Do blog da Cosac Naify
Confrontos Culturais – Entrevista com Zeca Baleiro
Zeca afirmou que o processo de elaboração de uma trilha sonora é muito diferente de um trabalho 100% autoral: “No caso de uma peça, a música está a serviço de outra forma de arte e mesmo da concepção artística de outra cabeça (ou cabeças). Diferente da composição gratuita de uma canção, em que eu falo o que quero, penso e sinto e da forma como quiser.”
Na trilha, o compositor buscou refletir o contraste entre os dois estilos – sertanejo e medieval – que se chocam na peça: “A música do Nordeste sofreu muita influência da música medieval – cordel, repente, coco, aboio, tudo isso vem de uma mesma matriz ibérica/moura, com origem na Idade Média. Mas, para o bem da dramaturgia da peça, era necessário enfatizar as diferenças, e não as semelhanças culturais entre os dois universos”.
Apesar de ainda estar sem planos de lançar a trilha em CD ou na internet, Zeca Baleiro vê pontos de contato entre a composição para Lampião e Lancelote e o resto de sua obra: “Minhas referências estão lá, inevitavelmente, ainda que haja outras “indicações” também – da direção, do autor, dos atores… De um modo ou de outro, é um trabalho autoral de compositor”, reflete o músico.


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