
Convivi com Walter Moreira Salles Filho, o “Waltinho”, quando preparava a biografia do pai, o banqueiro e diplomata Walter Moreira Salles.
Walter teve filhos de dois casamentos. Com Helena, teve Fernando. Com Elisinha, teve Waltinho, Pedro e João. Na época, o casal Moreira Salles era dos anfitriões mais bem relacionados no grande mundo dos bilionários.
Como me contaram os filhos, a casa era uma extensão da embaixada. As recepções não eram sinal de deslumbramento, mas estratégia de negócios. Eram nessas recepções que se firmavam relações sociais que, depois, transformavam-se em parcerias econômicas. E Elisinha levava a ferro e fogo seu papel de braço direito do marido.
Walter chegou a comprar um pequeno prédio, vizinho da casa, apenas para abrigar os visitantes ilustres. Aliás, o morador que mais relutou em vender o apartamento foi o radialista e compositor Antônio Maria. O prédio acolheu desde os Rollings Stones até Henry Ford II, presidente da Ford.
Elisinha vinha de uma família de pequenos empreiteiros de Minas Gerais. No começo de carreira trabalhou como secretária do diretor de Central do Brasil. Fato, aliás, que inspirou o primeiro grande sucesso de Waltinho, com Fernanda Montenegro, o “Central do Brasil”, mostrando sua enorme sensibilidade.
Depois, Elisinha apareceu em uma festa de debutantes, ao lado da também debutante Danuza Leão. Foi convidada para uma festa de réveillon na casa de Walther e, lá, conquistou definitivamente o banqueiro. Casaram-se na França e, mais tarde, Walter conseguiu até a anulação do seu primeiro casamento pelo Papa, em um trabalho de San Tiago Dantas, seu advogado.
Em pouco tempo, Elisinha aprendeu os rituais dos muito ricos e se tornou uma das hortenses mais conhecidas do planeta.
Nessa condição, preparou os filhos para compor uma dinastia. Aliás, o mordomo Santiago – retratado por João em um belo documentário – dizia que eles eram descendentes dos Médicis.
Foi uma vida dura. Logo após o golpe de 64, com o pai na mira dos militares, mudaram-se para a França. Passaram alguns anos até se sentirem seguros para voltar ao Brasil.
Mas a formação rigorosa continuou. Para aprender história, por exemplo, a mãe os levava para a Grécia, acompanhados por um professor.
Os meninos só conseguiram contato com o povo através de sua babá, uma gaúcha que driblava as restrições de Elisinha e levava-os para passeios nas ruas. Depois, Waltinho se aproximou das religiões afro através de um tio, irmão de Elisinha.
A partir de determinado momento, o clima na casa ficou irrespirável. Havia choques permanentes, em função do temperamento explosivo da mãe. Elisinha só ficava à vontade quando visitava a cunhada, em São Paulo, e perdiam-se em longas conversas sobre Minas Gerais. Generosa com os empregados, solidária, no ambiente social era de uma competitividade extrema.
A maneira de Waltinho fugir do clima opressivo da casa era ir até a casa do deputado Rubens Paiva e conviver com uma família normal e alegre.
Nos depoimentos que colhi dos filhos, Waltinho não conseguia falar sobre a mãe. Travava. Descrevia o pai como o sujeito sem preconceitos. Um dia, passou a namorar uma moça de vida mais livre – para os padrões da época. E o pai deu pleno apoio.
Em uma viagem ao Rio de Janeiro, cruzei com ele no avião. Sentamos no mesmo banco. Falei algo da mãe. Ele se emocionou, os olhos lacrimejaram, e apenas balbuciou:
- Coitadinha!
E mais não disse, porque a emoção não permitiu.
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Cidadão sem cidadania e sem mordomo.
27 de fevereiro de 2025 5:29 pmOlha não sei se comenta ou não, mas vou comentar rsrs, com muita tristeza vejo esse homem quando criança, tem que ir para França por causa da ditadura, terrível, será que foi morar em um cortiça? Triste saber, esse herdeiro do utau unibanco, da companhia do niobio em ara a, e da jazida?, fazendas, empresas, olga vida muito triste, imagina esse coitado tem que viver em alguma periferia em sao Paulo e pior sem mordomo, que angústia, q horror, estou em choque, e depois ainda ganhar uma coluna de um grande jornalista, estou encantado e comovido com a estória. Quanto horror na vida desse pobre milionário.
Anônimo
27 de fevereiro de 2025 6:37 pmCertas pessoas não conseguem conviver com as diferenças, principalmente as financeiras. O caráter não escolhe berço nem conta bancária. Eu nasci de uma família que vivia abaixo da linha da pobreza, mas acima da honestidade. Tinham sonhos de prosperidade e o tempo os recompensou.
Nada caiu do céu, foi difícil, pai e mãe trabalharam muito para nos oferecer dignidade. Seis filhos honestos, estudiosos e vencedores. Não somos ricos e não invejamos quem são, somos apenas felizes.
Cidadão sem cidadania
28 de fevereiro de 2025 1:06 amVamos colocar dessa Maneira. Talvez você entenda, Walter Moreira sales pai do waltinho foi ministros do jango, já go sofre um golpe, entra a ditadura dos mitares, Walter o pai, ganha a jazida de araxa de niobio, daí vem a companhia do niobio,nenhum inimigo ganha tal presente, uma jazida de niobio, é justa mente a jazida que transformou o waltinho no cineasta mais rico do mundo segundo a forbes, então vamos juntar os pontos,é claro que Walter pai apoiou o golpe, você imagina um inimigo ganhando algo tão grandioso, espero que você não tenha entendido o que escrevi porque má fé não é legal, mas acredito que você não sabia.
JOSE LEONEL DE MIRANDA
27 de fevereiro de 2025 6:39 pmCertas pessoas não conseguem conviver com as diferenças, principalmente as financeiras. O caráter não escolhe berço nem conta bancária. Eu nasci de uma família que vivia abaixo da linha da pobreza, mas acima da honestidade. Tinham sonhos de prosperidade e o tempo os recompensou.
Nada caiu do céu, foi difícil, pai e mãe trabalharam muito para nos oferecer dignidade. Seis filhos honestos, estudiosos e vencedores. Não somos ricos e não invejamos quem são, somos apenas felizes.
Cidadão sem cidadania e ser paciência
27 de fevereiro de 2025 9:01 pmEu sou responsável pelo que eu escrevo e não pelo que você entende, vamos aos fatos, waltinho foi oprimido na ditadura, até aqui você entende certo,? Então vamos continuar… Essa mesma ditadura que ele diz que viveu amargura, foi a mesma ditadura que fez ele ficar bilionário, porque? A ditadura deu ao pai dele o waltao, a jazida de niobio e a companhia do niobio, fazendas e etc, a pergunta que fica é? Como o governo que oprimiu o deixou ele e a família dele bilionária,, Você entende? Você como membro da classe dominante entende né
Anônimo
27 de fevereiro de 2025 10:13 pmAcredito que o jornalista usou da ironia, ou seja, dizer o contrário do que se pensa. Se não foi isso, esses pobres exilados têm pouca influência na mídia.
Cidadão sem cidadania
28 de fevereiro de 2025 12:07 pmPelo amor Deus homem, que pobre exilado, a familia dele ja era dona do Itaú desde 1943, que como, eles nunca foram exilados , em plena ditadura Walter Moreira sales ganha a jazida de niobio em araxa e a companhia do niobio. Em que país você vive, como uma ditadura que te persegue te dá uma jazida de niobio, o que está claro para mim é, o dia que abrirem os documentos da ditadura muitos que falaram que sofreram, na verdade apoiaram tudo que a ditadura fez, agora fica a pergunta,porque Lula não deixou abrirem os documentos da ditadura, afinal o advogado pinaud dos ex presos políticos conseguiu no STF, esses sim sofreram e somente Lula não deixou, afinal o presidente era ele, e somente. Acho que Lula não deixou porque tem algo haver com SNI-lula juntinhos
Sergio Henrique Ladeia de Castro
6 de março de 2025 11:29 pmEntrei somente para entender a vida de um coitado que foi perseguido pela dita “Ditadura”.
MAIS UM SOCIALISTA DE IPHONE.
Ed Nezer
27 de fevereiro de 2025 5:39 pmVida duríssima, morando na França e tendo que estudar história na Grécia. Deu pena.
Cidadão sem cidadania e sem mordomo
27 de fevereiro de 2025 7:38 pmTeve isso Também, que vida terrível, vida de periferia, sem falar que a companhia do niobio e a jazida são da família dele, e ganharam dessa ditadura que persegui a família dele e segundo a forbes waltinho é o cineasta mais rico do mundo e claro, não é pelo Cinema, pobre waltinho.
Aristóteles Cardona
27 de fevereiro de 2025 7:11 pmDei uma bela gargalhada:
Vida dura?!
Rafael
27 de fevereiro de 2025 7:34 pmEm prantos com vida dura do Waltinho, imagina ter que ir da França para Grécia só para estudar história! Triste
AMBAR
27 de fevereiro de 2025 9:10 pmTadinho, que barra! Mas acho que o Waltinho ficou pobre por causa do assalto dos quinhentos milhões de cruzeiros que levaram do Banco Moreira Sales em 27 de janeiro de 1965, lá na Praça do Patriarca.
” Para aprender história, por exemplo, a mãe os levava para a Grécia, acompanhados por um professor.”
Então, o nosso herói ia estudar história na Grécia de onde, por mera coincidência eram os assaltantes da agência bancária. Era dinheiro pra caramba! 500 milhões…mais tarde recuperado em tonéis, rendendo 103 anos de condenação aos assaltantes.
Mas Waltinho, talvez nem tenha dado falta do dinheiro.
Enfim, só mesmo o Thiago Leifert teve uma história mais traumática. Imagine que teve que sair do país para estudar nos Estados Unidos porque seus colegas de faculdade faziam “bulling” com ele. Coitado!
Baco.
28 de fevereiro de 2025 12:27 pmTriste.
Não, não é ironia com o “sofrimento” de Walter.
Ora, sentimentos são tão arredios que levam pessoas “que têm tudo” ao suicídio, aliás, muito recorrente em países ricos.
Mas o que me importa o “sofrimento” ou as idiossincrasias de Walter?
Apenas para refletir sobre sua obra, que afinal, é o que me interessa, menos que a vida dele, apesar de entender que a obra é ele (ou parte dele), ou seja, o que viveu, ou escolheu viver, e talvez mais, o que ele entendeu (ou não) do que viveu.
Por isso não dá para pretender uma análise “neutra”, ou “engajada”, isso não existe.
Existem a obra, seus autores, e o contexto.
Ponto.
É a partir daí que devemos perguntar, qual o propósito da obra, além da declarada homenagem à Eunice Paiva?
Se foi só uma descrição biográfica dramática do sofrimento dela, ok, o filme é razoável.
Como acaba acontecendo nesse tipo de filme, corre-se o risco de uma narrativa arrastada, monótona, porque mesmo o sofrimento intenso pode “cansar”.
Para mim, a “viagem intimista” foi tão profunda que levou o filme a isso: memórias de sofrimento que emocionam, mas é tal o foco nesse aspecto que o resto todo some, portanto, o indesejável marasmo do roteiro.
Por outro lado, o total descolamento da selvageria do ato de sua causa (a História, a ditadura) deu quase um tom ameno e cordial na invasão e sequestro da casa, um pouco quebrado com as cenas do cárcere de Eunice e filha, logo amenizados por um gesto gentil de um soldado para com a viúva.
Claro que é muito difícil descrever e narrar um ambiente sufocante onde a mãe, já sabedora do que se trata, tenta equilibrar tudo que desaba ao seu redor, e isso inclui “negociar” com os algozes um clima menos hostil.
Porém, em se tratando da escolha narrativa intimista e personalíssima do diretor sobre a protagonista, até essa intenção, que é de subtexto (eu compreendo) foi soterrada, e ficou parecendo que não foi uma ação deliberada de “resistência resiliente” de Eunice, que obteve uma resposta “educada” dos policiais, mas apenas um gesto gentil de policiais que, geralmente, tratam melhor famílias ricas, como a dos Paiva.
Mas isso também não é dito, porque o filme não permite apreensão de qualquer conflito político, ou, ou, ou …de classe!
Então, Walter deve ter sofrido muito, e acho que ele ainda sofre, porque seu filme é uma sopa, que pode até ser corretamente preparada, com uma receita boa e bem executada, com ingredientes que só quem é filho de banqueiro pode ter, e até ganhar a estrelinha Oscar.
Mas é uma sopa de sentimentos e confusões sobre sua origem, o que gente de sua origem fez com o país, contratando assassinos de farda, e os conflitos que isso acarreta no diretor.
O filme de Walter é uma confissão de culpa, mas tão intimista que leva o debate justamente onde ele não poderia estar, porque, antes de tudo, não poderia estar em lugar algum, já que o filme reduz tudo à mínima redução possível.
Truque?
Intenção?
Acidente?
Ou ninguém entendeu nada?
O fato é que o diretor fez um filme sobre uma viúva da ditadura, sem permitir (por escolha ou não, não sei dizer) que se declare a causa de existir do drama que justifica sua obra.
Que o filho faça isso no livro, ok, embora duvide que o livro (que ainda não li) seja tão restrito, mas alguém com a pretensão do “contar a história”, em outra plataforma, não é aceitável ou, desejável.
O tema deve ser tabu para Walter, porque seu filme Central do Brasil, despretensiosa estória intimista da relação de uma professora 171 com um órfão de mãe é muito mais político e contextualizado.
Central do Brasil é um filme complexo, enquanto o filme atual é… simplório, sem ser simples.
Ali está a professora aposentada quase miserável, vivendo de enganar os mais pobres analfabetos (questão social) com cartas que escreve.
Vemos a “força de segurança” agindo como pretora da linha férrea, com o ótimo Otávio Augusto, e ao mesmo tempo o tráfico de crianças.
Por fim, a família do menino, deslocada para um conjunto habitacional, porque a cidade original submergiu às águas de um lago hidrelétrico.
Ah, tem a conjuntura religiosa, importante fator na antropologia nordestina.
Enfim, um filme de sofrimentos pessoais, encontros e desencontros, totalmente contextualizado e permeado por ricas questões políticas, econômicas, sociais e até, geográficas.
Então, ele sabe como fazer.
Não quis.
E aí, o filme não está nem aqui, nem ali, assim como o diretor, pobre menino rico.
evandro condé
28 de fevereiro de 2025 5:59 pmEu acho que vc deve ter se esquecido que havia um livro que serviu de subsídio ao roteiro, colocar muito mais (ou além) não seria o caso. Colocar a violência explicita seria totalmente desnecessário. Deixe nas entrelinhas. E o fato de ser rico e ganhar estrelinha, fico aqui pensando o que falaria do Visconti.
Baco.
1 de março de 2025 6:19 amBem, Salles e Visconti são diferentes em contextos diferentes não?
Ah, sim.
Eu citei o livro, inclusive como ressalva, porém, ainda não li, por isso me resumi ao filme e ao roteiro.
E não, não acho que o filme deveria ser um Prá Frente Brasil, mas até eu, que não sou roteirista, mas cinéfilo, sei que a violência pode ser expressa sem ser mostrada.
E nesse filme, a violência, apesar de Eunice ou da intimidade biográfica, É A RAZAO DE EXISTIR DO LIVRO, DO FILME, ENFIM, DAQUELA FAMÍLIA ATINGIDA.
Então, a violência está ali,comendo junto a mesa, queira ou não o diretor, e ele, preferiu esconder.
Esconder a ditadura.
O filme mostra uma família tão incomodada quanto aquela visitada por um parente incoveniente.
E se fosse por essa metáfora, talvez fosse até mais eficiente.
Parece que o diretor fez o que o Nassif descreveu: foi para a casa dos vizinhos (os Paiva) procurar consolo e redenção.
Se ele quisesse escapar, poderia falar de todas as ditaduras.
Como eu disse, Salles sabe como fazer um filme político com eixo narrativo íntimo ou pessoal.
Central do Brasil é esse filme.
Ainda estou aqui é a história de Eunice Paiva.
Mas para contar bastaria o livro, que embora eu não tenha lido, partindo de quem escreveu, acho que será sempre melhor que o filme, que neste caso, virou um pleonasmo caro, e claro, premiado.
Não dá para ter uma adaptação de roteiro sendo o filme mais intimista que o livro.
Aí é que eu acho que foi a escolha errada do diretor, mas o sucesso comercial explica essa decisão.
That’s business.
J. Alberto
28 de fevereiro de 2025 7:20 pmObrigado pelo relato, Nassif. Para quem não vê utilidade no relato da vida do rapaz rico, notem que a “síndrome da busca pelo primogênito perfeito”, como no dado exemplo, é muitas vezes um capricho inútil. Na moral da história, o rapaz encontrou seu caminho e para a família está tudo bem, já que outro irmão demonstrou o tino administrativo capaz de tocar os negócios adiante. Incluso o banco Itaú, que, opinião pessoal e intransferível, peca por querer ser carioca demais. Como bom paulista, não gosto, não compactuo, e faço questão de procurar refúgio na concorrência. Posso parecer bairrista demais. Mas, para mim, é a esmagadora maioria dos brasileiros que é bairrista de menos. Descolonizar o Brasil também significa rejeitar que nossas riquezas virem remessas ao exterior para pessoas do exterior. Pode não parecer, mas a simples escolha do simples consumidor de o quê consumir e de quem consumir tem um poder transformador imensurável quando feita em larga escala.
Francisco Santos
28 de fevereiro de 2025 8:52 pmO verdadeiro cinema, o da arte, não do entretenimento, é isso
Pra se retratar a vida é necessário viver e não ficar preso em bolhas
E o filme é a contradição disso, dirigido por um bilionário, produzido por uma empresa que apoiou o regime militar cuja atriz principal viveu o período de excessão em sua juventude
É a vida
Baco.
1 de março de 2025 6:27 amO filme passa mais de duas horas, por exemplo, sem Eunice, filhos ou agregados xingarem um “puta que o pariu” ou “vai a merda”, irmãos não brigam, Eunice não ralha com filhos, nada.
É uma sopa de chuchu, bem temperada, com ingredientes gregos e franceses, azeite português, com uma taça de Romaneé Conti.
Mas, ainda assim, uma sopa de chuchu.
O fio condutor, a violência da abdução e da incerteza, que de incerteza nada tinha, porque Eunice sabia o que aconteceu ou presumia, e não há, no seu lugar, nenhuma sequela, nenhum conflito palpável, nada que torne Eunice humana, ainda que seja memorável sua obstinação.
No filme, sem o fio condutor, a obstinação vira TOC.
evandro condé
1 de março de 2025 4:20 pmComo vc citou sobre o Visconti, o cotexto não era o dia a dia familiar (deve ter notado). Não sei teu caso, mas acredito que deve estar pensando em cariocas onde pôrra e caralho sai a todo momento. Até mesmo dentro de casa (nesses tempos). Como sou do Rio e um pouco antigo, não era usual.
Baco.
1 de março de 2025 4:48 pmOlha, lendo Marcelo Rubens Paiva eu posso ter apreendido essa noção errada.
Claro que seu que o filho é uma coisa, e a família Paiva, rica, educada e quase asséptica, não deveria xingar, nem blasfemar muito, como a minha, carioca, antiga.
Mas a própria linguagem dele em Feliz Ano Velho, e a narrativa ali, mostra muita coisa que foi soterrada, aliás, direito deles.
Mas veja que o xingamento foi uma hipérbole, porque não há a mais tênue marola emocional naquele oceano de mágoas e ressentimentos.
Nenhum desequilíbrio, nenhuma fala alta, nada.
Se não fosse a gente conhecer a estória, e respeitar muito Eunice e família, eu diria que seriam psicopatas desprovidos de culpas, consciência ou medo
Baco.
1 de março de 2025 1:20 pmÉ um dos casos raros que a versão cinematográfica desestimula a leitura do livro.
Não falo dos que nunca lêem mesmo, mas daqueles que têm hábito da leitura.
A película é um obstáculo ao livro, foi exatamente isso que senti e olha que considero Feliz Ano Velho uma obra prima.
Ajax Jorge Domiciano Batosta
1 de março de 2025 3:23 pmUm cineasta que se estabeleceu por meio do patrimônio dos genitores e herdado. Simples né? Agora, se juntou à Globo Play e, em campanha bilionária, está inserindo o filme Ainda estou aqui nos festivais objetivando a obtenção de prêmios. O cinema brasileiro sempre me chamou a atenção, daí assisti obras cinematográficas superiores ao Ainda estou aqui e, presumo, não estão no Oscar porque não receberam o apoio financeiro e de mídia. A história em países de terceiro mundo não reage: o povo semianalfabeto e com fome proporcionando elevação de ganhos para os bilionários!
aqui
Yvonne Romano
1 de março de 2025 3:35 pmPara constar: quando os Moreira Salles ganharam a mina de Niobio, faz muito tempo,NINGUÉM sabia o que era niobio, nem o que fazer com ele. Não existia Internet, celulares nem aparelhos que necessitassem de niobio. Foram os Moreira Salles que fizeram o marketing desse metal e o tornaram um negócio da China. Aproveitaram, também para transformar a empresa numa experiência social onde os trabalhadores recebiam benefícios que não existiam no direito trabalhista do país. O resultado foi que os sindicatos ficaram de olho gordo na galinha de ovos de ouro e tentaram se apoderar dela. Obviamente para roubar o dinheiro que é o que os sindicatos fazem. Não conseguiram porque os próprios trabalhadores os barraram.
Baco.
1 de março de 2025 4:53 pmÉ.
A mina de nióbio deve ter sido doada como uma caixa de papelão para ajudar na mudança.
Ou seja, o fato de uma suposta demanda não existir,ninguém sabe, porque planos de expansão de tecnologias em países dignos de serem chamados de países são antecipados em 40, 80 anos, não queria dizer que não já se previa um valor econômico (altíssimo).
A internet é conhecida desde 1950, 60.
GPS idem.
A demanda por metais raros para fontes de energia sem combustão bis in idem.
É, ou é ingenuidade ou…
AMBAR
2 de março de 2025 3:27 pmPra você ver que dinheiro chama dinheiro e só os ricos sabem como explorar coisas e pessoas, eles acharam (ou já sabiam) utilidade para o nióbio, fizeram propaganda do nióbio, abriram mercado para o nióbio e ganharam muito dinheiro para o nióbio explorando a sempre mão de obra barata. Não se vá dizer que “dividiram os lucros” com os “colaboradores”. Quanto a sua antipatia pelos sindicatos só um fato poderia justifica-lo: a sua nunca necessidade de ter sido empregada de ninguém ou talvez o fato de nunca ter trabalhado, eis que todo o trabalhador, tanto quanto as grandes empresas sabem que precisam se reunir em grupos para protegerem seus próprios direitos.
Roberto
1 de março de 2025 3:41 pmFoi muito triste o que aconteceu com a família Rubens paiva. Ninguém quer ditadura da esquerda ou dá direita. Porém, no filme, há uma cena que indica que ele conspirava contra o regime. Se Rubens paiva e a turma que pegou em armas para subverter aquela ordem obtivessem êxito, será que eles favoreceriam a democracia ou instalariam uma ditadura, alegando que a sociedade precisava ser melhorada, pois, ainda era conservadora, herança dos militares?
Onde a esquerda subverteu o poder e virou democracia?
Maria
1 de março de 2025 10:32 pmO que o Walter Salles se tornou é tão raro que não há paralelo no mundo. Não lembro de nenhum herdeiro bilionário com a sensibilidade e o humanismo que ele tem. Talvez o João Moreira Salles, seu irmão. É só olhar os bilionários mais conhecidos do mundo… só mostram a ganância por mais dinheiro e poder. Quebrar esse ciclo, com as todas as dores que ele passou, e se tornar REALIZADOR dessa qualidade artística e humana é incrível. Ele podia ser “apenas” mecenas, critico de arte (pela qualidade da sua formação seria um super critico), mas não… pegou suas dores e se tornou um dos mais importantes cineastas do Brasil e do mundo. Incrível!
AMBAR
2 de março de 2025 3:20 pmEr, será?
Se assim fosse a Marta Matarazzo teria ficado nos seus chás beneficentes com as dondocas de estilo e o ex- marido dela, Eduardo Suplicy não estaria suplicando renda mínima para os pobres até hoje.
rapaz latino americano
2 de março de 2025 9:54 pmos milicos estão mortos e enterrados, já o itaú e os bancos privados estão por aí oprimindo e conspirando contra o brasil diariamente.
é muito conveniente pra família itaú ficar lembrando do passado e tirando o deles da reta.
obs: só porque walter e joão venderam as ações, não os torna menos banqueiros, pois ganharam dinheiro com isso.
obs2: a ditadura militar NUNCA oprimiu famílias ricas de verdade como moreira salles. podem ter censurado matéria de jornal, discos, mas nunca tiraram licença da globo, folha, estadão, gravadoras multinacionais, etc.
Saint
3 de março de 2025 11:31 amFiquei impressionado com a mediocridade da alguns comentários.
Abs
ed.
4 de março de 2025 12:39 pmRapáááaa, há muito tempo que eu não via tanto ressentimento e inveja em comentários por aqui (fora o desvio da verdadeira oportunidade múltipla que o sucesso do filme traz para todos nós, ainda que ele fosse ruim, apesar de tantas premiações e bilheterias).
Fica parecendo que ricos ‘não podem” ser pessoas boas ou ter uma visão ou ação melhor ou mais empática no mundo. Que para tanto precisam ser pobres ou abrir mão da riqueza, construída ou herdada, seja de forma legítima ou não.
Assim como aqueles menos favorecidos “jamais” devem ter ambições de riqueza, esta coisa tão “odienta” que ninguém deseja…
O “mundo bom” deveria ser feito pobre na opinião de muitos que se insinuam querer um mundo mais justo. Parece que não enxergam que não é a riqueza que deve ser combatida, mas a pobreza, o desequilíbrio, os exageros extremos.
Para estes, uma pessoa rica “sequer pode sofrer”, uma “heresia”. Na guerra contra a pobreza, a desigualdade e a injustiça, ricos “jamais podem ajudar”, assim como os pobres e injustiçados nunca podem atrapalhar.
O mundo seria binário: entre ricos maus e pobres bons e coitados.
Não existiriam as diferenças e variações humanas contínuas dos “demais, dos muito, “marromênus”, poucos, escassos”…
Não pode haver pessoas boas com defeitos nem pessoas ruins com qualidades. Ou “são” ou “não”.
De resto, alguns precisam se informar mais sobre a história do nióbio, da riqueza familiar anterior ao Walther pai e … das diferenças e imperfeições humanas, independente de quaisquer níveis onde estejam.
A luta pelo melhor já é dura, mas assim não dá, né?
Baco.
4 de março de 2025 2:46 pmO sucesso do filme nos traz muitas oportunidades.
Parei de ler aqui.
Estamos salvos!
Redimidos de nossos pecados, ricos podem ser bons, e olha que eu, idiota e ressentido que sou, pensei que o problema fosse existir ricos e pobres, e não o que cada em escolhe para ser, bom ou mau.
Enfim, toda crítica e todo pensamento é ressentimento, porque afinal, prêmios e bilheterias nos dizem o contrário.
É questão de contar.
1933, Hitler obteve 30 por cento dos votos na Alemanha, e usou tal argumento para chegar ao Reischtag (que depois ele queimaria).
Afinal, ele poderia até ser ruim, mas pelo.memos 30 por cento bom, não?
A AfD deve ser uma coisa 20 por cento boa, e bem melhor que a esquerda alemã, afinal, teve votos.
Ah, imagino que a vitória eleitoral de 2018 deu a chancela quantitativa ao Bozo, e de fato, ele jura que sim, e por isso deve concorrer de novo.
Lendo esse comentário, quer saber?
Acho que ele tem razão.
Xvideos idem, deve ser uma manifestação “cultural” recomendável, quem sabe 70, 100 milhões de visualizações?
Ah, faltam prêmios.
Os prêmios.
Se tem prêmio, só pode ser coisa boa.
Barack Obama nobel da paz, nosso campeão, que enfiou um golpe goela abaixo de Dilma e Lula, em 2016, enquanto acabava o serviço no Iraque e Afeganistão.
Yes, se can still be here!!!!??
Baco.
4 de março de 2025 2:50 pmNão se trata da história e seus contingentes.
Tudo se resume se o herdeiro do banco é uma pessoa boa ou má.
É o chamado moralismo de esquerda, assassinando qualquer chance de pensamento crítico.
A luta já é dura, porque vamos piorar tentando pensar né?
Basta uma propaganda do Itaú, com a voz da Fernandinha ou do.oucisno Huck para nós provar que a mudança está dentro de nós.
Eita.
Caetano.
7 de março de 2025 3:40 pmChocantes os comentários. Para alguns a riqueza é um mal, e todo rico é um ardiloso, prestidigitador, frio e explorador dos pobres. A pobreza é o pináculo da existência humana… sejamos todos pobres! Pobres autênticos, blasfemadores!
Professor Yan da Mota
8 de março de 2025 11:13 amAchei ótima as informações da matéria. Mas me desculpe pela sinceridade, eu não consegui entender grande parte da cronologia, as informações estão muito soltas. Mas obrigado pela escrita!