O cantor e compositor Jards Macalé, nome artístico de Jards Anet da Silva, faleceu nesta segunda-feira (17/11) aos 82 anos, após complicações decorrentes de um enfisema pulmonar e uma parada cardíaca.
A morte de Jards Macalé foi confirmada por sua equipe nas redes sociais, que destacou sua importância como “anjo torto” da música brasileira e citou sua frase: “Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno”.

Trajetória e Carreira
Nascido no Rio de Janeiro em 3 de março de 1943, Macalé começou a se destacar no cenário artístico nos anos 1960, inicialmente como violonista nos espetáculos do Grupo Opinião e como diretor musical de shows de Maria Bethânia.
Sua carreira foi marcada pela experimentação e pela fusão de estilos, como samba, rock, bossa nova e música de vanguarda, o que lhe rendeu o apelido de “anjo torto” da MPB.
Em 1969, Macalé protagonizou um dos momentos mais polêmicos do IV Festival Internacional da Canção ao apresentar “Gotham City”, parceria com José Carlos Capinam, cuja performance provocou intensas reações do público.
Em 1972, lançou seu primeiro LP solo, consolidando sua identidade artística com arranjos ousados e uma estética híbrida. Discos como Aprender a Nadar (1974) e Contrastes (1976) ampliaram ainda mais sua influência.
Apesar de nunca ter buscado o mainstream, Macalé manteve relevância ao longo das décadas, lançando álbuns como Let’s Play That (1983), Quatro Batutas e Um Coringa (1987) e, mais recentemente, Besta Fera (2019), indicado ao Grammy Latino, e Coração Bifurcado (2023).
Parcerias e Influência
Macalé é autor de canções como “Vapor Barato”, “Anjo Exterminado”, “Mal Secreto”, “Movimento dos Barcos”, “Rua Real Grandeza”, “Hotel das Estrelas”, “Poema da Rosa”.
Além de Capinam, Waly Salomão, Duda Machado e Torquato Neto, teve como parceiros musicais importantes nomes como Naná Vasconcelos, Xico Chaves, Jorge Mautner, Glauber Rocha, Abel Silva, Vinícius de Morais, Fausto Nilo e Itamar Assumpção.
Entre os intérpretes de suas canções, estão Gal Costa (“Hotel das Estrelas”, “Mal Secreto” e “Vapor Barato”), Maria Bethânia (“Anjo Exterminado” e “Movimento dos Barcos”), Clara Nunes (“O mais-que-perfeito”), Camisa de Vênus, Os Brazões (ambos com “Gotham City”) e O Rappa (“Vapor Barato”), entre outros.
Embora tenha também parcerias com Gilberto Gil e Caetano Veloso, rompeu com eles por considerar que o tropicalismo havia sido cooptado pela indústria cultural, perdendo a independência – opinião compartilhada por figuras como Hélio Oiticica, autor da obra Tropicália (e indiretamente responsável pelo batismo do movimento), e Glauber Rocha.
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