10 de junho de 2026

Nelson Pereira dos Santos, mestre maior do cinema brasileiro, por Marise Berta

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Nelson Pereira dos Santos, mestre maior do cinema brasileiro

por Josias Pires

No último dia 12 de abril a professora Marise Berta pronunciou a aula inaugural para a primeira turma do curso de Cinema e Audiovisual da UNIJORGE, uma faculdade privada de Salvador. Marise Berta é professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos, da Universidade Federal da Bahia (IHAC/UFBA) e fez sua tese de doutorado sobre a obra de Nelson Pereira dos Santos, focando especialmente sua relação com a Bahia, onde o cineasta realizou três filmes: Mandacaru Vermelho(1960/1961), Tenda dos Milagres (1975/1977) e Jubiabá(1985/1987). Escrita na forma de um ABC, daí o título da tese ser “ABC de Nelson do Sertão ao Mar da Bahia ou quem é ateu e viu milagres como eu”, o trabalho aborda a atuação de Nelson Pereira dos Santos e sua posição estratégica na constituição do moderno cinema brasileiro, conformando a figura do artista-intelectual em diálogo com as questões nacionais no âmbito da política e da cultura”.

O que segue abaixo é um resumo esquemático da palestra feita pela professore Marise Berta, cedido especialmente para os leitores do GGN para reverenciar a memória do grande  cineasta falecido neste sábado (21):

por Marise Berta

“Antes de tudo é preciso sublinhar a potência do cinema como fator de transformação sociocultural, por sua habilidade de síntese de diversas formas artísticas e de mediação do cotidiano das culturas. Sendo assim, o cinema é uma verdadeira experiência de vida.

Como exemplo para sintetizar o que teria para dizer a respeito do pensamento sobre cinema e artes no Brasil, tomo o perfil de Nelson Pereira dos Santos.  Se o cinema tem a potência de resumir todas as artes, Nelson Pereira dos Santos é o nosso mestre maior.  Mais longevo cineasta em atividade no país, único cineasta membro da Academia Brasileira de Letras, doutor Honoris Causa de várias universidades, inclusive da UFBA, ao longo dos 90 anos de existência – mais de 60 deles dedicados ao cinema – construiu vasta filmografia, nos campos da ficção e do documentário, sem estabelecer fronteiras entre eles, ficcionando o real e redimensionando o drama. A sua biógrafa, a jornalista Helena Salem, já escreveu que a história de Nelson Pereira dos Santos se confunde com a própria história do cinema brasileiro e do país, nas suas lutas cultural, política e artística. 

A história de Nelson Pereira dos Santos diz respeito a todos os que amam a vida e a liberdade. Resumir essa trajetória é tarefa difícil, faço aqui apenas alguns destaques:

1 –  O cinema de Nelson Pereira dos Santos não teme desafios e tem a sua própria e fascinante história de resistência cultural. Por existirem pensadores como ele é que hoje temos um cinema distinto por seus compromissos com a liberdade de expressão. 

2 – Ao virar o cinema brasileiro de ponta cabeça, ao realizar seu primeiro filme Rio, 40 graus(1955), mostrou a imagem real do brasileiro, pela primeira vez, na tela de forma singela, sensível e digna. 

3 – Revisitou os nossos mais expressivos escritores e formuladores que pensaram o Brasil: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda; 

4 – Destaco também o rejuvenescimento e a atualidade da obra de Nelson Pereira dos Santos, obra viva, pois sua relação com o cinema vem da sua relação com a vida.

5 – Referencio a força e vitalidade desse mestre e convoco vocês a desenvolverem atividade e atitude artística, seguindo a ação, como nos melhores filmes de Nelson, confrontando o imobilismo; e, como ele, seguirem inspirados, delicados, livres, utópicos, inconformistas e felizes para criarem situações artísticas comprometidas com o humano”.

 

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1 Comentário
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  1. Carioca

    23 de abril de 2018 1:35 pm

    As cenas em Vidas Secas ao

    As cenas em Vidas Secas ao som do carro de bois foi uma inovação.

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