
Por José Vitor Bomtempo
O etanol 2G foi durante muito tempo o foco das políticas de inovação voltadas para os biocombustíveis. Há cinco anos, os recursos aplicados pelo Biomass Program do Department of Energy (DOE), certamente o mais importante programa de inovação em biocombustíveis do mundo, se concentravam no etanol celulósico. O resultado esperado desse grande esforço de inovação estava refletido nas metas de consumo de etanol 2G do RFS (Renewable Fuels Standard).
Entre 2007 e 2009, mais de 30% dos recursos aplicados – US$ 200 milhões anuais, em média – eram dirigidos diretamente ao etanol celulósico. Somente em 2010 as aplicações em biocombustíveis não etanol e outros produtos se tornaram expressivas, atingindo em 2011 mais de 40% do total de recursos aplicados. Pouco se falava dos combustíveis drop ine dos demais bioprodutos, como químicos e plásticos, como alvo dos projetos inovadores. Entretanto, a produção comercial de etanol 2G, como não é raro em inovações mais ambiciosas, revelou-se uma meta muito mais difícil do que se esperava. Houve fracassos, decepções e mudanças de planos. Empresas deixaram de existir, como a Range Fuels. Projetos de demonstração pioneiros acabaram não se viabilizando em escala comercial, como o da Iogen. Projetos tiveram que rever seus conceitos iniciais, como o da Coskata que trocou a biomassa pelo gás natural como matéria-prima. Como consequência, as metas do RFS não foram atingidas no tempo previsto.
Finalmente, o etanol 2G – etanol baseado em materiais lignocelulósicos como resíduos agrícolas e florestais – parece estar se concretizando com o início de operação das primeiras plantas em escala comercial. Em 2013, começou a operar a planta da Beta Renewables (Grupo M&G) em Crescentino, na Itália. Em 2014, três outros projetos importantes estão iniciando a produção em escala: Du Pont e Poet/DSM, nos EUA, e Granbio, no Brasil. Ainda no Brasil, Raizen está concluindo também uma planta e Petrobras tem um projeto em definição. Os projetos americanos são baseados em resíduos agrícolas do milho, Granbio utiliza a palha da cana e Raizen o bagaço.
Estamos vivendo finalmente a concretização do etanol 2G? Parece que sim. Cabe então perguntar o que isso representa para os biocombustíveis e para o desenvolvimento da bioeconomia?
Para os biocombustíveis representa um aumento considerável de produtividade em relação à área plantada em cana ou milho. No caso brasileiro, fala-se de um aumento potencial de 30 a 40% da produção para uma usina que aproveitasse os resíduos de palha e bagaço. Naturalmente, para que esse efeito atinja volumes expressivos no mercado será necessário que as plantas pioneiras sejam bem sucedidas, que atinjam os patamares de competitividade almejados e a inovação se difunda.
O etanol 2G representa ainda a definitiva entrada do etanol na classe dos biocombustíveis avançados que é definida em função da performance ambiental. Esse efeito é particularmente importante no caso do milho e outros resíduos agrícolas ou florestais. O etanol convencional brasileiro de cana tem desempenho ambiental que já atinge os parâmetros do EPA para biocombustíveis avançados. Mas a produção 2G valoriza essa dimensão ambiental ao reforçar esse desempenho e ao utilizar matéria-prima não destinada à produção de alimentos.
No caso brasileiro, o etanol 2G chega num momento de crise da indústria. Certamente a política de preços da gasolina é crucial para a sobrevivência da indústria. Mas a saída da crise só se concretizará se for encontrada uma nova trajetória de prosperidade e crescimento. A indústria brasileira de etanol precisa identificar oportunidades existentes no ambiente dinâmico e desafiador da bioeconomia e se capacitar para explorar essas oportunidades. O etanol 2G pode ser um primeiro e grande passo nessa direção.
O novo etanol exige a incorporação de novos conhecimentos e o desenvolvimento de novas competências que começam já nos desafios para a organização do suprimento de matéria-prima. A utilização da palha da cana, além dos estudos necessários para definir quantidade e forma de retirada dos resíduos do campo, exige o desenvolvimento de equipamentos e procedimentos operacionais totalmente desconhecidos da indústria. Esses desafios têm sido enfrentados pela Granbio em sua planta pioneira em Alagoas e também pela DuPont, nos EUA, junto aos produtores de milho. Os relatos das empresas ilustram a complexidade dos problemas que devem ser resolvidos e a quantidade de esforços que têm que ser realizados para adquirir as competências necessárias para organizar uma cadeia de suprimento de resíduos agrícolas.
As tecnologias para fazer o tratamento da palha ou do bagaço para liberar os açúcares simples contidos na celulose e hemicelulose são um passo incontornável para o futuro da exploração da biomassa como matéria-prima industrial. A biotecnologia avançada precisa de açúcares para os processos fermentativos e enzimáticos e o chamado açúcar de segunda geração – o açúcar contido nos materiais lignocelulósicos – é o ponto de partida da indústria do futuro. Já discutimos a importância estratégica do açúcar em postagem anterior. A produção do etanol 2G exige a conversão dos resíduos em açúcares fermentáveis em escala industrial. Se essa conversão consegue ser feita a custos competitivos, a disponibilidade de açúcares fermentáveis, não alimentícios, pode viabilizar grandes oportunidades de inovações de produtos, como novos combustíveis, produtos químicos e plásticos. A familiaridade com um processo industrial mais complexo, a disponibilidade dos açúcares 2G e a eventual separação dos açúcares de cinco e seis carbonos são fatores que abrem para o produtor de etanol 2G e outros entrantes, como as empresas da química e petroquímica, da indústria de papel e celulose, e das startups de base tecnológica, novas oportunidades de novos produtos. (…) O texto continua no Blog Infopetro.
Athos
25 de setembro de 2014 3:06 pmEste assunto me.da
Este assunto me.da uma.depre.
Repararam quem.está na.liderança no mundo? Não é o Brasil!
EUA produzem mais álcool que o Brasil. Estamos importando, kkkkkkkk.
E vamos ficar batendo palmas?
Bate palmas pra que?
Roberto São Paulo-SP 2014
25 de setembro de 2014 10:46 pmGranBio inicia produção de etanol de segunda geração
—-A GranBio é controlada pela GranInvestimentos S.A., holding da família Gradin, e tem a BNDESPar, empresa de participações do BNDES, como acionista minoritário, com 15% do capital total.—–
Empresa dá início às operações da primeira planta de etanol celulósico do Hemisfério Sul
GranBio—São Paulo (SP), 24 de Setembro de 2014 -pdf
A GranBio, empresa de biotecnologiaindustrial 100% brasileira, iniciou produção na primeira fábrica de etanol de segunda geração (2G) em escala comercial do Hemisfério Sul. A Bioflex 1, unidade construída em São Miguel dos Campos, Alagoas, tem capacidade inicial de produção de 82 milhões de litros de etanol por ano.
O etanol 2G da GranBio é o combustível produzido em escala comercial mais limpo do mundo em intensidade de carbono – 7,55 gCO2/MJ, índice comprovado pelo Air Resources Board (ARB), da Califórnia. O cálculo leva em conta as emissões de CO2 desde a coleta da matéria-prima, passando pelos insumos e consumo de energia, até o transporte e distribuição em porto da Califórnia. Nenhum outro combustível produzido em larga escala é mais vantajoso para o meio ambiente e para reversão das mudanças climáticas que o da GranBio, primeira produtora de etanol 2G a ter a pegada de carbono aprovada pelo órgão americano.
Para viabilizar o projeto, a GranBio, controlada pela GranInvestimentos S.A., investiu US$ 190 milhões na construção da fábrica e US$ 75 milhões no sistema de cogeração de vapor e energia elétrica, esse último em conjunto com a Usina Caeté, do Grupo Carlos Lyra. As obras foram concluídas em 20 meses, menor prazo se comparado a qualquer outro empreendimento desse porte, e foram gerenciadas pela GranEnergia, empresa também controlada pela GranInvestimentos S.A.
“Quando anunciamos a construção da fábrica em Alagoas, em meados de 2012, assumimos o risco da inovação e do pioneirismo em um projeto com potencial transformador para as indústrias de biocombustíveis e bioquímicos”, afirma o presidente da GranBio, Bernardo Gradin.
“Mais do que a inauguração de uma fábrica, esse projeto é uma prova de que o Brasil pode liderar a indústria de biotecnologia
mundial a partir de seu potencial agrícola”, diz Gradin.
O Brasil tem potencial de aumentar em 50% a produção de etanol apenas com uso de palha e bagaço, sem necessidade de ampliação de canaviais. A GranBio desenvolveu um sistema de coleta, armazenamento e processamento de palha equivalente a 400 mil toneladas por ano para a Bioflex 1, o que o coloca entre os maiores e mais competitivos do mundo.
A fábrica da GranBio utiliza a tecnologia de pré-tratamento PROESA ® da empresa italiana BetaRenewables (empresa do Grupo M&G), as enzimas da dinamarquesa Novozymes e as leveduras da holandesa DSM.
GranBio e Caeté investem US$ 75 milhões em solução inédita de bioenergia
A GranBio e a Usina Caeté, do tradicional grupo alagoano Carlos Lyra, criaram uma parceria para a produção integrada de vapor e energia elétrica. Instalado ao lado da Bioflex 1, o sistema de cogeração é alimentado com bagaço de cana-de-açúcar e lignina – subproduto gerado no processo de produção do etanol de segunda geração.
Trata-se de uma solução inédita de bioenergia no Brasil, pois é a primeira vez que a lignina será usada para esse fim na indústria sucroalcooleira. O investimento conjunto das empresas chegou a US$ 75 milhões.
A caldeira do sistema de cogeração permanecerá em operação durante onze meses no ano, o equivalente a oito mil horas, no período de safra e entressafra da usina Caeté. Assim, além de atender às necessidades das duas fábricas, a caldeira gerará um excedente de energia elétrica da ordem de 135.000 MWh/ano – o suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes -, que será comercializado e se tornará uma fonte de renda para as empresas.
O investimento em bioenergia reforça uma tendência irreversível no mercado de energia do Brasil. Além de uma alternativa para suprir a demanda do País, a geração de energia com resíduos antes deixados no solo proporciona uma redução considerável na emissão de CO2 para o meio ambiente.
Sobre a GranBio
Fundada em 2011, a GranBio é uma empresa brasileira de biotecnologia industrial, controlada pela GranInvestimentos S.A., que cria soluções para transformar biomassa em produtos renováveis. Pioneira na produção de etanol celulósico, ou de segunda geração (2G), no Hemisfério Sul, a companhia é a única do setor que atua do começo ao fim da cadeia produtiva – da matéria-prima à distribuição do produto final -, integrando tecnologias próprias e de parceiros.
Mais informações: http://www.granbio.com.br
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GranBio—-Quem Somos
A GranBio é uma empresa brasileira de biotecnologia que cria soluções para transformar biomassa em produtos renováveis, como biocombustíveis e bioquímicos. Com um modelo inovador de negócios, a companhia é a única do setor que atua do começo ao fim da cadeia produtiva – da matéria prima à distribuição do produto final – , integrando tecnologias próprias e de parceiros.
Criada em junho de 2011, a GranBio opera a primeira planta em escala comercial de etanol de segunda geração (2G) do Hemisfério Sul, um projeto sem precedentes na indústria brasileira. A fábrica – batizada de Bioflex 1 – está em funcionamento desde setembro de 2014, em Alagoas. A produção do biocombustível feito com palha e bagaço de cana-de-açúcar, matéria-prima que até então era descartada ou queimada nos canaviais, coloca a companhia entre as empresas mais sustentáveis do planeta no setor.
Eleita em 2013 uma das empresas mais inovadoras da América do Sul pela revista americana Fast Company, a GranBio possui um Centro de Pesquisas em Biologia Sintética e uma Estação Experimental para desenvolvimento de novas fontes de biomassa. Desde 2013 também tem participação na empresa americana de tecnologias limpas, American Process Inc., API.
Na área de bioquímicos, é parceira da Rhodia – empresa do Grupo Solvay – em um projeto mundialmente pioneiro para produção de bio n-butanol, usado na fabricação de tintas e solventes.
A GranBio é controlada pela GranInvestimentos S.A., holding da família Gradin, e tem a BNDESPar, empresa de participações do BNDES, como acionista minoritário, com 15% do capital total.
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