Bolsonaro diz que é preciso “zelo nas indicações das embaixadas”

Da Argentina, onde participa de encontros da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, presidente confirma a indicação do filho Eduardo para assumir embaixada em Washington

Eduardo Bolsonaro. Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Após voltar a confirmar que seu filho Eduardo Bolsonaro será indicado para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, Bolsonaro comentou que é preciso “zelo nas indicações das embaixadas”. A declaração aconteceu nesta quarta-feira (17), durante discurso na 54ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na cidade de Santa Fé, na Argentina.

“Compartilhamos aqui entre nós a visão de que para cumprir o seu papel de um motor do desenvolvimento, o nosso bloco deve concentrar-se em três áreas: As negociações externas, aí com o grande apoio do meu ministro das Relações Exteriores, no zelo das indicações das embaixadas, também sem mais o viés ideológico do passado, e quem sabe um grande embaixador nos EUA brevemente. Então, focamos nisso, na nossa tarifa externa comum, em nossa reforma institucional”, disse Bolsonaro, segundo informações do portal G1.

No dia 12 de julho, sexta-feira passada, o presidente anunciou, dois dias depois de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) completar 35 anos, que estudava a possibilidade de tornar o filho e deputado federal embaixador em Washington. Ao ser questionado se a proposta não se configurava como nepotismo, Eduardo respondeu à imprensa:

“Não sou um filho de deputado [em referência ao presidente] que está do nada vindo a ser alçado a esta condição. Tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara], tenho uma vivência pelo mundo”, disse enquanto saia de uma reunião no Palácio do Itamaraty, sede do diplomacia brasileira, acrescentando: “Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine”.

Leia também:  Governo de Pernambuco comemora operação da PF que enfraquece oposição ao PSB; entenda

A fala causou risadas de brasileiros justificando uma série de piadas compartilhadas nas redes sociais, uma delas é que a atriz e cantora Gretchen teria as mesmas qualificações para comandar a embaixada do Brasil nos EUA.

A legislação permite ao presidente da República indicar embaixadores que não sejam ligados à carreira diplomática para chefiar embaixadas no exterior. Ainda hoje (17), o presidente disse à imprensa que o filho terá que cumprir algumas etapas para assumir o cargo, que inclui uma consulta ao governo norte-americano.

Como ser um diplomata no Brasil

O diplomata representa o Brasil em outras nações e tem participação fundamental na negociação de acordos em nome do país, além de dar apoio aos brasileiros em viagem ou que vivem fora do território nacional. O funcionário público que assume esse cargo também deve obter informações importantes sobre a política externa.

Entre os assuntos que o diplomata precisa lidar estão: direitos humanos, meio ambiente, educação, energia, paz e segurança, temas financeiros, promoção comercial, cooperação para o desenvolvimento e promoção da cultura brasileira.

Tradicionalmente, para se tornar um diplomata do governo brasileiro, a pessoa precisa ter algum curso de nível superior (em qualquer área) e ser aprovado no Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco (IRBr), órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores. O concurso tem quatro fases – na primeira, o aspirante precisa provar conhecimento nas línguas portuguesa e inglesa; na quarta fase são aplicadas provas de francês e espanhol.

Após passar no concurso, o aluno inicia um curso de dois anos de duração, com aulas em período integral. Só após essa fase, pode fazer outros cursos para evoluir na carreira de diplomata.

4 comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome