21 de maio de 2026

Oportunismo na Seca Amazônica de 2024?, por Augusto Rocha

Um armador internacional colocou alerta de sobrepreço por “águas baixas” a partir de 15/08/2024, para todas as rotas de ou para Manaus
Pixabay

Oportunismo na Seca Amazônica de 2024?

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

Carcará é uma ave que pode ser avistada em diversas regiões das Américas. No Nordeste brasileiro é percebida como uma ave de rapina, que foi imortalizada pela dupla Chico Buarque e João do Vale, denunciando a opressão e ataques covardes. Muito associada com a seca nordestina, em nosso imaginário cultural, podemos neste instante de potencial repetição ou agravamento da seca de 2023, no 2024 amazônico, ver ressurgir a lembrança da ave de rapina com outro tipo de oportunista da seca, que mesmo sem a presença dela, já insere custos adicionais.

Em 02/07/2024 um armador internacional colocou alerta de sobrepreço por “águas baixas” a partir de 15/08/2024, para todas as rotas de ou para Manaus, com US$ 5,900.00 de sobretaxas – independentemente de todas as ressalvas aplicadas à notificação, o fato simples é que a cobrança adicional está posta, por mais que o mesmo grupo tenha noticiado que a restrição de calado possa acontecer entre 15/09/2024 e o início de 2025. A sobretaxa começa antes mesmo da confirmação do problema.

Mesmo que exista uma operação de emergência em curso, com a dragagem da região mais crítica em contratação pelo Governo Federal, pelo DNIT. A atitude do grande armador deixa implícito que não há perspectiva de a ação ser eficaz, mesmo que ela tenha sido apontada como a solução pelos próprios operadores de cabotagem da região. A propósito, no último ano, a mesma empresa cobrou, a partir de 28/08/2023 uma sobretaxa de US$ 1,100.00 para exportação desde Manaus e US$ 700.00 para importação, quando tivemos uma situação extrema e recorde.

O grande aumento me fez lembrar imediatamente do Carcará, afinal a ave de rapina é vista em todas as américas, seja em Manaus, Fortaleza ou algumas cidades do Caribe ou Estados Unidos, tal qual grandes armadores. Em 18/09/2023, o mesmo armador, subiu a tarifa de importação para US$ 2,200.00 de sobrepreço, mas agora em julho, já anuncia para agosto, começar com US$ 5,900.00. Assim, todos que imaginavam condições extremas, podem se preparar para condições ainda mais extremas, pelo lado da natureza humana.

Independente do autor do aumento de custos acima, é importante observar que os grandes navios que operam contêineres na Amazônia são parte de grupos internacionais. A Maersk, por exemplo, que opera longo curso (do exterior para Manaus), controla Hamburg Süd (antiga Aliança Navegação) que opera cabotagem (do Brasil para Manaus) é a maior do mundo, com mais de 600 navios, seguida pela MSC, com cerca de 500 navios e pela CMA CGM (que controla a Mercosul Line, que também opera em Manaus), com pouco mais de 500 navios, mas com menos TEUs do que a anterior.

Quando as indústrias se assustaram com os custos excessivos pela seca em 2023, que superaram R$ 1,4 bilhão, esperavam melhor planejamento de toda a cadeia uma grande revisão de custos para viabilizar uma operação mais bem planejada e com custos contidos. Houve reuniões com armadores e interações com os agentes de governo ligados com a infraestrutura e tudo demonstrava algum caminho construtivo de soluções equilibradas. A nota de aumento preventivo e muito superior aos custos do ano passado eliminou a confiança em recuperação. Faz sentido ter esperança no cancelamento da decisão já anunciada?

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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