Harmônica espera a Primavera, por Rui Daher

Sua sede de vingança com matança cresce a cada dia. Tento segurá-lo, mas está difícil. Seu arsenal cresce a cada dia.

Harmônica espera a Primavera, por Rui Daher

Meu Deus, valente Papa Francisco, Cabo Daciolo, editores, como está difícil! Mais do que
encontrar uma baleia jubarte no Rio de Piracicaba, onde estarei esta semana.
Não, não me refiro ao Regente Insano Primeiro, filhos herdeiros e séquito. Isso,
vocês já sabem, penam, ou escondem de vergonha.

Refiro-me a Harmônica. Sua sede de vingança com matança cresce a cada dia. Tento segurá-lo, mas está difícil. Seu arsenal cresce a cada dia. Lâminas afiadíssimas, cordas
cortantes para gargantas altissonantes, fuzis e revólveres. Outro dia,
mostrou-me uma besta (não quem podem estar pensando). É aquela arma que
arremessa flechas mortíferas. Como nos filmes epopeicos.

De verdade, preocupei-me quando, alegre, pediu-me que admirasse um míssil e um drone.
Chamei Nestor, Pestana (N&P, no Facebook) e Everaldo para a Redação do BRD
(Blog do Rui Daher) e que, pelo menos, um membro do Conselho Consultivo
Celestial do “Dominó de Botequim”.

Desceu Alfredinho Bip-Bip. Não poderia ser mais inconveniente. O incendiário do bar de
Copacabana.

– Alfredo, sozinho não. Traga a Beth Carvalho para equilibrar.

– Porra, Rui. Tá pior que um filho ou filha do Weintraub com a Damares.

– Cara, nem penso no rebento, mas na transa de fabricação.

A Redação e o céu choraram de rir. Rolaram versões hilárias. A melhor achei uma de Everaldo sobre certo número menor que a centena. Esse segurança é mesmo invertido.

Harmônica aparentava calma. Sentou-se na poltrona de tecido puído da Redação, mas suas
pernas balançavam freneticamente. Fixou o olhar em Nestor. Sabe que ele o apoia
para a ação. Olhei para o jornalista negro e grisalho e pisquei. Comecei a
preleção.

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– Harmônica, meu amigo, o seu sentimento é o mesmo que o nosso. Até pode ser que ao final a solução única seja a sua: muito sangue. Mas não podemos nos precipitar.

Ele levanta e começa a andar em passos rápidos. Ruge algumas palavras incompreensíveis.

– Rui, com todo o respeito, vai pra puta que o pariu. Que esquerda é essa que não enxerga
o risco que o Brasil está correndo? Os caras fazem tudo o que querem. Temas que
demoravam anos em discussão, eles promulgam de imediato. É arrasar a Amazônia,
vender todas as estatais, tirar grande parte de direitos e programas sociais,
mudar leis estabelecidas há décadas, tudo pela cabeça de uma quadrilha que
prendeu, sem provas e ilegalmente, Lula para que ele não se elegesse.

– Calma, Harmônica, todos concordamos, mas …

– Mas é o caralho! Parecem os adversativos da Folha, que a toda hora que dá merda para o
lado deles, trazem delações daqueles salafrários da OAS e o Palocci. Reajam,
pô. Vão à luta! Com mortes! Esperam o quê? Huck, Doriana, a reeleição do
insano? Querem conhecer a minha lista de mortes para o mês de outubro?

– Não, Har. É perigoso.

– Eu quero!

Surpreendentemente, é Beth Carvalho que se manifesta. Olho para ela, reprovando-a.

– Em nome da Mangueira, do Cacique de Ramos, do Botafogo e do Partido Comunista, eu quero! Algum problema, Ruizinho?

– Jeito nenhum, mas as ações podem ficar para quando a primavera chegar?

– Tá. Em 23 de setembro estaremos aqui para planejar o cronograma da matança.

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– Obrigado, Har.

 

 

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