravos afinal o Brasil foi uma das últimas nações a abolir a escravatura, eles arruinaram o futuro do país.
Dom Pedro II quase sempre dava indulto para a pena de morte que havia no Império.
O Grande erro de Dom Pedro II foi tolerar muita liberdade dos jornais impressos, que o atacavam implacavelmente ( isto lembra alguma coisa ?) e que foram os principais autores de sua deposição.
Na época do segundo Reinado, foi o tempo em que o Brasil foi primeiro mundo. A elite depôs do poder um governante honesto e que governava pelo bem do nosso povo e colocou no lugar um bando de vigaristas, que salvo raras exceções estão até hoje no poder, os mesmos grupos. Até hoje estes grupos governam em proveito próprio e contra seu povo.
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RONALDO L GONZAGA
21 de julho de 2017 1:18 amUma nova americanização do Brasil
Legal o texto, enfim depois de vários anos de governo Lula e Dilma apoiados pelo pelos raposas do PMDB que todo mundo junto afundou a economia brasileira e gerou seus 13 milhões de desempregados. Agora a esperança é o golpista vice de Dilma eleito tambpem pelos petistas, com seus projetos amargos e impopulares, que gerem resultados a médio ou longo prazo, na forma de crescimento e empregos. Vai saber.
Fábio de Oliveira Ribeiro
25 de julho de 2017 5:26 pmVocê culpa Dilma Rousseff por
Você culpa Dilma Rousseff por causa do golpe de estado orquestrado por aécio Neves/imprensa/Michel Temer paralizou a economia e levou uma quadrilha de ladrões ao poder.
Sobre a americanização do Brasil você não diz nada.
É evidente, portanto, que você está entre os golpistas ou faz parte daquele seleto grupo de nóias que gostam de chupar a pica do Tio Sam em troca de alguns dólares.
Quando ocorrer a retomada do Brasil pelos brasileiros você terá que fugir meu chapa.
Portanto, vá logo pedindo seu Greenn Card na Embaixada dos EUA. Ha, ha, ha…