Enviado por Felipe A. P. L. Costa.
Manuel Bandeira, tradutor. I. Gabriela Mistral.
Por F. Ponce de León, do blogue Poesia Contra a Guerra.
Reproduzo aqui um soneto da poetisa chilena Gabriela Mistral (1889-1957) [1]. A tradução do espanhol para o português foi feita por Manuel Bandeira (1886-1968). O original, publicado em livro em 1914, é reproduzido logo em seguida.
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Primeiro soneto da morte.
Por Gabriela Mistral.
Do nicho lôbrego onde os homens te puseram
Te levarei à terra humilde e ensolarada.
Nela hei de adormecer – os homens não souberam –
E havemos de dormir sobre a mesma almofada.
Te deitarei na terra humilde, te envolvendo
No amor da mãe para o seu filho adormecido.
E a terra há de fazer-se um berço recebendo
Teu corpo de menino exausto e dolorido,
Poderei descansar, sabendo que descansas
No pó que levantei azulado e lunar
Em que presos serão os teus leves destroços.
Partirei a cantar minhas belas vinganças,
Pois nenhuma mulher me há de vir disputar
A este fundo recesso o teu punhado de ossos.
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Los sonetos de la muerte.
Por Gabriela Mistral.
I.
Del nicho helado en que los hombres te pusieron,
te bajaré a la tierra humilde y soleada.
Que he de dormirme en ella los hombres no supieron,
y que hemos de soñar sobre la misma almohada.
Te acostaré en la tierra soleada con una
dulcedumbre de madre para el hijo dormido,
y la tierra ha de hacerse suavidades de cuna
al recibir tu cuerpo de niño dolorido.
Luego iré espolvoreando tierra y polvo de rosas,
y en la azulada y leve polvareda de luna,
los despojos livianos irán quedando presos.
Me alejaré cantando mis venganzas hermosas,
¡porque a ese hondor recóndito la mano de ninguna
bajará a disputarme tu puñado de huesos!
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Nota.
[1] Gabriela Mistral, laureada com o Nobel de Literatura (1945), é pseudônimo literário de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga. Versão em português e imagem extraídos do blogue Poesia Contra a Guerra, onde podem ser encontrados e lidos alguns poemas de GM e MB.
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