Um grupo formado por 58 integrantes brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas publicou neste sábado (10) um manifesto em que demonstra apreensão em relação aos rumos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Divulgado originalmente pela revista norte-americana Variety, o texto convoca a comunidade internacional a acompanhar com rigor o processo eleitoral.
Entre os signatários estão os atores Wagner Moura, Alice Braga e Sônia Braga, os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles, Anna Muylaert, Laís Bodanzky, Karim Aïnouz e Petra Costa, além dos produtores Rodrigo Teixeira, Daniel Filho e Lucy Barreto.
O documento faz menção expressa a propostas do candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e manifesta temor quanto a eventuais retrocessos nas diretrizes culturais do país. Para respaldar a preocupação, o grupo relembra as medidas implementadas na gestão de Jair Bolsonaro, pai do parlamentar, período marcado pelo desmantelamento da pasta ministerial do setor, pelo represamento de verbas públicas e pelo enfraquecimento institucional.
“Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário”, diz o texto.
Token eleitoral e recursos internacionais
Além de projetar o impacto nas políticas públicas de cultura, a manifestação traz alertas sobre episódios do pleito corrente. O texto menciona o caso da criptomoeda B22, noticiado pela Folha de S.Paulo, que prometia a distribuição de tokens a usuários encarregados de impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro em redes sociais, sob o argumento suplementar de destinar parte dos fundos a causas assistenciais na África.
Os signatários citam ainda reportagem do jornal britânico The Guardian a respeito de intenções da administração do presidente norte-americano Donald Trump de destinar US$ 1 milhão a organizações de oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investida externa é justificada por seus apoiadores sob a alegação de que a corte brasileira estaria extrapolando prerrogativas constitucionais e promovendo censura no país.
Apelo à comunidade internacional
Na avaliação dos profissionais de cinema, as turbulências locais integram um panorama geopolítico mais amplo de pressões sobre as instituições democráticas na América Latina. Diante desse diagnóstico, o manifesto sustenta que a preservação da estabilidade democrática requer vigilância externa ativa.
“Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional”, destaca o documento.
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