Excelentíssimo Senhor Presidente, por Rui Daher

Como vocês aí sabem de tudo o que se passa aqui na Terra, dispenso relatar atrocidades. Para elas, aumentei a carga justiceira do Harmônica.

Excelentíssimo Senhor Presidente, por Rui Daher

Um título maroto, né? Mas não devo ter conseguido enganar aos que me conhecem ou dão-me a honra da leitura (poucos). Nunca assim respeitosamente eu iria me dirigir ao Regente Insano Primeiro (RIP).

Emocionado, saudoso, e mais, apaixonado, escrevo para Darcy Ribeiro, presidente do Conselho Celestial do Dominó de Botequim, “abençoado por Deus e bonito por natureza”, como este Brasil tropical, outrora também abençoado e, hoje em dia, não mais.

À carta.

Querido Presidente Darcy,

Antes de qualquer lamúria ou loa, transmita exalações de amor à nossa egrégia Diretoria: Ariano Suassuna (Vice-Presidente); Dr. Walther (Diretor Financeiro); Melodia e Beth (Shows e Eventos Celestes); Alfredinho Bip-Bip (Negociações com as Estações Purgatório e Inferno); Don Diego (Venda de Graças Divinas para o Mercosul).

Como vocês aí sabem de tudo o que se passa aqui na Terra, dispenso relatar atrocidades. Para elas, aumentei a carga justiceira do Harmônica. Foi bem ele com o deputado brutamonte, menosprezado até pelo Fux, imagine se não o seria por mim, pois também esqueci o nome do facínora.

Por falar em facínoras, Darcy, vocês perceberam como nosso assassino serial abrandou seus métodos. De minha parte, preferia a forma como ele atuava no passado. Creio, porém, que o Todo Poderoso, na minha hora, não permitiria que eu me juntasse a vocês, anjinhos.

Ah, mas quanto prazer naquelas degolas, enforcamentos, olhos furados, intromissões espirituais em Adélio e que tais. E olha que o pasto tá propício. Um deles, que manda “passar a boiada”, pedirei como presente de aniversário ao Harmônica.

Estivemos afastados por um tempo, presidente. Creio que até vocês ficaram apavorados com o novo coronavírus – vai que gruda até em quem já foi para o além – e nunca mais apareceram na Redação. Justamente agora, que Nestor (N), Pestana (P) e Keveraldo (K), perderam o medo de assombrações.

Acho que não contei a vocês. Com o excesso de pautas que Mr. Mark Zuckerberg pede ao N&P, no Facebook, senti-me sobrecarregado e, diante da evolução redacional do segurança Everaldo, o promovi ao jornalismo, sem abandonar nossa proteção, que as milícias estão cada vez mais agressivas e armadas.

Explico, como ele a mim se justificou, a troca de nome para Keveraldo: homenagem aos meus 45 anos na agricultura. Ficaria assim a trinca N, P, K, respectivamente, nitrogênio, fósforo e potássio. Achei meio maluco, mas agradeci.

Outra nova. A Redação ganhou da editora Lourdes cortinas novas. Bem, nem tão novas, de segunda mão, ainda assim melhores que as aqui mantidas por 15 anos.

Caro, presidente, fez-me escrever esta missiva, o documentário que revi hoje, no canal Curta, TV por assinatura, “Darcy, um brasileiro”.

Seus pensamentos, escritos, trabalhos como antropólogo. Suas obras no Rio de Janeiro, junto a Leonel Brizola, gênio da política brasileira. Museus. Quando em Brasília a UnB. O arquiteto Oscar Niemayer sempre a seu lado. Não esqueceram São Paulo e o Memorial da América Latina.

Como precisamos lamentar a Educação brasileira sem você para orientá-la. O conceito de CIEP, que trouxe de Anísio Teixeira e se utilizou do hoje vilipendiado Paulo Freire.   

Não serei spoiler. Se não leram seus livros, sugiro assistirem ao documentário.

Uma única frase sua, presidente:

“Termino esta minha vida já exausto de viver, mas querendo mais vida, mais amor, mais saber, mais travessuras.”

Como eu quero terminar.

Inté.

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