Enviado por Maurício Salles

Armazém Companhia de Teatro recebe prêmio do Festival de Teatro de Edimburgo 2014
Após a temporada no Festival de Avignon, onde recebeu o prêmio “Coup de Coeur” do Clube de La Presse, O DIA EM QUE SAM MORREU [The Day Sam Died], espetáculo da Armazém Cia. de Teatro ganhou nesta sexta, 15/08 o FRINGE FIRST AWARD, um dos principais prêmios do Festival de Edimburgo oferecido há 41 anos pelo jornal The Scotsman. Em 2013, o Armazém tinha ganhado o mesmo prêmio por “A Marca da Água” [Water Stain]. Abaixo as criticas que referendaram o prêmio. Crítica no principal jornal da Escócia, The Scotsman, sobre o DIA EM QUE SAM MORREU: FRINGE FIRST AWARD WINNER – THE DAY SAM DIED por Joyce McMillan
“Se o futuro da saúde – como serviço público ou negócio privado – é uma das questões-chave de todas as democracias modernas, então o mais recente e brilhante espetáculo da Armazém Companhia de Teatro é a peça que pega o drama hospitalar pela nuca e o transforma num teatro furioso, lindo e surreal que trata da luta global entre o extremo capitalismo neoliberal e visões mais democráticas e comunitárias da sociedade.No centro da peça – co-escrita por Maurício Arruda Mendonça e pelo diretor Paulo de Moraes – está a figura do cirurgião-chefe, um brucutu altamente qualificado e viciado em drogas, que trata seus pacientes com desprezo e acha natural que o melhor serviço de saúde seja controlado pelos ricos.Sua vida dá uma guinada complexa, porém, no dia em que ele encontra três pessoas diferentes chamadas Sam, numa série de situações repetidas. Uma delas é o enfermeiro auxiliar de cirurgia, que tem um acesso de fúria e saca uma arma no saguão do hospital, enquanto fala sobre como um hospital devia ser justo e compassivo. Outra é a juíza de direito chamada Samantha, que precisa de uma cirurgia pra salvar sua vida, mas questiona a moralidade de furar a fila de tratamento. E a outra pessoa é Samir, um ex-palhaço que agora sofre de demência, depois de uma vida inteira divertindo as crianças.Durante 80 minutos intensos e belos, pontuados por um entrondoso rock ao vivo, a produção de Paulo de Moraes nos guia através do mundo onírico dessas três situações, numa torrente de luz inconstante e de fúria e quietude em alternância. E no centro do espetáculo há uma série de atuações excelentes de alguns dos melhores atores do Brasil, incluindo Patrícia Selonk como Samantha e Otto Jr. como o cirurgião-chefe.”
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Three Weeks – Sexta-feira, 8 de agosto de 2014
por George Robbs
“O Dia Em Que Sam Morreu” é sombria, solitária, como um pesadelo – mas também extremamente emocionante. Parte da Temporada do Teatro Brasileiro, é a história de seis indivíduos solipsistas, divididos por sua classe social e sua comunidade. O hospital onde eles se encontram é mantido sob controle por um homem armado enfurecido, e apesar de suas vidas jamais convergirem totalmente, elas se tocam. É um estudo magistral sobre o relativismo pós-moderno e a desunião que ele promove. Visualmente vívido, com um som surpreendentemente belo e filosoficamente bem trabalhado, “O Dia Em Que Sam Morreu” faz a pergunta: num mundo onde um código de ética é tão válido e justificável quanto qualquer outro, como saber a qual deles aderir?
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