Parceria com Israel para dessalinização de água levanta dúvidas

Proposta do governo Bolsonaro para atender Nordeste sairá mais cara ao Brasil, avaliam pesquisadores 
 
Professor Dr. Kepler França. Foto: Divulgação Engenharia Química-UFCG 
 
Jornal GGN – Equipamentos para retirar o sal da água, tornando-a potável para o consumo humano, desenvolvidos por pesquisadores na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Pernambuco, custam, em média, 16 a 28 mil reais para atender uma população de até 10 mil pessoas.
 
A variação do valor acontece porque são vários modelos de equipamentos, como explicou o coordenador de engenharia química da UFCG e do Laboratório de Referência em Dessalinização, Kepler França, em entrevista para o UOL.
 
“Temos a dessalinização por processos térmicos, por energia solar, através de destilação, por compressão de vapor, de membrana – que é mais utilizada mundialmente -, que vêm sendo utilizada em comunidades. E também temos novos caminhos, como a membrana cerâmica, que nós da UFCG desenvolvemos”, explicou.
 
A título de comparação, o projeto piloto que o governo Bolsonaro propõe em parceria com Israel foi cotado em 75 milhões de reais. 
 
França destaca que, nos últimos 30 anos, foram instalados entre 3.500 a 4.000 dessalinizadores para atender a região nordestina. Como muitos foram instalados há décadas, é preciso fazer um levantamento para saber o número exato dos equipamentos que ainda funcionam. 
 
“Precisamos melhorar, óbvio, Mas o que precisamos é de mais investimento do governo federal e de órgãos de fomento para incentivar cientistas a desenvolver tecnologias e deixar de comprar membranas dos gringos, porque isso deixa mais caro o sistema”. 
 
Kepler salienta que os equipamentos desenvolvidos em Israel não trazem novidades tecnológicas que justifiquem a troca do que vem sendo produzido no Brasil que, como vantagens, está mais alinhado à realidade local.
 
A proposta de Bolsonaro para suprir a demanda por água potável no Nordeste brasileiro vem sofrendo alguns questionamentos. Pelo Twitter, o engenheiro Luiz Guilherme Prado levantou algumas questões:
 
“Por que Bolsonaro não considera reduzir custos? Mapear o sistema atual? Investir em manutenção? Em capacitação de cientistas e profissionais brasileiros? Por que não cota com asiáticos, latino-americanos?”, arrematando:
 
“É muito bom sim o interesse em levar um item essencial como água à todos brasileiros, mas podemos alcançar esse objetivo com uso inteligente da verba pública. Caso contrário, parece para nós que o interesse maior é apenas comprar equipamentos caros de Israel como manobra política”. 
 
Em uma matéria assinada pela repórter Cida de Oliveira, da RBA, o sociólogo Antônio Barbosa, um dos coordenadores da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), avalia que o projeto de Bolsonaro abre caminho para a privatização da água: as empresas farão a distribuição e depois vão mandar a fatura da cobrança pela prestação do serviço:
 
“É a privatização da água, com certeza. Que chegaria muito cara, porque para além do processo de dessalinização, é preciso o processo de transporte para levar a água às casas e à agricultura familiar, que está espalhada por todo o semiárido”, pontua. No esquema israelense, são instaladas verdadeiras usinas de dessalinização, de onde a água potável terá que ser redistribuída. 

2 Comentários

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jcordeiro

- 2019-01-01 21:36:14

Inauguração da Desgraça

Nassif: odieio esse Kummunistas que querem estragar os planos do Grupo daBala. Ora, a bufunfa do sistema idealizado pelo Príncipe de Paris (que até mandou executar PauloFrancis, quando este denunciou) e dadoi continuação com os petralhas tá muito manjado. Então, depois de consultar Salvonarola dos Pinhais (como no tempo do BANESTADO) a patota mandou o ministro astronauta bolar um plano estratosférico. Concluiram nada melhor que desviar para o exterior a rapinagem. Os Gogoboys (mesmo os descontentes) não teriam capacidade de investigar. Então, nada melhor que o pessoal da EstrelaAmarela, unha e carne com o bando PSDB/DEM/PPS+Detritos_de_Maré_Baixa (acrescido agora com um tal PSL) para um acertinho. Você pensa que Bibi viajou atoa? E quandfo der algum galho, um ou outro reporter da grande mídia mijar fora do penico, então o Queiros entra em cena. Os VerdeOlivas dão plena cobertura, com a cumplicidade da Justiça...

Urariano Mota

- 2019-01-01 18:55:34

Atenção, corrijam por favor

A Universidade Federal de Campina Grande é na Paraíba. Campina Grande é a maior cidade paraibana, depois de João Pessoa. 

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