“O Monarco meu e o monarca teu”, por Rui Daher

Soube que antes de o Brasil ter sido declarado República, em 1889, foi uma monarquia constitucional, parlamentar, representativa ... e com fortes resquícios lusitanos.

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“O Monarco meu e o monarca teu”, por Rui Daher

Recentemente, tornei-me monarquista. Nada posso dizer presencial de anos anteriores ao de meu nascimento, 1945. Mas aproveitei os quase oito meses de enfermidade para ler alguma coisa.

Para este texto, fui de excertos do livro. “História Geral da Civilização Brasileira” (Editora DIFEL, 1981, 6ª edição). São 10 volumes, divididos em três tomos (A Época Colonial, O Brasil Monárquico, O Brasil Republicano) organizados por Sérgio Buarque de Holanda e a luxuosa ajuda de Aziz Ab’Saber, Florestan Fernandes, entre outros, sendo sete deles uspianos.

Cobrem desde os antecedentes ao Descobrimento até 1964. Entendo. Por que gastar tempo e papel com a desgraceira em que até hoje estamos?

Soube que antes de o Brasil ter sido declarado República, em 1889, foi uma monarquia constitucional, parlamentar, representativa … e com fortes resquícios lusitanos.

Em setembro de 1822, os portugueses a travestiram em brasileira, com uma ameaça: “independência ou morte”. Conceitualmente, não há relatos de uma coisa ou outra. Nem se sabe muito bem os sujeitos das ameaças, se conterrâneos ou gajos. No momento, não havia adversários presentes.

Oito meses antes, janeiro, houve apenas um fica não fica do teimoso imperador português. Acreditou no futuro, e acabou ficando.

Minha fonte afirma que nos 67 anos seguintes não tivemos graves escaramuças ou ternuras que fossem fora das alcovas de casas-grandes e senzalas.

Nem tive a sorte de sobreviver (até aqui) e tornar-me historiador, caso contrário esforçar-me-ia ao profundo dos eventos. Por enquanto, fico no cansativo e galhofeiro cronista de sempre.

De qualquer forma e, aí sim, sugiro que se ilustrem e exercitem a comparação entre esses 521 (2?) anos desde que um indígena, pelado à beira-mar, intuía os cantos de um certo baiano Dorival até atual militar, que se diz monarca, e eu o prefiro RIP, Regente Insano Primeiro, balbuciasse sandices em jet-ski.

Suas façanhas são diárias, conforme relatam as folhas e telas cotidianas, provavelmente, sem recursos para acompanhá-las hora a hora. Deixo-o, então, com vocês, convictos, arrependidos e “não souberam responder”.

O meu monarquismo se transmuta em devoção pelo carioca Hildmar Diniz, o Monarco, cantor e compositor, presidente de honra da Escola de Samba Portela, nascido em 17 de agosto de 1933 (gênios nascem em datas assim – eu sou do 16) e falecido na mesma cidade maravilhosa, em 11 de dezembro de 2021.

Ao contrário do monarca de vocês, o verdadeiro Monarco era filho de um marceneiro e pisou bairros, morros e subúrbios cariocas, deixando-nos alegria, cultura, coragem e bens comunitários diversos.

Nova Iguaçu e Oswaldo Cruz sabem dele. A rainha Beth, quando canta Ramos, sabe dele.

Em 1999 a cantora Marisa Monte convidou Monarco e a Velha Guarda da Portela para o CD Tudo Azul, de sua produção, que contou com participação de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

Viveu 88 anos para nos legar sambas, álbuns, shows e o primoroso documentário “Mistério do Samba” (2008), dirigido por Lula Buarque e Carolina Jabor e produzido por Marisa Monte.

Quem mora no Rio de Janeiro pode visitar o agora rebatizado Parque Madureira Mestre Monarco.

Quem mora no Rio de Janeiro pode visitar um condomínio na Barra da Tijuca e viver um circo de horrores.

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