5 de junho de 2026

Manuel Bandeira, tradutor. I. Gabriela Mistral

A tradução do espanhol para o português foi feita por Manuel Bandeira (1886-1968). O original foi publicado em livro em 1914

Enviado por Felipe A. P. L. Costa.

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Manuel Bandeira, tradutor. I. Gabriela Mistral.

Por F. Ponce de León, do blogue Poesia Contra a Guerra.

Reproduzo aqui um soneto da poetisa chilena Gabriela Mistral (1889-1957) [1]. A tradução do espanhol para o português foi feita por Manuel Bandeira (1886-1968). O original, publicado em livro em 1914, é reproduzido logo em seguida.

*

Primeiro soneto da morte.

Por Gabriela Mistral.

Do nicho lôbrego onde os homens te puseram

Te levarei à terra humilde e ensolarada.

Nela hei de adormecer – os homens não souberam –

E havemos de dormir sobre a mesma almofada.

Te deitarei na terra humilde, te envolvendo

No amor da mãe para o seu filho adormecido.

E a terra há de fazer-se um berço recebendo

Teu corpo de menino exausto e dolorido,

Poderei descansar, sabendo que descansas

No pó que levantei azulado e lunar

Em que presos serão os teus leves destroços.

Partirei a cantar minhas belas vinganças,

Pois nenhuma mulher me há de vir disputar

A este fundo recesso o teu punhado de ossos.

*

Los sonetos de la muerte.

Por Gabriela Mistral.

I.

Del nicho helado en que los hombres te pusieron,

te bajaré a la tierra humilde y soleada.

Que he de dormirme en ella los hombres no supieron,

y que hemos de soñar sobre la misma almohada.

Te acostaré en la tierra soleada con una

dulcedumbre de madre para el hijo dormido,

y la tierra ha de hacerse suavidades de cuna

al recibir tu cuerpo de niño dolorido.

Luego iré espolvoreando tierra y polvo de rosas,

y en la azulada y leve polvareda de luna,

los despojos livianos irán quedando presos.

Me alejaré cantando mis venganzas hermosas,

¡porque a ese hondor recóndito la mano de ninguna

bajará a disputarme tu puñado de huesos!

*

Nota.

[1] Gabriela Mistral, laureada com o Nobel de Literatura (1945), é pseudônimo literário de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga. Versão em português e imagem extraídos do blogue Poesia Contra a Guerra, onde podem ser encontrados e lidos alguns poemas de GM e MB.

* * *

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