E quando a “banalização do mal” acomete as vítimas, além dos opressores?, por Eduardo Ramos

É aí que entra a pergunta-título desse artigo: "E se banalizamos, nós, as vítimas do GENOCIDA, o mal em nosso meio social...?" - Qual a saída? O que pode nos despertar desse torpor?

E quando a “banalização do mal” acomete as vítimas, além dos opressores?

por Eduardo Ramos

Em seus livros extraordinários, que viraram quase que uma “jurisprudência literário-filosófica” sobre esse tema, a banalização dos motivos e impulsos que levam pessoas e grupos sociais a oprimirem de modo inacreditavelmente sádico e perverso a um determinado grupo de seres humanos tratados com desprezo e ódio, Hannah Arendt construiu um arcabouço quase completo sobre eles, os opressores. Todos sabemos da origem, do insight inicial de sua teoria, quando percebeu não só o quanto eram comuns os oficiais nazistas que comandaram o Holocausto e o cumpriram, mas igualmente comuns, BANAIS, suas justificativas para os crimes bárbaros cometidos.

E apesar de falar, obviamente, sobre as vítimas e os porquês de sua covardia e aceitação, o cerne de sua obra foi mesmo o papel do opressor, a banalização do mal pela ótica de quem o planejou, interiorizou e praticou, como se nada fosse.

Trazendo essa realidade para o Brasil de hoje, podemos dizer que a maioria absoluta dos nossos articulistas e/ou pensadores, falam exaustivamente do governo GENOCIDA e bestial de Jair Bolsonaro, – com toda a razão! – e seus erros e jeitos grosseiros, dementes, odiosos, incivilizados a um nível absurdamente intolerável, que nos fez e faz motivo, enquanto nação, de dois dos piores sentimentos que uma sociedade pode despertar em olhos alheios (os outros países…): desprezo e compaixão! – porque não se respeita mais um país assim visto, dele se quer distância, seus cidadãos são mal vistos, é a situação degradante consagrada numa expressão: tornamo-nos PÁRIAS INTERNACIONAIS!

É aí que entra a pergunta-título desse artigo: “E se banalizamos, nós, as vítimas do GENOCIDA, o mal em nosso meio social…?” – Qual a saída? O que pode nos despertar desse torpor? Como ganhar as ruas em meio à pandemia? Queremos mesmo ir às ruas? Teríamos as milhões de pessoas necessárias a exercer influência sobre mídia / Judiciário / Forças Armadas / Congresso Nacional, para que parassem de tratar Bolsonaro como “um governante ruim”, e passassem a tratá-lo pelo que é, um ser demente, irracional, perverso, estimulador de ódios e um projeto de ditador autoritário, à espera apenas de uma oportunidade, uma brecha, para virar o nosso Hitler tropical…? Porque fingimos que podemos esperar uma eleição que ocorrerá (será…???) daqui a um ano e seis meses, enquanto o país sangra, morre, cria uma miríade de desempregados famintos, e é humilhado de modo definitivo em todo o planeta por essa figura grotesca a comandar o nosso destino de dos nossos filhos, a futura geração? Urge descobrirmos as respostas para essa questão.

Os empresários já provaram que, em sua maioria, estão “fechados com o Jair”. Um dia, serão lembrados como os empresários alemães que serviram a Hitler alegremente em seu nazismo doentio e maligno. O BTG Pactual que o diga: poucas semanas depois de ovacionar o seu líder, teve um leilão feito a toque de caixa no Rio e abocanhou parcela da CEDAE – a falta de dignidade e vergonha é lucrativa, quando se ajoelha diante dos Bolsonaros da vida.

A grande mídia, como já falamos reiteradas vezes, não usa dez por cento do tom catastrófico e bombástico com que criticava Lula, Dilma e o PT, ao contrário, um tom monocórdico, sonolento, quase nos nina a um sono tranquilo, enquanto vemos os horrores de Jair passando nas telas televisivas – uma tentativa de indução de que é “tudo normal”, talvez?

O Judiciário oscila, entre entusiasmados seguidores de Jair, os que se mantêm “neutros” (sic), viúvas da Lava Jato como o grande Barroso, e os que estão tentando tirar o Judiciário e o país do torpor, do erro do passado, da catatonia, como os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Fizeram muita coisa liberando Lula para enfrentar o ser bestial, mas ainda é pouco!

E, por fim (e isso mereceria um artigo à parte), temos os militares! Talvez nem na ditadura tenham envergonhado tanto a si mesmos, se coberto tanto de degradações e humilhações perenes, quanto nesse período, que, SEM JUSTIFICATIVA ALGUMA, intrometeram-se na política, apoiaram um juiz insano e autoritário como Sérgio Moro, apoiaram por debaixo dos panos um impeachment sem motivos, pressionaram pelo julgamento e prisão de Lula, se calaram diante da prisão e humilhação de um dos mais dignos e patriotas dos militares, por Moro, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e por fim, ajoelharam-se diante do tenente que eles mesmos, militares, trataram como uma aberração, um quase demente, Jair Bolsonaro… Fica a impressão que estão divididos entre os que não estão nem aí, desde que prossiga a farra de cargos e dinheiro, e os que, envergonhados por tudo, sentem-se sem forças para reagir diante do posicionamento indigno do alto comando.

Estamos, portanto, meio que à deriva! As instituições, essas mesmas que em países dignos e civilizados são o ESTEIO CONFIÁVEL, aqui, chafurdam no pântano fétido do ser bestial. Ou, talvez, falte apenas alguém lançar uma espécie de “grito inicial”, para que todos saiamos desse sono, dessa omissão medrosa, alguém que grite um “Basta!”. Poderia vir de um general, um político, uma instituição do Judiciário, mas é tão pouco provável…

O que eu sei, e essa é a intenção do artigo, é que BANALIZAMOS O MAL EM NOSSO MEIO, NÓS, AS VÍTIMAS!

Caminhamos céleres para MEIO MILHÃO DE MORTOS!

O país segue sendo fatiado e vendido, o desemprego aumenta, a fome virou epidêmica, Bolsonaro não para de falar sandices, a economia anda no automático, sem diretriz alguma, e todos secamos as lágrimas de tantas notícias de amigos e parentes de amigos morrendo diariamente, apavorados, sem saber se não seremos nós os próximos a colocar o aviso de luto nas redes sociais.

Basta! Já passou a hora de agirem com coragem os que têm cargo e autoridade para tal. E nós, de fazermos com que eles saibam de modo radical e inequívoco, que não aceitamos mais esperas.

Nem um dia!

(eduardo ramos)

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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