10 de junho de 2026

As praças brasileiras e os heróis inventados, por Ricardo Mezavila

Qualquer ato contra símbolos burgueses repressores, escravocratas, e de seguimento capitalista que oprimiu povos originários e negros, é legítimo e necessário para abrir discussão sobre suas representatividades e exposições.

As praças brasileiras e os heróis inventados

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por Ricardo Mezavila

A extrema direita conseguiu pautar as manifestações do 24J, não por méritos próprios, mas pela precipitação de um ato realizado fora de tempo e lugar, embora estivesse dentro do contexto macro dos tópicos das manifestações.

Os protestos eram contra o governo genocida de Jair Bolsonaro, a favor da vacina e pelo auxílio emergencial de R$600, porém o grupo Revolução Periférica, que traz reivindicações pertinentes sobre a prevaricação do trabalho, ateou fogo a uma estátua que serviu para que o ato fosse subitamente desqualificado.

Qualquer ato contra símbolos burgueses repressores, escravocratas, e de seguimento capitalista que oprimiu povos originários e negros, é legítimo e necessário para abrir discussão sobre suas representatividades e exposições.

As praças das cidades brasileiras são poluídas com estátuas de heróis inventados, patronos assassinos, criminosos condecorados, reis bufões, príncipes covardes, patriarcados misóginos, que inspiram aberrações como a da secretaria de comunicação do governo, que homenageou o Dia do Agricultor, com a gravura de um jagunço com uma espingarda sobre o ombro.

O questionamento sobre a ação contra a estátua é de caráter estratégico, não de legitimidade. Será que o 24J era o momento adequado para incendiá-la? A massa está preparada para entender essa ação específica contra uma estátua que ela normaliza desde 1963? Debater o tamanho da estátua diante do tamanho de uma fila de pessoas com fome e frio não seria mais produtivo?

Um dos organizadores do ato e membro do Revolução Periférica, Paulo Galo, foi detido preventivamente pela polícia. Desconheço se a prisão é legal, mas é claramente um aviso do Estado burguês contra a população organizada.

A  justiça não tem a mesma pressa e peso com envolvidos não periféricos, como o empresário que teve negada queixa-crime por ter ameçado de morte o ex-presidente Lula. Deixo aqui minha solidariedade ao companheiro Galo e todo o grupo.

Ricardo Mezavila, cientista político

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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