Chico Buarque, 80 anos!, por Rômulo Moreira

Teve a coragem cívica de enfrentar a ditadura militar e os tempos autoritários de Bolsonaro. Fê-lo com as armas das quais dispunha.

Leo Aversa – Divulgação

Chico Buarque, 80 anos!

por Rômulo de Andrade Moreira

Hoje, 19 de junho, Chico Buarque completa 80 anos, e um bem enorme à Música Popular Brasileira, e para a literatura brasileira também.

Ele não tem um vozeirão, mas ninguém canta Chico como Chico. E nunca haverá alguém que o faça. Um seu show é algo indescritivelmente belo. Ele é um artista inigualável, um homem com uma sensibilidade à flor da pele.

“O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá…”

Um intérprete de suas próprias canções como poucos existem! E canta as mulheres como se fosse uma delas. Canta um homem apaixonado com uma tal beleza difícil de acreditar que seja possível amar tanto assim. Canta o amor:

“Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita…”

Mas ele canta também a prostituta, o travesti, o operário, o pobre, o excluído, o pivete, o bandido, a polícia, os amantes, as amantes, o guri…

“Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar…”

Ele canta o Brasil, o Rio, as escolas de samba, o carnaval, o cotidiano, as cidades… Tudo que ele escreve é maravilhoso. Chico é imprescindível para o Brasil e para a nossa cultura, porque ele é o máximo! Teve a coragem cívica de enfrentar a ditadura militar e os tempos autoritários de Bolsonaro. Fê-lo com as armas das quais dispunha. E de que forma mais bonita ele o fez. Custou-lhe um cale-se!, e o exílio:

“Pai, afasta de mim esse cálice, pai
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta…”

Mas na Itália, ainda que triste, continuou compondo lindamente. E fez coisas belíssimas.

Chico, definitivamente, é o máximo! Quase uma unanimidade nacional… Um grande escritor brasileiro também, e poderia estar na Academia Brasileira de Letras. Há uma cadeira ali para ele.

Chico também é um grande cidadão brasileiro: digno e engajado; corajoso e preocupado com as nossas coisas, com o nosso povo e com o nosso destino. E também é um grande amigo e parceiro: fiel e solidário; amável, afável e generoso. E tem um grande senso de humor: é divertido, alegre e brincalhão.

E gosta de futebol, e joga bem! O seu time é o Fluminense. Mas tem também o Politheama, o time que nunca perdeu:

“Politheama, Politheama
O povo clama por você
Politheama, Politheama
Cultiva a fama de não perder…”

Ah! Chico, se todos fossem iguais a você, que bom seria.

Rômulo de Andrade Moreira, Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e Professor de Direito Processual Penal da Universidade Salvador – UNIFACS.

1 Comentário

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  1. Chico é único. É tão nosso, que nos damos o direito de tratá-lo como Chico, apenas. Agradeço todos os dias ser contemporânea desse brasileiro que tanto me ensinou durante todas essas décadas. Se mais nada escrevesse, se nenhum show fizesse mais… pouco importaria, pois continua um Cidadão com letra maiúscula, sempre coerente e do Lado certo. Amo Chico.

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