4 de junho de 2026

Os 100 anos do batom

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Enviado por Odonir Oliveira

Da Carta Capital

Boquinhas pintadas

O batom faz 100 anos. Mas a mística da sedução pelos lábios é milenar 

Às vezes, um batom é só um batom, poderia ter dito Sigmund Freud a propósito de um acessório das lidas diárias femininas ao qual ele não deu a importância simbólica que dedicou ao igualmente fálico – e masculino – charuto. 

Na verdade, o batom é mais ou menos contemporâneo da psicanálise, pelo menos na forma em que o batom – e a psicanálise – acabaria definitivamente por ter, ao final traumático da belle époque, na reacomodação institucional do primeiro pós-Guerra.

As coquetes e as nem tanto devem a um certo Maurice Levy, industrial americano decosméticos baratos e inventor diletante, a criativa solução do pequeno cilindro de metal de onde, acionado por uma alça lateral, poderia escorregar, para cima e para baixo, o totêmico artefato labial. 

A partir de  1915, o lipstick de Maurice Levy, embelezado com o nome afrancesado debâton, se espalhou mundo afora. Hoje comercializam-se, a cada dia, 3 milhões de unidades da criação de Levy. 

Invento agora centenário para o milenar artifício feminino de reforçar, pela boca, os feitiços da sedução. Como costuma acontecer quando as verdades históricas ficam meio embaçadas pelo tempo, aos sumérios de 5 mil anos atrás atribui-se a prerrogativa do pioneirismo, com o hábito de macerar determinadas pedras coloridas e esfregar o pó nos lábios e em torno dos olhos. 

A palavra sumérios, aí, é genericamente adequada, já que esse povo se entregava ao expediente da decoração pessoal, tanto mulheres quanto guerreiros. No entanto, foi no Egito que os diabólicos acessórios de embelezamento se aperfeiçoaram, muitos séculos antes das atuais séries bíblicas da TV Record. Todo o primeiro escalão dos exércitos invasores de Roma – Júlio César e Marco Antônio incluídos – provou do veneno labial de Cleópatra, que era obtido a partir de uma fórmula em que entravam resinas púrpura de uma árvore e uma substância brilhante encontrada nas escamas de certos peixes do Nilo.  As imagens beiçudas da lendária Nefertiti atestam que as egípcias nobres dominavam com notável eficiência as artimanhas preliminares ao amor. 

Os adornos de lábios se sucederam em altos e baixos, nas idiossincrasias das culturas e no atropelo das civilizações. Imaginem só que o primeiro notável da cosmética foi um mouro, Abu al-Qasim al-Zahrawi, que, na sua Abdalusia da Era Dourada, produziu a primeira pintura bucal de forma sólida – e perfumada. Os islamitas, à época, não se submetiam a tabu algum em relação à beleza e ao erotismo.   

Altos e baixos: a rainha Elizabeth I, solteirona, mas assanhada, inspirou a moda dos lábios vermelhos sobressaindo de uma face tão empoada como a de uma gueixa oriental, mas nessa mesma Inglaterra, tempos depois, em 1770, um membro puritano do Parlamento tentou passar uma lei permitindo a anulação de um casamento se ficasse apurado que a noiva usou cosméticos antes do dia das núpcias.  

Marilyn Monroe explorou o arsenal colorido da boca

Do outro lado do Canal, os franceses, sempre tão expansivos em seus ornamentos corporais, não nutriam maiores constrangimentos em abusar dos matizes bucais – fossem madames oumonsieurs, pedestres ou chevaliers. Não por acaso, daqueles retratos clássicos das supremas cortesãs, tais como a Madame de Pompadour, amante de Luís XV, por François Boucher, ressalta, além do colo audacioso e das bochechas rosadas, a atração imperiosa dos lábios.

“O batom apoderou-se da imaginação feminina mais violentamente do que nenhum outro dispositivo da moda”, escrevia, em 1923, o escritor americano Alexander Black, oito anos após o invento de Maurice Levy desembarcar nas penteadeiras e se disseminar pelos boudoirs. O cinema, que se convertia então no entretenimento das massas, propagou o efeito e, a partir dali, não existe diva em Hollywood – e, por extensão, no show business – que se apresente nas telas e nos palcos sem uma boquita pintada. 

Ainda que os estilos possam naturalmente variar. Há uma elegância intrínseca, categórica em Audrey Hepburn ao retocar o batom dentro de um yellow cab nova-iorquino, mesmo quando ela representa aquela Holly Golightly de reputação duvidosa a caminho de casa, às 5 da manhã (Bonequinha de Luxo/Breakfast at Tiffany’s, de 1961). Na mesma frequência de call girl de luxo, Elizabeth Taylor aproveitou seu batom como arsenal duplo de sedução e revanche, em Butterfield 8 (de 1960, no Brasil O Número do Amor).

As pin-ups de papel e as cover girls de Playboy também não podem passar sem um batonzinho, mas pouca gente sabe manuseá-lo tão bem quanto um rapagão de 1,90 metro, que, aliás, tem um nome feminino: o roqueiro Marilyn Manson. Deve ter aprendido com sua parceira de alcova e de make-up: a estrela do burlesque Dita von Teese. 

O que é estandarte do belo virou arma do trágico na mão de Romy Schneider, estrela decadente  no filme L’important c’est d’aimer, do polonês Andrzej Zulawski (França, 1975). Ali, o batom que alegra é o mesmo batom que exprime a impotência do desespero. 

Romy Schneider em L`important c`est d`aimer, de Andrzej Zulawski (França, 1975)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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13 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    3 de agosto de 2015 3:35 pm

    A atração é tão grande … que é preciso comer o batom !

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=NVHT39CNaj4%5D

    1. Odonir Oliveira

      3 de agosto de 2015 3:36 pm

      This comment has been deleted.

      1. Odonir Oliveira

        3 de agosto de 2015 3:54 pm

        Em Portugal… a coisa pegou: “Marca de batom” (rap)

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=KG48XesYoM4%5D

        1. Odonir Oliveira

          3 de agosto de 2015 4:03 pm

          “LIPSTICK”, de 1976

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=GW2JylYq6Zk%5D

           

          Título no BrasilLipstickTítulo OriginalLipstickAno de Lançamento1976GêneroDrama / SuspensePaís de OrigemEUADuração89 minutosDireção

           

          1. Odonir Oliveira

            3 de agosto de 2015 5:04 pm

            Há quem aconselhe… Será?!

            BATOM VERMELHO

               

                         Nunca falta no estojo de maquiagem de uma mulher um batom vermelho, por mais que ela não use. Por muito tempo eu tive medo de pôr sobre meus lábios esta cor sanguínea, ou porque achasse vulgar, ou porque a considerava ainda mais gritante em cima da minha tez morena. Porém, na primeira vez em que tive coragem de colorir a boca com essa matiz me espantei com a mulher no espelho: era outra. Se mais bela ou atraente eu não sei, mas era outra. E só aí então comecei a compreender a necessidade das mulheres de porem outra face. O batom vermelho é o prisma do rosto porque a boca é a nossa entranha mais bonita e sedutora, além de ser a única que fica a mostra. Podemos enfeitá-la de todas as cores, mas o vermelho é aquele berro de vida que incide paixões – e as mulheres estão sempre a procura delas mesmo se já estiverem apaixonadas.            Certa vez o meu amigo Moisés Chaves falou que uma mulher ao colocar um salto alto, um fio dental e um batom vermelho ela está pronta pra ir pra guerra. E na guerra do amor vale tudo, inclusive emoldurar o sorriso de cores quentes, como se elas refletissem a própria vontade de chegar à frente no coração alheio. Quanta pretensão feminina essa nossa, mas não vos esquecei que como arma é preciso saber usá-la. Há mulheres que colocam o batom vermelho no rosto limpo, sujo de olheiras e poros inflamados, e esta imagem ao invés de tornar-se apreciável assusta, fica um tanto agressiva. Sempre acreditei que maquiagem foi feita da necessidade mais pura da mulher de se sentir bem, e ela pode ser usada em qualquer tempo, humor ou idade. Mas o batom vermelho não, pois há todo um preparo psicológico por trás dessa arma tão perigosa, e não pode ser usado como subterfúgio, por ser difícil tarefa esconder um lábio rubro na multidão, como é fácil perdê-lo no meio dela por tantos que há, réplicas de um mesmo intuito. No entanto, um lábio rubro só deve sê-lo no instante em que a mulher entender que o seu batom vermelho nunca será igual ao batom vermelho de outra, constando aí todas as competitividades nulas das mais belas filhas da natureza. Não há vermelho sem alma, nem batom sem boca. Por Vanessa Teodoro Trajano http://conviteparalervanessatrajano.blogspot.com.br/2014/03/batom-vermelho.html

             

    2. Odonir Oliveira

      3 de agosto de 2015 4:17 pm

      Marcas de batom …

      As mulheres fortes usam batom vermelho

      Limpei as suas digitais por toda casa
      Guardei as suas palavras na gaveta
      (não encontrei seus sorrisos)
      Poli suas abotoaduras
      Dobrei suas gravatas
      Passei e pendurei suas camisas
      Por cor, falta uma!
      A mancha do batom rosa pálido
      Não saiu, deixei de molho…
      Os sapatos estão todos lustrados
      E as calças penduradas com o vinco
      Bem feito, perfeito! Como você gosta
      Varri toda a casa, deixei comida pronta
      No freezer, tentei deixar a chave
      Embaixo do tapete, não foi possível
      As velhas sujeiras estavam todas lá
      Não tinha espaço, não importa! É
      Apenas uma cópia (mande fazer outra)
      Ah! Antes que eu esqueça!
      Deixei os papéis do divórcio em cima
      Da mesa, assine! Entregue ao meu
      Advogado será o nosso contato
      Para resolvermos as cifras do
      Passado, pois o futuro acerca-se
      E quero desfrutá-lo, centavo,
      Por centavo!

      Poema de Sandra Soares

      http://po-de-poesia.blogspot.com.br/2011/05/as-mulheres-fortes-usam-batom-vermelho.html

  2. Odonir Oliveira

    3 de agosto de 2015 3:49 pm

    VOTANDO !

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    8- 

     

     

    9-

     

     

    10- 

     

  3. jns

    3 de agosto de 2015 10:20 pm

    lábios de mel

    Коллекция качественных обоев (часть 71) (32 обоев)

    Fashion Model Girl Red Lips Blue Eyes #02190, Pictures, Photos, HD Wallpapers

    1. Odonir Oliveira

      3 de agosto de 2015 11:22 pm

      Lindos lábios. O que prova que há sedução nos lábios femininos

      com batom.

      Até aquela espécie de macacos – que não lembrarei qual – parece ser atraída pelo colorido de suas partes especiais.

      É… o batom seduz. 

  4. jns

    3 de agosto de 2015 10:26 pm

    Resultado de imagem para red lipstick

    Resultado de imagem para red lipstick

  5. jns

    3 de agosto de 2015 10:34 pm

    Deusa

  6. lucianohortencio

    4 de agosto de 2015 1:18 am

    Belchior

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=notrLPBXm1o%5D

    1. Odonir Oliveira

      4 de agosto de 2015 12:35 pm

      Para Luciano e jns, com um tantinho de receio do ridículo,

      um beijaço de boca vermelha,

      de boca violeta

      de boca cereja

       

      Chega … que é beijaço em demasia !

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