3 de junho de 2026

A imortalidade do compositor de frevos Levino Ferreira, por Urariano Mota

Seus frevos de rua se tornaram os maiores do Recife, isso numa terra de gênios da música das multidões nas ruas
Foto de Bernadete Alves

Levino Ferreira, compositor pernambucano nascido em 1890, é reconhecido por seus frevos emblemáticos no Recife.
Em 1950, Levino foi dado como morto, mas despertou no caixão devido à catalepsia, causando pânico na cidade.
Após o episódio, compôs o frevo “Último Dia”, simbolizando sua imortalidade artística e legado cultural.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A imortalidade do compositor de frevos Levino Ferreira *

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por Urariano Mota

Nascido na cidade pernambucana de Bom Jardim, em dois de dezembro de 1890, Levino Ferreira da Silva já era imortal antes do acontecimento que vou narrar. Seus frevos de rua se tornaram os maiores do Recife, isso numa terra de gênios da música das multidões nas ruas, como Nelson Ferreira, Maestro Nunes, Zumba, Lídio Macacão…. toda uma geração de ouro da música instrumental de Pernambuco.

Sem muita pesquisa, lembramos “Mexe com tudo”

Frevo – Mexe com tudo (Levino Ferreira) – Arranjo: Spok Frevo Orquestra #frevo #carnaval #musica

Lágrimas de Folião

Lágrimas de Folião

E tantos, que não se encontram registrados no YouTube, apesar da ilusória crença de que a Internet tem tudo. Mas Mestre Levino Ferreira é maior que toda Inteligência Artificial. E devemos seguir agora para a sua mais incrível imortalidade.

Conta-se que em 1950, espalhou-se no Recife a triste notícia de que o genial maestro havia morrido. Veio gente de todos os bairros da cidade e de outras cidades também. Água Fria, Cajueiro, Beberibe, Cordeiro, Fundão, Campo Grande, Arruda, Encruzilhada, João Pessoa e Salvador. O desassossego e desconforto eram sem medida e universais. O problema, ou melhor, a maior solução da tragédia, foi que na altura ou na descida cruel quando o caixão do maestro se dirigia para o cemitério, o que aconteceu? O maestro levantou a tampa, sentou-se no caixão, e com a cara mais simples do mundo notou que estava entre flores. Que foram ao chão, segundo alguns frios, valentes e gélidos espectadores. Era inexplicável aquela ressurreição! Mas uma coisa do outro mundo? Não. O que aconteceu: o maestro havia sido vítima do mal que chamam de catalepsia, a doença em que o indivíduo apresenta sinais de morto e fica com a respiração imperceptível. Então houve o pânico. Foi gente correndo para todos os lados, menos para o caixão. Contam que até hoje existem pessoas correndo por Água Fria, Arruda, Encruzilhada e sertão do São Francisco.

O mais fecundo, de todas as coisas entre o céu e a terra, foi que o gênio do maestro, em vez de compor uma história  macabra de Edgard Allan Poe, compôs o seu mais belo frevo, em que pôs o feliz nome de Último Dia. Melhor prova não há da sua imortalidade.

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*Vermelho A imortalidade do compositor de frevos Levino Ferreira – Vermelho

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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Urariano Mota

Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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