
Navegando para Gaza?
por Izaías Almada
Com o silêncio e a covardia oficial de muitos países e até mesmo da ONU, muitas embarcações – por iniciativas humanitárias – estão se dirigindo para Gaza a partir de portos do Mediterrâneo.
Organizada pela sociedade civil, de forma pacífica e civilizada, são dezenas de barcos que carregam remédios, alimentação e, mais do que isso, uma enorme carga de esperança e de humanismo para fazer frente ao genocídio praticado pelo Estado de Israel, Estado esse que deveria ter aprendido com a Segunda Guerra Mundial sobre dor e sofrimento, mas ao que parece dá as costas ao que se passou nos criminosos campos de concentração nazistas…
Tinha eu escrito os dois parágrafos acima quando leio a notícia de que a flotilha regressou a Barcelona por causa de uma forte tempestade. Seria esse o verdadeiro motivo?
Curioso, acessei o Google para procurar notícias sobre o destino da Flotilha e encontrei, entre outras notícias, essa abaixo assinada pela redação da Revista Movimento:
Terroristas’: Ben-Gvir planeja tratar ativistas da Flotilha para Gaza como criminosos
Plano do ministro da Segurança israelense prevê prisões em condições degradantes e confisco de navios de solidariedade internacional rumo a Gaza
Redação da Revista Movimento 2 set 2025, 11:15
O governo de extrema direita de Benjamin Netanyahu, sob a condução do ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, traça um plano brutal para reprimir a maior flotilha humanitária já organizada rumo a Gaza. Com mais de 200 ativistas de 44 países – entre eles a ativista climática Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila e os companheiros do MES/PSOL Gabi Tolotti, Mariana Conti e Nicolas Calabrese – a expedição denuncia o bloqueio imposto contra o povo palestino e busca romper o cerco militar.
Em vez de diálogo ou reconhecimento da legitimidade da ação humanitária, Ben-Gvir pressiona por uma estratégia de vingança e dissuasão: prender os participantes em condições reservadas a acusados de terrorismo, sem acesso a rádio, televisão, refeições dignas e em regime prolongado de encarceramento. Mulheres seriam levadas à prisão de Damon, e homens a Ktzi’ot, tristemente conhecidas pelo tratamento degradante a presos palestinos.
Além disso, Israel cogita confiscar os navios da Flotilha e convertê-los em embarcações policiais, militarizando ainda mais o controle marítimo e criminalizando a solidariedade internacional. Fontes próximas a Ben-Gvir chegaram a declarar que, após semanas nessas prisões, “eles vão se arrepender do dia em que chegaram aqui. Precisamos eliminar o apetite por uma nova tentativa”.
Enquanto Netanyahu e seu chanceler Gideon Sa’ar celebram o que chamam de “gestão diplomática” do episódio anterior com Greta Thunberg, a verdade é que o plano em discussão representa mais uma escalada de violência e repressão contra aqueles que ousam desafiar o apartheid israelense.
E por último uma notícia do Festival de Veneza:
Por Crispian Balmer
VENEZA (Reuters) – As súplicas finais angustiadas de uma menina palestina de cinco anos de idade, presa em um carro sob fogo israelense, são recontadas em “The Voice of Hind Rajab”, filme que estreou no Festival de Cinema de Veneza na quarta-feira.
“A história de Hind carrega o peso de um povo inteiro”, disse uma das atrizes, Saja Kilani, aos repórteres em uma declaração que ela leu em nome de todo o elenco e da equipe.
O drama da vida real se concentra nos operadores telefônicos da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino que tentaram por horas tranquilizar Hind Rajab, que estava presa, enquanto ela implorava para ser resgatada do carro, onde sua tia, seu tio e três primos já estavam mortos.
“Estou com muito medo, por favor, venha”, diz a menina, com as gravações originais de suas chamadas cada vez mais desesperadas tendo um efeito poderoso ao longo do filme.
“A verdadeira questão é: como deixamos uma criança implorar pela vida? Ninguém pode viver em paz enquanto uma criança for forçada a implorar por sua sobrevivência… Que a voz de Hind Rajab ecoe pelo mundo”, afirmou Kilani.
APLAUDIDO DE PÉ
O filme foi aplaudido de pé em sua exibição para a imprensa antes da estréia, em uma cena rara, o que sugere que ele pode ser o favorito do público para ganhar o prestigioso prêmio Leão de Ouro, que será entregue em 6 de setembro.
O filme também atraiu alguns dos principais nomes de Hollywood como produtores executivos, o que lhe confere mais peso no setor, incluindo os atores Brad Pitt, Joaquin Phoenix e Rooney Mara.
A diretora tunisiana Kaouther Ben Hania, que também escreveu o roteiro, disse que a voz de Hind transcendeu uma única tragédia.
“Quando ouvi a voz de Hind pela primeira vez, havia algo mais do que a voz dela. Era a própria voz de Gaza pedindo ajuda… Foi a raiva e a impotência que deram origem a esse filme”, declarou ela aos repórteres.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
Deixe um comentário