Filinto Müller e o Brasil atual, por Rui Daher

Não conheço, pessoalmente, quem me processa (nem quero), mas sei de seu passado empresarial e de suas atividades políticas e em cargos públicos. Isto me fez ser seu crítico. Seu nome? Nada importa.

Filinto Müller e o Brasil atual, por Rui Daher

Sim, estive afastado das telas na última semana. A mais recente aparição foi em CartaCapital.

Além do trabalho em andanças agropecuárias, passei os primeiros dias de fevereiro, da festa de Iemanjá, em Salvador, Bahia, até a noite do Oscar, quando Petras Costa, já boicotada pela mídia brasileira, não será vencedora, concentrado na entrega da minha defesa, no prazo, por jovens e competentes advogadas, arrolando nomes de testemunhas contra a a peça viciada que atenta contra minha liberdade de expressão.

Nas democracias, sempre que alguém se lança a um cargo político e público deveria conhecer a Carta Magna de seu país, pelo menos em seu caput:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade […]”.

Não conheço, pessoalmente, quem me processa (nem quero), mas sei de seu passado empresarial e de suas atividades políticas e em cargos públicos. Isto me fez ser seu crítico. Seu nome? Nada importa. Vocês, poucos leitores, saberão a quem me refiro.

Não o temo. Apenas me incomoda ver nação tão promissora, hoje em dia, em mãos tão, digamos, despreparadas e inseguras, e a facilidade que o Acordo Secular de Elites tem de obnubilar a consciência de milhões de pessoas. Desde intelectuais preguiçosos à classe média que não percebe ter-se alaranjado, diante das falácias do tripé mercado rentista, judiciário e mídia.

Mas e os pobres, pequeno colunista? Penso. Quem? Os pobres? Outrora, citaria Olavo Bilac (1865-1918), “Ora, direis, ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso”. Agora, não mais. E se as estrelas forem quem, atualmente, estropia as música e literatura brasileiras?

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Os pobres vejo como sempre foram. Manadas caminhando em círculos, esperando a salvação de Deus e a Ele agradecendo. Não importa a seita.

O tétrico de um domingo chuvoso, como acredito terem sido os últimos trinta, me remete a Filinto Strubing Müller (1900-1973), morto num desastre aéreo, em Orly, Paris.

Foi o fim do irado assassino, torturador e fascista. Pena que também de muita gente boa, num dos mais dramáticos acidentes aéreos da aviação internacional, voo Varig 820. Incêndio no banheiro da aeronave, uma bituca, não Milton Nascimento. Na época, era permitido fumar em aviões. O pouso de emergência resultou em 123 mortes, com apenas 11 sobreviventes (10 tripulantes e 1 passageiro; vale a pena ler seu depoimento na internet).

Um ano antes, em Nova Délhi, havíamos perdido a diva Leila Diniz, Em Orly, perderíamos o cantor Agostinho dos Santos, até hoje, quem melhor cantou “Estrada do Sol”, de Tom Jobim, e jornalistas como Júlio Delamare e Scavone, mais tarde substituídos por Galvão Bueno.

Eram anos trevosos, como os de hoje.

A história registra Müller como um fascista assassino, provavelmente, defendido pelo Regente Insano Primeiro (RIP), da mesma forma como fez a Brilhante (?) Ustra.

Não. Oficial formado na Militar de Realengo, foi chefe de polícia na ditadura Vargas. Desconheço se, pelo telefone, avisou Donga sobre a roleta. Acho que, então, apenas germinava seu ódio de serpente.

Promoveu prisões arbitrárias, tortura de prisioneiros, e ganhou notoriedade internacional no caso da prisão da judia alemã Olga Benário, militante comunista e companheira do herói Prestes, à época grávida, deportada para a Alemanha, e lá executada em Bernburg, em 1942.

Em sua homenagem no bairro da Lagoa no Estado do Rio de Janeiro se encontra uma praça com o nome Senador Filinto Muller.

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E mais não digo. Inté.

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