5 de junho de 2026

Os problemas do RJ na visão de um carioca, por Paulo Souza

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Por Paulo Souza

Comentário ao post “O incrível mundo político do Rio de Janeiro

Reflexões de um carioca:
 
Eu nasci no RJ há exatos 57 anos. Eu fui criado na Zona Sul e estudei nos melhores colégios de padres. Depois eu estudei na melhor Faculdade do Brasil na década de 70. Digam o que quiserem, os militares capricharam no Fundão (UFRJ). Em 1977 eu já lidava com computadores de tela… eu me formei de comecei a trabalhar no RJ. Minha profissão (não vou dizer qual é, mas lida com doenças) me obrigou a trabalhar em tudo o que é tipo de lugar e com todo tipo de gente. Trabalhei do subúrbio à Zona Sul. Depois de 10 anos trabalhando como um cavalo e ganhabdo como um burro resolvi emigrar. Não pra Miami, mas pro nosso interior. E lá de longe (e após algums visitas de férias) diagnostiquei (ops, mais uma pista sobre a minha profissão) os problemas do Rio:
 
1) TODO CARIOCA SE SENTE UM NOBRE DA CORTE: o RJ foi fundado em 1565, foi elevado a sede do Império em 1808 e teve uma Corte até 1889. Então o carioca (que não tem um pingo da humildade do nordestino ou do sulista) ainda se acha um súdito. A evidente decadência da cidade (que vem desde 1960, quando a capital foi pra Brasília) não modificou muito esta mentalidade. O carioca acha sinceramente que merece um tratamento especial…

 
2) O CARIOCA É MEIO RACISTA:  O carioca da Zona Sul (uma espécie à parte) ainda é meio escravocrata. Existem inúmeros exemplos do contrário, mas de um modo geral o carioca da ZS só gosta de crioulo pra tocar na bateria do Simpatia é Quase Amor ou no ensaio da sua Escola de Samba. Ah, e no futebol.  Mas fugindo do chavão,  a carioca branco ainda tem muitas dificulades em lidar com seu vizinho de cima (do morro). A relação é de desconfiança. É uma cidade em que mais de 50% da populaçãoé negra ou mestiça mas que ainda tem sérios probemas de relacionamento…
 
3) O CARIOCA É HERDEIRO: Como na casa dos meus pais não havia espaço eu comecei a alugar apartamentos pra passar as férias. Como eu sou coxinha eu alugava apartamentos na ZS. Me impressionou vivamente a quantidade de cariocas que não tem o pau pra matar o gato e mesmo assim tem imóveis em Ipanema, Copacabana etc. Estes imóveis são deles graças a uma hereditarieadade que às vezes vem lá do Império.  E aí o tetraneto herda o imóvel e não tem condções de morar lá. Aí ele aluga o imóvel pra turistas ou vai se engalfinhar em assembléias de condomínio. Eu vi brigas feias num prédio onde aluguei apartamento em Ipanema entre condôminos por causa de taxas de R$ 20,00. Confesso que fiquei com pena de alguns, mas é gente que trabalha pouco/fica na praia ou se submete a subempregos porque sabe que o imóvel será sempre seu. Se o Brasil abolisse o direito de herança (como o PSOL quer) a ZS do Rio iria pegar em armas…
 
4) O CARIOCA NÃO TEVE UMA IMIGRAÇÃO BOA: O RJ foi colonizado pelos portugueses e era a cidade brasileira onde existiam mais escravos (cativos ou forros) em 1888. Dom Pedro II e sua filha Princesa Isabel são frequentemente acusados de prolongar a escravidão até quando não desse mais somente pra lucrar em cima dela. Discordo, porque acho DPII o maior brasileiro de todos os tempos e acha tb que sua filha não ficava atrás até serem derrubados por um monte de milocos ignorantes (uma das provas está aí embaixo):
 
 
O RJ é órfão de DPII (se não o maior brasileiro o maior carioca de todos os tempos) até hoje. Só que o Século XX pegou o RJ totalmente despreparado. Um monte de gente saiu dos campos de colheita e das cidades e veio morar aqui. Os negros eram naturalmente aculturados e analfabetos. A República os tirou dos cortiços do centro da cidade e os colcou nos morros. NADA foi dado pra eles em troca do muito que eles fizeram em 4 ´seculos. E eles continuam lá em cima, ameaçando os cariocas brancos (alguns gostariam de voltar a ter escravos). 
 
Aí vem a enorme diferença. Os fazendeiros do RJ concentraram seus esforços em derrubar o Império. Os outros estados promoveram a imigração. Faltam no RJ os japoneses de SP, os polacos/ucranianos do PR, os italianos de SP/RS/ES, os alemães de SC/RS. Gente que faltou no RJ. O EJ se sentiria menos “Corte” com estes imigrantes. 
 
4) O CARIOCA ADORA TRABALHO, DESDE QUE SEJA EM EMPREGO PÚBLICO: O  Governo Federal se mudou pra Brasília há mais de 50 anos, mas o RJ ainda não conseguiu se desmamar… o carioca adora emprego público. Se for cargo de confiança, melhor. Se for meio-expediente, melhor ainda. Se não tiver controle de ponto então é a perfeição. Como isto é impossível em atividades-fim, o negócio é ir pra atividades-meio. Se for cargo de confiança de político então é um orgasmo. Os outros empregos são terríveis e o carioca tem que passar horas em ônibus pra chegar e voltar do trabalho.
 
5) A SUPERVALORIZAÇÃO DE UMA CULTURA QUE JÁ DEU O QUE TINHA QUE DAR: Escolas de Samba não deveriam ter patrocínio oficial. Isto é só um exemplo…
 
6) O PETRÓLEO DA BACIA DE CAMPOS: Pra quem acha que o Pré-Sal é a remissão do Brasil, vejam o que está acontecendo com o recordista nacional de extração de petróleo. O petróleo hoje não vale muito e a perspectiva é que valha cada vez menos…

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22 Comentários
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  1. Brutus

    28 de dezembro de 2015 10:13 am

    Cidade Maravilhosa
    Este post vale uma tese. Um TCC seria suficiente.
    E o Rio não sai das manchetes.
    Cidade Maravilhosa realmente.
    Que panorâmica!

  2. Carioca

    28 de dezembro de 2015 10:19 am

    PQP! Os paulistas vão ter

    PQP! Os paulistas vão ter orgasmos o ano todo.

    Mais um parágrafo é seria argumento para Minas e São Paulo pedirem anexação para eliminação.

     

  3. W K

    28 de dezembro de 2015 11:38 am

    E é raro se encontrar um carioca que

    tenha migrado para outro estado brasileiro! 

    Em Minas há muitos empresários que não gostam de fazer negócios com gente que “puxa o esse” (chiado: doich, treich, seisch …), porque acredita que vai ser passado para trás. 

     

  4. Alan Souza

    28 de dezembro de 2015 11:42 am

    Eu acrescentaria mais uma

    Essa necessidade patológica que muitos cariocas tem da malandragem – o lance de ser “ishpérrrrtu!”. De achar que o otário mais próximo é o cara que tá ao seu lado. De ser malandro a qualquer custo.

  5. Marcelo33

    28 de dezembro de 2015 11:50 am

    Engraçado um texto que

    Engraçado um texto que critica o Carioca por ser racista (Não digo que não seja) e acaba escorregando no racismo diznndo que o Rio não teve uma imigração boa. 

    Tem muita coisa no texto que concordo, mas o autor não deixa de ter escorregões racistas. Mas acaba sendo interessante que ele em si mesmo confirma boa parte das criticas do texto.

  6. Idiro

    28 de dezembro de 2015 12:06 pm

    Nas minhas visitas ao Rio o

    Nas minhas visitas ao Rio o que achei de diferente foi a maneira bruta com que fui tratado por garçons e motoristas de táxi. Como não ligo pra essas coisas, achei a cidade o máximo.

  7. Andre B

    28 de dezembro de 2015 12:10 pm

    na visão da classe média carioca, não?

    Carioca que sou, acho que esse texto reflete mais a visão da classe média carioca do que a complexidade de uma cidade tão heterogênea como o Rio de Janeiro. O mesmo texto que diz que o carioca é racista, fala que o Rio de Janeiro ‘não teve boa imigração’. O que é ‘boa imigração’, imigração de raças/povos superiores? Tipico da classe média: ‘não sou racista’, mas não perde a oportunidade de fazer comentários racistas no meio da conversa. Tachar o carioca de racista não diz nada sobre a especificadade dos cariocas, pergunte ao negro do Rio Grande do Sul se ‘Os’ gauchos são racistas, ou a um descendente de japoneses, especialmente aos descendentes de casais mistos, se existe racismo em São Paulo e você verá a resposta. A classe média brasileira é racista, hipocritamente racista – como norma, embora alguns individuos da classe média não o sejam.

    A atitude de classe média que se acha aristocrata sendo pequeno burguesa transparece na omissão ao restante do Estado. O comentário é sobre um post que se refere ao Estado do Rio de Janeiro, mas o autor do comentário se atêm a cidade do Rio de JAneiro tomando o resto do Estado como inexistente – coisa de quem acha que a cidade ainda é o centro do Império ou que nasceu na Capital Federal e esqueceu que o Estado da Guanabara já acabou. Acha que ainda é um membro da corte…

    Quanto ao ‘não gostam de trabalhar’ é uma mentira que já foi desfeita por várias pesquisas que mostram a quantidade de horas trabalhadas pelos cariocas. Quem está na praia vendendo sorvete ou bugingangas está trabalhando, a empregada doméstica que desce o morro desce para trabalhar. Mas é claro, a classe média não vê o trabalho precário que impera no Rio de Janeiro como trabalho, mas como ‘vagabundagem’ ou algo que os ‘escravos’ tem que fazer ‘por sua natureza’. Quem procura emprego público é a classe média – e aqui aparece o duplo preconceito da classe média, pois por suposto, o empregado público não trabalha. É a classe média que não gosta de trabalhar porque se acha ‘nobre’ sem o ser e diz que os outros são ‘vagabundos’.

    A cidade do Rio de Janeiro é uma cidade onde os conflitos sociais são muito intensos e abertos, pode se buscar a raiz disso no Império, na Capital Federal, na fusão, na estrutura econômica da cidade e suas transformações. Fazer um estereótipo ‘racistas que não gostam de trabalhar’ fala bastante sobre a classe média brasileira mas não ajuda a explicar nada sobre o Rio de Janeiro, a cidade é bem mais complicada do que isso.

    1. Anna Dutra

      28 de dezembro de 2015 12:58 pm

      André, nem é exatamente da classe média
      Eu sou classe média. E ralo, amigo! Ralo muito !!!!
      Este post é um tanto contraditório.
      Parece que foi escrito sob o sol do meio-dia, na Av. Brasil (já que o autor é carioca). Muito calor. Ficou intenso, mas raso.
      Alguém apontou num comentário anterior: racismo às avessas, teses, TCC, … Acho que é por aí.
      Tudo começou com o AA. Ou seja, com muito conhecimento e um viés próprio, claro.
      Esse foi um comentário elevado a post. Comentário às vezes sai mesmo um pouco truncado.
      Vejo bem pelos meus: às vezes é difícil ser clara, explícita, coerente.
      Boas Festas.

      1. Andre B

        28 de dezembro de 2015 9:11 pm

        Falei de classe e não de individuos!

        Realmente comentários acabam saindo não muito claros. Desculpe se eu soar muito ‘professoral’, mas seu comentário me deu oportunidade de esclarecer o meu.

        Como disse no meu comentário nem todo individuo classificado como classe média por critérios puramente econômicos é racista, e da mesma forma nem todo indivíduo de classe média se acha aristocrata e não gosta de trabalhar. Falo de uma posição, um pensamento de classe e não das ações e pensamentos de cada um dos individuos que pelas estatisticas econômicas seriam enquadrados na ‘classe média’. Individuos não são redutiveis a sua condição (econômica) de classe e classe não é uma coleção de individuos que ganham x, y ou z de renda. A ideologia de classe não é produzida livre e conscientemente por cada um dos individuos de uma classe, ela circula socialmente por meios institucionais, é uma espécie de ‘inconsciente coletivo’.

        Eu que seria estatisticamente classificado como classe média, não me sinto nem um pouco ofendido com criticas a ideologia ou aos hábitos de classe média, pois não me identifico nem um pouco com ela. Mas me sinto ofendido quando o trabalhador que rala no sol da praia do Rio de JAneiro depois de pegar um buzão por horas ou de descer o morro a pé para trabalhar na casa da madame de classe média, é classificado como alguém que ‘não gosta de trabalhar’.

        Bom final de ano.

         

         

  8. Nelson Dias Diebl

    28 de dezembro de 2015 12:35 pm

    O que é trabalho?

    Visão do autor revela um Rio que um carioca sente na pele. Mas Copacabana e Ipanema são mais de um milhão de habitantes. E, portanto muito mais que os participantes de uma reunião de condominio e da meia duzia que vão a praia as 8 horas da manhã. Milhares de trabalhadores comercializam na praia gente simples onde muitos enricaram. Hoje a classe média os copia com o nome de food truks. Lá vem mais exclusão.  Puta que pariu, mas trocar a mestiçagem por polaco, alemão, japonês é no mínimo muito mal gosto e ignorância. Rio tem um parque industrial forte, uma qualidade de comércio que é rara. Mas tem exclusão e racismo  cruel e violento. Rio de Janeiro as cores são fortes e evidentes, não é para amadores.

     

  9. Manumanu

    28 de dezembro de 2015 12:41 pm

    Mas o paulista consegue ser

    Mas o paulista consegue ser pior, como mineiro, e como é notório a maioria prefere o rio a sp.

  10. maria rodrigues

    28 de dezembro de 2015 1:00 pm

    Só tem uma coisinha a reparar

    Só tem uma coisinha a reparar no texto: a humildade do sulista e do nordestino. 

    O que sulista não tem, e exatamente em relação a nordestino, é humildade. Pelo contrário: o sulista, se pudesse, devorava o povo nordestino. Gaúcho, por exemplo, pode viver na maior das merdas, indo ao Nordeste para aproveitar praias que não possui – todas são horríveis -, mas olham o nordstino como seres menores. 

    O carioca é, de fato, meio pretensioso, mas diante do sulista, com certeza, é muito mais solidário, e mais acolhedor. 

    1. MILTON MURILO 43

      28 de dezembro de 2015 1:46 pm

      Só uma coisinha a reparar

      Ê Maria, leva esse cotovelo ao psicólogo . . . .

    2. Ricardo Ag

      28 de dezembro de 2015 3:24 pm

      Nossas praias- as do RS – são

      Nossas praias- as do RS – são realmente horríveis, concordo. Assim como as uruguaias e argentinas. Água fria, escura, revolta, etc.

      Agora dizer que o carioca, sobretudo o de classe mais alta, é mais solidário com o nordestino…..por favor. Está falando sério mesmo? Quer dizer que não há preconceito contra o “paraíba” no RJ? Quer dizer que ninguém culpa a migração nordestina por vários problemas do Rio?

      O texto tem vários pontos discutíveis, mas não é inventando histórias que você vai ataca-las.

      Em tempo: sei bem do preconceito contra o NE existente no RS, mas não vejo como muito diferente do que há no resto do Sul-Sudeste.

  11. Leonardo de Brezzi

    28 de dezembro de 2015 1:04 pm

    Bah! quanta bogagem

    Prezados,

    Não sei porque o Nassif dá corda para esse tipo de post. Qualquer pessoa com mais de 30 anos, que tenha vivido em dois ou três lugares diferentes, conhecido mais de 3 pessoas e lido mais de 3 livros de literatura de 3 autores diferentes, vai entender, após uma reflexão, que rotular seres humanos é um exercício em futilidade.

    Eu já morei no Rio (Grande do Norte), já morei no Rio (de Janeiro), para variar, agora moro no Rio Grande do Sul. Eu já encontrei várias pessoas com as mesmas características do post nos 3 Rios do Brasil. 

    1. Você acha que é só carioca que se acha nobre da corte e é meio racista? Então você nunca conheceu ninguém fora do Rio de Janeiro? Lá em Pelotas, ainda tem gente que pensa que vive no tempo da nobreza da charqueada, lá em Natal você vai encontrar gente que acha que a Princesa Isabel cometeu um erro acabando com a escravidão.

    2. Só carioca que gosta de emprego público?! 

    3. Escolas de Samba? Tu achas que é só no Rio que tem escolas de samba? E as cidades gauchas que chegam a apoiar financeiramente (ou, no mínimo, logisticamente) as escolas de samba locais?

  12. Ricardo Ag

    28 de dezembro de 2015 2:06 pm

    Imigração no RJ


    A imigração estrangeira no RJ foi basicamente de portugueses, que foram para lá às centenas de milhares – talvez mais de milhão – entre o fim do séc. XIX e anos 70 do XX (não falo da imigração anterior, porque foi menos numerosa, e nem da colonização).

    Foi de longe a menos qualificada das imigrações estrangeiras que o Brasil recebeu. 99% analfabetos, totalmente analfabetos, sem saber escrever um A e sem um só dia de escolaridade. Zero de treinamento em qualquer coisa que não fosse serviço braçal. Pior: vinham de um país onde o trabalho era, na melhor das hipóteses, desdenhado. Viviam naquela época de roubar as colonias africanas, onde mantinham os negros sob ferros (literalmente). Quase toda a riqueza do país vinha daí (e depois também do turismo). Uma cultura de desprezo olímpico pelo trabalho.

    O mundo do imigrante português era profundamente avesso ao progresso, ao livre-debate, à democracia. Tinham baixíssima, quase nula, adesão aos movimentos populares. Chegaram a ser 20% da população da cidade nos anos 30, e nunca figuraram no velho PCB, que aglutinava a classe operária (ao contrário dos imigrantes de outros países, sobretudo os italianos e espanhóis). Possivelmente porque aprenderam de Salazar que comunismo era coisa do demo. Mesmo os mal adaptados alemães tinham boa presença no Partidão.

    Daí também vinha o desprezo pelo estudo. Português nascia e morria analfabeto e brigava até com a esposa para o filho não estudar, que era perda de tempo e se estudasse muito, aprendia coisas do chifrudo.

    Os negros ex-escravos citados no texto eram tão analfabetos quanto os portugueses, mas não partilhavam deste ódio cultural ao trabalho e nem ao estudo. Haja vista o número impressionante de negros e mulatos figurando no elemento mais alto da intelectualidade brasileira daquela época (Machado de Assis, Lima Barreto, Cruz e Sousa, José do Patrocínio, etc, etc) e a quase ausência do filho do imigrante portuga. Sofriam com o racismo, a discriminação, mas não com tantas barreiras mentais como o lusitano.

    Desnecessário dizer que o portuga desprezava profundamente o negro, ao contrário do que os mitos freyreanos nos fazem crer. E pior ainda quando o negro e o mulato ascendiam e ele não. Sentia-se traído pelo destino. Gostava deles no máximo nesse sentido que o texto apontou, folclórico, do samba, do pagode, do futebol. E só.

    Penso que este ponto – o dessa imigração particular q foi predominante no Rio – ajuda a elucidar muitos pontos importantes do texto.

     

     

  13. Juliano Santos

    28 de dezembro de 2015 2:06 pm

    O pobre trabalha e muito,

    O pobre trabalha e muito, seja carioca, mineiro, paulista, gaucho e até o baiano! A vagabundagem no Brasil não é regional, é de classe social.

    Aqui no Rio, o playboy quer viver de renda de apartamentos da família, e conseguir algum cargo público através do tráfico de influência (mas tem uma classe média baixa que estuda muito para entrar no BB ou Caixa). Já o playboy de Minas, Goias querem viver do latifúndio da família. Já o playboy paulista quer ficar vivendo de especulação imobiliária com o caminho das pedras dado pelo banco do papai.

    Todos esses tipos estavam devidamente representados pelos filhinhos de papai que xingaram o Chico. O que fêz este homenageá-los com sua genial música “vai trabalhar vagabundo” no Facebook. O Chico sabe tudo.

    PS: É verdade que aqui no Rio, zona sul, claro, ainda resiste uma certa pose de corte. Decadência com elegância.

     

  14. altamiro souza

    28 de dezembro de 2015 2:32 pm

    prefiro opinar sobre minha

    prefiro opinar sobre minha admiração pelo que houve e que há de bom no rio….

    maravilhas naturais…

    além dos grandes criadores musicais, desde pixinguina, i

    smael, noel etc e tal até o  martinho e o chico….etc, etc….

  15. peregrino

    28 de dezembro de 2015 7:03 pm

    esqueceu…

    ufrj tinha tudo aquilo, na época, mas só porque era uma empresa de milicos que estava construindo a ponte

    e ainda bem que saíram do Rio

  16. arkx

    28 de dezembro de 2015 8:50 pm

    ser ou não ser carioca
    -> “Reflexões de um carioca: Eu nasci no RJ há exatos 57 anos.”

    todo carioca sabe que não é preciso nascer no Rio para ser carioca. aliás, tem muita gente que nasceu no Rio e não é carioca. assim como tem muito carioca mineiro, baiano e nordestino. na verdade, grande parte dos cariocas não nasceu no Rio. e, por inacreditável que pareça, tem até paulistano que é carioca. casos raros, é verdade. já os paulistas, muitos são cariocas. assim como os gaúchos, sendo Brizola, eleito duas vezes governador, um notável exemplo de carioca dos pampas. grande parte dos brasileiros é carioca, mesmo que jamais venham a conhecer o Rio. e todo carioca definitivamente é brasileiro.

    quando um carioca gosta mesmo de você, é fácil saber: ele logo vai dar um jeito de brincar contigo. algum tipo de gozação, que você pode a princípio não compreender direito, mas logo fica claro que é um modo de aproximar a relação, um convite à cumplicidade e ao bom humor.

    dizer que o carioca não gosta de trabalhar é esquecer que a cidade do Rio de Janeiro abrigou a maior concentração urbana de escravos das Américas e da época moderna. ora, todos os cariocas, não importa a cor da pele, descendem daqueles negros desterrados e supliciados. um enorme contingente de cariocas habita hoje as favelas e periferias do Rio.

    na imigração forçada através dos navios negreiros, forjou-se parte da cultura carioca. os índios contribuíram com uma outra parte, o que faz com que todo carioca seja um canibal: aberto para as influências, assimila e forja novas sínteses.

    o carioca tem uma definitiva influência lusitana. por isto sabe que Portugal foi o primeiro Estado-Nação, foi sede da primeira Universidade laica, desenvolveu a mais avançada tecnologia da época: a navegação transoceânica, pela primeira vez dando ao mundo o seu sentido global. o carioca se orgulha de ser o resultado da visão de paraíso dos portugueses por um Novo Mundo e pelo Quinto Império.

    por tudo isto, ser carioca nada tem a ver com o lugar onde se nasce. ser carioca é ao mesmo tempo a materialização de um destino e uma opção absolutamente pessoal.
    .

    1. Ricardo Ag

      28 de dezembro de 2015 10:02 pm

      Troféu Platitude 2015.

      Troféu Platitude 2015.

  17. Cezar Doria

    4 de julho de 2022 7:09 pm

    Muito bom texto. Dei boas gargalhadas!

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