5 de junho de 2026

Um banqueiro a favor do 13º Salário

Orgulhava-se do endosso que deu ao então Ministro do Trabalho, André Franco Montoro, para a aprovação do 13º Salário, uma avanço social.
Reprodução

Walther Moreira Salles foi chave para aceitar o parlamentarismo e a posse de Jango após renúncia de Jânio Quadros.
Renúncia de Jânio foi planejada com comandantes militares durante viagem de Jango à China.
Moreira Salles enfrentou lobby parlamentar e controlou orçamento; apoiou 13º salário com medidas compensatórias.

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Walther Moreira Salles foi a pré-condição de capitais financeiros para aceitar o parlamentarismo – e a posse de Jango, depois da renúncia de Jânio Quadros.

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A renúncia de Jânio foi preparada com os comandantes militares. Conforme me revelou Rafael de Almeida Magalhães, os três comandantes combinaram com Jânio que ele renunciaria e voltaria em seguida, amparado pelas Forças Armadas. A renúncia foi planejada em um momento em que o vice-presidente João Goulart estava bem distante do país, em viagem à China.

Mas Jânio era teimoso e autossuficiente. Desde o início de seu governo, já tinha planejado a renúncia, seguido de um cruzeiro internacional para ser recebido, na volta, nos ombros dos eleitores e assumir a presidência com muito mais poder.

A viagem foi comunicada ao casal Walther Moreira Salles em um almoço no Horto Florestal de São Paulo, no início do mandato de Jânio.

O programa de Jânio, de uma viagem em cruzeiro antes de retomar o poder, foi-lhe fatal. Na volta, não havia ninguém para recebê-lo no porto de Santos.

Moreira Salles foi comunicado do convite para assumir a Fazenda, no gabinete de Tancredo Neves, embarcou secretamente para Porto Alegre, em um avião da Varig – e há inúmeros detalhes que conto na biografia  do embaixador, que em breve será relançada.

Seu papel seria o de garantir a disciplina orçamentária. Sofreu muito nas mãos do parlamentarismo existente. Cada viagem que fazia, na volta era surpresa em cima de surpresa, com parlamentares pressionando o Banco do Brasil e estourando as metas de crédito.

Um dos casos foi um estouro de Cr$ 500 milhões, em um empréstimo do Banco do Brasil para as Indústrias Matarazzo, intermediado pelo então senador Carlos Jereissati, pai de Tasso. Quando foi reclamar, Walther foi informado que a autorização foi dada diretamente por Jango.

Nas longas conversas que tivemos, inúmeras vezes Moreira Salles reclamou do lado obscuro do parlamentarismo, o lobby em cima dos ministros.

Mas orgulhava-se do endosso que deu ao então Ministro do Trabalho, André Franco Montoro, para a aprovação do 13º Salário. Não endossou o terrorismo vigente, considerou um avanço social e trabalhista relevante. E tratou de tomar outras providências para contrabalançar os impactos da medida.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. grevista

    27 de abril de 2026 7:18 pm

    Outros tempos. Tínhamos até militares nacionalistas e, argh!, militares de esquerda, até mesmo comunistas. Mas o Globo e o Estadão estavam nas mesmas posições que hoje defendem. Ah! Tínhamos uma direita nacionalista, que, naquele momento, se aliava ao governo Jango. Mas isso durou só até janeiro de 1964.

  2. Luiz Fernando Juncal Gomes

    27 de abril de 2026 9:40 pm

    Mino Carta e a revista Piauí
    quando o Mino começou a gravar vídeos no fechamento da edição da semana, com a participação de perguntas dos leitores, perguntaram ao Mino o que ele achava da revista Piauí, que fazia sucesso e era respeitadíssima.
    O italianinho irascível respondeu com desdém e em tom jocoso: “Ora, revista de banqueiros”. E mais não disse, partiu para a próxima.
    O Brasil tem o privilégio de contar com “banqueiros” do porte e calibre de pessoas iluminadas como João Moreira Salles e Waltinho, além da Neca Setúbal, chamados maldosamente de “herdeiros”, como se tivessem culpa de nascerem Moreira Salles e Setúbal.
    João Moreira Salles afastou-se da direção da Piauí há alguns anos, e na saída “encheu” um cheque de R$ 30 milhões, e constituiu um fundo no Itaú (lógico) para gerir/financiar a indispensável Piauí, e foi para o Conselho Editorial.
    Mecenas é pouco. São brasileiros categoria DDHH – Dignos, Decentes, Honrados e Honestos.

  3. brunobgl

    27 de abril de 2026 11:59 pm

    “…o lado obscuro do parlamentarismo, o lobby em cima dos ministros.”
    Curioso, logo hoje esse verso. Logo no dia que o ministro da fazenda age como lobista dos banqueiros e divulga o plano de raspar as contas do FGTS dos trabalhadores endividados, transferir o numerário aos bancos.
    Maravilha! O ministério da fazenda virou um ‘think-tank’. Os bancos brasileiros não precisam mais gastar com lobista.
    Junte isso a um BNDES que justifica seus mega-empréstimos na base do “mas eles pagam em dia”, quem precisa de direita num país desse?!
    Boa semana pra você, Nassif!

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