Mais um militar ‘especialista’ é apontado nas investigações, por Hugo Souza

O nome do coronel Hélcio chegou a ser citado no inquérito das Fake News, no depoimento do notório empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, acusado de disparos em massa de notícias falsas e de integrar o chamado "gabinete do ódio".

Mais um militar ‘especialista’ é apontado nas investigações

por Hugo Souza

Em dois dias surgiram dois novíssimos nomes de milicos diretamente envolvidos no genocídio. São como miríades de estrelas no céu.

O nome mais fresquinho é o do tenente-coronel da reserva Hélcio Bruno de Almeida, que se esmerou com Amilton, Cristiano, Dominghetti, et caterva para viabilizar a venda de um lote fake de vacinas Astrazeneca para o SUS. Tudo, até os paralelepípedos já sabem, sob o gerenciamento naturalmente atrapalhado – além de criminoso – do presidente da República “no tocante” às facções em luta pelo butim do atraso deliberado da vacinação contra a covid-19 neste país.

Ao contrário de Cristiano e Dominghetti, mais este milico não é figura surgida de súbito nas entranhas do desgoverno. No dia 21 de janeiro de 2019, quando o verme miliciano saiu do país pela primeira vez após sua posse como chefe de Estado desta várzea, Hamilton Mourão assumiu a presidência pela primeira vez. Naquele dia, imbuído do mais alto cargo da República, Mourão se reuniu com ele, o coronel Hélcio Bruno de Almeida, “especialista em defesa e segurança com atenção no combate ao terrorismo”.

Hélcio Almeida é presidente do Instituto Força Brasil, “instituição apolítica, conservadora e cristã” que ao longo da pandemia reincidiu em baralhar, confundir, desinformar, espalhando coisas como “Donald Trump alerta para os efeitos adversos das vacinas contra a covid-19”. O nome do coronel Hélcio chegou a ser citado no inquérito das Fake News, no depoimento do notório empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, acusado de disparos em massa de notícias falsas e de integrar o chamado “gabinete do ódio”.

Fakhoury, ora viva, é vice-presidente do Instituto Força Brasil e sobre vacinas contra a covid-19 dizia que “não sou contra a vacina, mas acho que não pode haver pressa”. No fim de abril, Bolsonaro estrelou um jantar com “mulheres empresárias” em São Paulo, mais precisamente no Palácio Tangará. O convescote foi amplamente noticiado pela mídia. O que não foi muito difundido é que o jantar, inicialmente, estava marcado para a casa de Otávio Fakhoury, mas foi transferido por causa do grande número de convivas.

Vou desenhar: o retardo deliberado da vacinação no Brasil se deu via gelo na Pfizer, boicote ao Butantã, é claro, mas também baralhando, confundindo, gerando desconfiança com as vacinas que podem transformar o cabra em jacaré. Depois, criada a demanda reprimida, vamos às vacinas da Bharat, CanSino, do reverendo Amilton, cabo Dominghetti, coronel Hélcio “combate ao terrorismo” Almeida, com os devidos e respectivos “pixulés”.

É tipo a cena do filme: o sujeito chega para comprar o gás na tradicional vendinha do bairro, e aí depara com um soldado raso da milícia que assim informa: “tio, o gás agora o senhor vai comprar ali, ó, primeira à direita, depois direita de novo, aí o senhor agora compra o seu gás lá, beleza, tio? Talquei?”.

Em tempo: em 2019, a Senah, a organização do reverendo Amilton Gomes de Paula, ligado ao sionismo, instalou em Brasília uma tal Embaixada Mundial da Paz. Na foto deste post, a placa de inauguração foi encabeçada pelo brasão de armas do Brasil, ladeado pelos logotipos do governo Ibaneis do DF e da própria Senah. Abaixo, na placa, constam os nomes do presidente da República e do reverendo Amilton, juntos e misturados.

Bem, não é de hoje que o reverendo Amilton toca uma agenda paralela com a chancela, com brasão e tudo, do governo federal.

Hugo Souza é jornalista

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1 Comentário

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Marcio Cruzeiro

- 2021-07-08 15:45:16

E o Mau Cheiro só Aumenta !!!

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