Eleições 2020, por Rui Daher

Se não conhecemos a formação econômica de nossos povos, estamos condenados a pensar sobre jabuticabas e lhamas.

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Eleições 2020, por Rui Daher

Neste fatídico ano de 2020, vivo fosse (novembro, 2004), o economista e pensador brasileiro, Celso Furtado, teria completado um século de vida. Faz falta, mas não mereceria ver a destruição que, hoje em dia, o Regente Insano Primeiro (RIP), clã, acólitos e apoiadores promovem no Brasil.

Entre os apoiadores, certamente, leitoras e leitores verão um suposto Centrão que não passa do secular “Direitão”.

Lembro dele, sorridente, logo após a vitória de Lula, em 2003, ao lado de Maria da Conceição Tavares (ó Maria Portuguesa, onde andas?) a receber o presidente do Brasil, que comungaria seus ideais de desenvolvimento.

Folheio “A Economia Latino-Americana” (Companhia Editora Nacional, SP, 1976, que Celso dedicou aos seus alunos da Universidade de Paris). Procuro os trechos que sublinhei ou comentei, como ousado estudante nos barracões do curso de Ciências Sociais, na USP.

O que encontro? Tudo o que a América Latina subjugada sofre e que o Brasil perdeu em quatro décadas de equívocos econômicos, do que parcialmente excluo o período militar e o de Lula, até o golpe imposto a Dilma.

Se não conhecemos a formação econômica de nossos povos, estamos condenados a pensar sobre jabuticabas e lhamas.

Os EUA precisaram que um francês viesse cumprir a tarefa, Alexis de Tocqueville (1805-1859), em “Democracia na América” (mesma editora, SP, 1969).

Ora, dirão vocês, blogueiro menor, se atualize. Responderei: antes de enfurnar um robalo (apud Ivan Lessa), vão aos fundamentos, meus caros fraseadores de duas linhas. Ler não mata. Milicianos e economistas neoliberais, sim.

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Traz-me aqui comentar sobre frondosa jabuticabeira brasileira, troncos infestados de frutos saborosos. As eleições para prefeitos, seus resultados e o comportamento dos partidos de esquerda (?), nos antes, durante e, já, no depois dos resultados.

Deu-se o esperado, não? Todos os agentes influenciadores, sabem quais, vieram trabalhando para mostrar uma polarização de extremos, díspares brutalmente, entre prioritária inserção social de um lado e fascismo inapto e criminoso, de outro.

Sim, eu, neste GGN, CartaCapital, e sei lá mais quem abrimos voto no PSOL, de Guilherme Boulos e Luiza Erundina. Uma chapa das mais bem formadas do Brasil recente. Inteligência, proximidade dos movimentos sociais, empatia “Emicida”, competências atuais e passadas.

Perdemos para o tucanato tradicional, provinciano, paroquial, que faz os tentáculos dos guetos de luxo se espalharem até beirarem a verdadeira periferia. Aquela da miséria, nunca vista ou assistida pelo PSDB.

Pelas reações de hoje, um dia pós-eleição, nas redes sociais, percebo que suposta adesão de petistas a Bruno Covas, se confirma como verdade. Parabéns à nossa jabuticabeira, a caminho da morte.

Só ciúmes? Burro, não? Na América Latina, acepção de Celso Furtado, se percebe inconstante gangorra. Na Federação de Corporações, não mais.

A chapa 50, em São Paulo, como bem escreveu Vladimir Safatle, poderia ser o início da corrosão bolsonarista para 2022. Perdemos.

Hoje, notei petistas querendo reconstruir um partido, que nos últimos anos nada vez para se aproximar das periferias e movimentos sociais, relativizando o PSOL e querendo crescer sobre um caixão de anjinho, em desabalo total.

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Tomem tino. Façam-se melhores que volto. Se não, esquecerei o PT e serei PSOL até o fim dos poucos anos de vida pela frente.

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