4 de junho de 2026

Árvores que não dão frutos, por Luiz Seixas

Manoel de Barros e meu pai foram almas gêmeas.

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Na adolescência fui um grande assassino de passarinhos, com estilingue e armas de fogo. Hoje me arrependo mas não me recrimino: eu e os lenhadores, fazendeiros, caçadores e pescadores dos anos 1950 achávamos que as árvores que não dão frutos e os animais que não tinham préstimo eram pragas e nunca iriam acabar. Até os anos 1960 e além (até hoje na Amazônia e em tantos outros lugares) a mentalidade em vigor era a mesma do século XIX. Os livros que eu lia nessa época também. Só meu pai, analfabeto funcional, defendia essas plantas e pássaros com unhas e dentes: nunca me deu dinheiro para munição, não podia ver meus estilingues e armas de caça, não permitia que arrancassem folhas ou galhos de qualquer planta. Sempre furioso comigo e os outros vândalos da natureza. Deus o tenha.

Manoel de Barros e meu pai foram almas gêmeas. Meu pai só escrevia o próprio nome, mas o Manoel escreveu pelos dois o que ambos sentiam, do jeitinho que era.

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Carolina Seixas

    9 de agosto de 2015 10:34 pm

    Deus o tem. Ele deixou seu

    Deus o tem. Ele deixou seu primogênito com seu nome para continuar esse legado.

    Te amo! 

  2. Helena deBrito

    10 de agosto de 2015 11:23 am

    Que Lindo!!!!
     

    Que Lindo!!!!

     

  3. Odonir Oliveira

    10 de agosto de 2015 11:57 am

    Muito lindo lembrar de seu pai e de Manoel de Barros

    credito a este as poesias mais lindas que já li/vi

    É dificílimo ser simples, óbvio e lírico ao mesmo tempo.

    I P- Idade dos Passarinhos, por conseguinte.

  4. Ze Guimarães

    10 de agosto de 2015 11:24 pm

    Eliminar as “pragas”

    Este pensamento de eliminar as “pragas”, ou seja, tudo o que não servia ao sistema, vem de longe. Os europeus trouxeram esta mentalidade tacanha e a espalharam pelo mundo. Eliminaram dezenas de milhões de indígenas por que “não tinham finalidade”. Eliminaram e eliminam florestas, pois tudo o que a mente pequena do capitalista não consegue compreender para que serve, ele elimina.

    Era o “nós” contra o “eles”. Eram as cruzadas. Sob a desculpa de eliminar os indígenas por que “não eram cristãos”; eliminar animais silvestres “por que não tem finalidade”;eliminar florestas “porque não dá lucro”; escravizar povos “por que eles não tem alma”, para o europeu, só o europeu tinha alma e direitos de viver.

    Movidos por este mesmo pensamento, nossa “elite” quer eliminar o PT, os programas sociais, o INSS, e tudo o mais  que eles não entendem “para que serve”.

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