Por Miguel Javaral
Pessoas,
infelizmente não tive tempo de ler toda a discussão, exatamente porque no momento estou no processo de redigir minha dissertação que trata, entre outros temas, exatamente da questão das relações entre pensamento cultural e eugenia nas primeiras décadas do séc. XX. (Meu trabalho é sobre o periódico modernista de Belo Horizonte Leite Criôlo).
O fato é que o pensamento eugenista, ainda que com contornos locais, penetrou profundamente no pensamento sobre a nação brasileira naquele momento. O interesse de Monteiro Lobato pela eugenia, que depois foi de certa forma atenuado pela sua ênfase no higienismo, decorre exatamente de seu sincero nacionalismo. E ele não era, de forma nenhuma, excessão.
Sobre o tema recomendo os livros A hora da eugenia de Nancy Stepan, Revista do Brasil: um diagnóstico para a (N)ação de Tania de Luca (sobre a importante revista editada pelo Monteiro Lobato) e Diploma de brancura de Jerry Dávila. Sei que a questão tem viés emocional, já que muitos de nós cresceram cercados pela literatura infantil de alta qualidade do criador do Sítio do Pica-pau Amarelo (sem prestar muita atenção em qualquer estereótipo racista que por ventura ali se apresentasse), mas acho que a esfera pública brasileira precisa discutir a sério a presença de uma herança racialista no seu patrimônio de alta cultura.
Não tenho a menor idéia do que fazer sobre a questão prática invocada, inclusive porque não trabalho e nem entendo de educação infantil. Mas é indiscutível que a questão é séria e precisa ser tratada como tal.
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