O Brasil do insulto, por Henrique Matthiesen

Precisamos de uma mensagem de unidade nacional baseada no desarmamento polarizante, onde as pontes do diálogo e do desenvolvimento econômico, social e humanístico sejam o cerne da política nacional.

O Brasil do  insulto

por Henrique Matthiesen

Tempos estranhos vive a sociedade brasileira, cuja deterioração reside de um tempo pretérito não muito distante, onde a contaminação, ou melhor, o envenenamento político e social adoeceu gravemente o povo brasileiro.

As causas são sabidas  e recorrentes,  embora hoje as consequências inimagináveis e perturbadoras – para não dizer genocidas exterminantes – enchem os cemitérios e dividem a sociedade.

Escala insana e inadvertida da polarização política, no reflorir dos preconceitos e ódios de classes, na recorrente e eficiente marginalização e rotulação das forças progressistas, taxadas na narrativa da classe dominante de “comunistas e corruptas”, levou mais uma vez o Brasil ao obscurantismo.

Hoje os argumentos foram substituídos pelos berros neuróticos desprovidos de racionalidade e que ninguém escuta ninguém no prevalecer da polarização do retrocesso, e na bestialização pronta a explodir em violência e rupturas.

O que prevalece como palavra de ordem é insultar; afinal, a materialização verbal desta atitude visa exclusivamente ofender, injuriar, agredir, ultrajar o outro por meio do insulto: eu insulto, tu insultas, ele insulta, nós insultamos, vós insultais, eles insultam.

É perturbador verificar o exaurimento dos argumentos, a perda exonerável das humanidades, o germinar dos antigos e nefastos preconceitos de classe, e a ganância de nossas elites apodrecidas de mediocridades e mesquinharias.

Nem mesmo a mortandade de mais de 400 mil brasileiros – fruto de um negacionismo e  de ingerências políticas – é capaz de frear a marcha da insensatez e abrandar polarizações deletérias à brasilidade.

É preciso reconstruir o país economicamente e socialmente, mas mais urgente e imperioso é reconstruir humanamente baseando-se em valores mais edificantes e menos bestializados, assim como pregava Paulo Freire que acertadamente junto com Darcy Ribeiro enxergavam que somente pela educação edificaremos uma civilização mais humanista e menos ferina.

A reprodução e perpetuação dos estratos sociais com suas cargas hereditárias de preconceito e ódio de classe precisam ser enfrentadas e debatidas com franqueza e com generosidade. Secularmente reprodutivas em mais do mesmo, beiram o estopim da insanidade em um beligerante e irresponsável processo de intolerâncias e enfrentamentos que não deixará vencedores, apenas cadáveres em meios aos destroços sociais que a polarização entre o “bem e mal” reproduz.

Precisamos de uma mensagem de unidade nacional baseada no desarmamento polarizante, onde as pontes do diálogo e do desenvolvimento econômico, social e humanístico sejam o cerne da política nacional.

O exercício do insulto já deixou milhares de vítimas. Os retrocessos se avolumam a cada dia, a deterioração social grita de fome, de desassistência e de indignidade, assim como os insanos sofistas do ódio contam seus lucros e seu poder político que aumentam, cotidianamente, devido a patologia da intolerância e da aversão germinada e adubada por preconceitos e ganância.

Basta!

É urgente unir o Brasil e necessário edificar uma nova sociedade.

Não é mais possível tanta ignorância e tanto ódio.

Henrique Matthiesen – Formando em direito. Pós-Graduado em sociologia.

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