Finalmente, Deltan se dispõe a falar sobre seu patrimônio

Agradecemos antecipadamente as respostas - que, temos certeza, serão fornecidas - e nos colocamos à disposição para seus esclarecimentos.

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol enviou e-mail solicitando Direito de Resposta em relação aos amigos que narraram o aumento patrimonial da família Dallagnol.

No e-mail, inicialmente Deltan acusa publicações de “falsas especulações publicadas de modo leviano e sem qualquer consulta prévia. Trata-se de um ataque desrespeitoso, injusto, mentiroso e, para quem o promove, vergonhoso”.

Saliente-se que, ao longo de toda Lava Jato, Deltan não esclareceu nenhuma das dúvidas sobre sua conduta, mesmo quando submetido a “consultas prévias”.

Louvamos, agora, seu assomo de republicanismo, e a admissão de que figura pública, funcionário público como ele, deve respostas sobre sua vida profissional, especialmente sobre o patrimônio constituído ao longo da carreira de servidor.

Por isso, publicamos a resposta e, em seguida, as indagações sobre várias informações que circularam sobre ele.

Direito de Resposta

NOTA OFICIAL

AS MENTIRAS

1. É imensa a covardia promovida pelo ativismo de extremos, que tenta gerar conteúdo negativo falso para atingir a imagem de Deltan Dallagnol, com base em falsas especulações publicadas de modo leviano e sem qualquer consulta prévia. Trata-se de um ataque desrespeitoso, injusto, mentiroso e, para quem o promove, vergonhoso.

2. Alegando-se jornalísticas, algumas dessas publicações tentam criar falsas afirmações de que Deltan teria adquirido em caráter permanente dois apartamentos, um deles para fins de especulação imobiliária. Ainda especulam que o condomínio superaria R$ 10 mil reais, o que é muito discrepante do valor real, mostrando mais uma vez a má-fé na construção das falsas publicações. Por fim, as publicações fazem ataques especulativos sobre negócios de familiares que não têm relação com Deltan e sua esposa.

A VERDADE

1. O casal Dallagnol adquiriu um apartamento no terceiro andar de um edifício em Curitiba, no final de 2018, por R$ 1,8 milhão. E realizou diversas reformas, valorizando o imóvel em que iria morar com sua família. Ocorre que, diante do anúncio de outro apartamento em andar mais alto, o casal decidiu colocar à venda o primeiro por R$ 2,7 milhões, preço compatível com as melhorias feitas e a valorização dos imóveis da região no período.

2. E, de forma parcelada, em sessenta meses de financiamento imobiliário, a família Dallagnol adquiriu o outro imóvel, em estado de conservação que demanda novas reformas, por meio de leilão público. O valor de compra ficou por R$ 2,2 milhões, incluindo as despesas condominiais em atraso e o pagamento de leiloeiro.

3. Cabe destacar que os dois imóveis foram sucessivamente adquiridos com recursos declarados à Receita Federal, sendo plenamente compatíveis com o patrimônio do casal Dallagnol.

4. Os negócios dos pais e irmã de Deltan Dallagnol são compatíveis com o patrimônio e renda deles declarados à Receita Federal e não têm relação com Deltan e sua esposa.

AS MENTIRAS SOBRE A ESPOSA DE DELTAN

1. Publicações também atacam Fernanda Dallagnol, esposa de Deltan, por ter constituído uma empresa de consultoria gerencial e comprado um imóvel, dando a entender, sem qualquer base na realidade, que o capital social seria incompatível com seu patrimônio e renda.

A VERDADE SOBRE A ESPOSA DE DELTAN

1. Fernanda Dallagnol atua na área gerencial há anos e possui mestrado em administração em Harvard. Sua empresa tem capital social de R$ 110.000,00 e o imóvel adquirido custou R$ 143 mil, o que está alinhado com sua capacidade financeira e foi declarado em seu imposto de renda”.

Solicitamos, por gentileza, a inclusão da nota oficial à referida matéria, para registro do nosso contraponto às informações veiculadas pelo site Jornal GGN.

Equipe DMD

Pedido de informações

Aqui, as questões encaminhadas pelo GGN à sua assessoria:

A verdade sobre os negócios mencionados

1. No mesmo espaço de tempo, ocorreram os seguintes eventos:

* pedido de demissão do Ministério Público Federal, abrindo mão do salário recebido;

* abertura de várias empresas em nome de familiares de Deltan;

* abertura de empresa e compra de escritório em nome da esposa de Deltan;

* compra de um apartamento em nome da esposa de Deltan.

A que Deltan atribuiu essa coincidência de eventos?

2. Qual a razão da compra do segundo apartamento, no mesmo prédio em que adquiriu o primeiro, tenha sido em nome da esposa, e não do casal? Teria sido para fugir da proibição de procuradores, juízes e funcionários do sistema de justiça de participar de leilões judiciais em suas áreas de atuação?

3. Apartamentos em lugar mais alto são mais caros. Deltan diz que colocou à venda seu apartamento por R$ 2,7 milhões. E adquiriu outro, em andar mais alto, avaliado em R$ 2,6 milhões no leilão. A que atribui a diferença de preços, apenas ao estado de conservação? 

4. Segundo informações públicas, o INCRA está acionando Agenor Dallagnol, pai de Deltan, pelo recebimento de indenização fraudulenta. A abertura de várias empresas em nome da filha poderia, eventualmente, ser invocada como desvio de patrimônio. Qual a razão para Deltan ter permitido que a própria filha, de 3 anos, figurasse como sócia de uma das lojas?

4. Poderia apresentar evidências de que o primeiro apartamento foi, de fato, colocado à venda, e quais as propostas que recebeu?

A verdade sobre o patrimônio de Deltan

Tendo em vista que qualquer patrimônio ou negócio foi aberto ainda em seu período de procurador da República – portanto, sujeito às normas de transparência do funcionário púbico -, indago:

1. Quais as fontes de renda de que dispõe, para permitir abrir mão dos rendimentos como procurador da República?

2. Dinheiro das palestras.

Em entrevista à Gazeta do Povo, de Curitiba, Deltan afirmou o seguinte:

“ Segundo ele, trata-se de “uma atividade legal e legítima, positiva para a sociedade”, para promover o debate e a consciência cívica. O procurador diz que parte das palestras são gratuitas e, das remuneradas, mais da metade do dinheiro recebido foi doado para a caridade. “O que faço [nas palestras] é algo convergente com minha atividade diária como procurador da República, algo que busca os mesmos valores.”

Pergunto: quanto Deltan recebeu pelas palestras, quanto doou e quais as instituições que receberam os recursos?

3. Dinheiro para o Instituto Mude

“Em parceria com a Agência Pública, o Intercept divulga matéria mostrando que Dallagnol também atuou diretamente para levar grandes empresários a financiarem o Mude, um deles a empresária Patricia Tendrick Pires Coelho, dona da Asgaard Navegação S.A., que fornece navios para a Petrobras”.

Segundo a reportagem:

O nome de Patrícia Coelho surge nos diálogos trocados entre integrantes do Mude e Dallagnol como “investidora anjo” no dia 29 de julho de 2016. Nas mensagens, o procurador diz que conheceu a empresária em uma viagem, sem dizer para onde estava indo.

“Caramba. Essa viagem de ontem foi de Deus. Além dela, estava um deputado federal que se comprometeu a apoiar rs”, escreveu.

Pergunto: quais as doações intermediadas por Deltan para o Mude, valor e doadores, e qual a razão para Patrícia Coelho ter sido poupada pela Lava Jato?

4. Trabalho de Fernanda Dallgnol.

Informações de Curitiba colocam em dúvida se Fernanda Dallagnol efetivamente exerce trabalho profissional. Para desmentir essas aleivosias, poderia mencionar UM projeto desenvolvido por ela, assim como o cliente.

Agradecemos antecipadamente as respostas – que, temos certeza, serão fornecidas – e nos colocamos à disposição para seus esclarecimentos.

7 Comentários

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AROLDO VIECILI

- 2022-03-24 13:54:54

Estas são as perguntas de um jornalismo de verdade. Parabéns!

Caio Musse

- 2021-12-12 00:05:24

Este portal de notícias é maravilhoso! São sempre técnicos, sérios, criteriosos, analíticos e diretos ao ponto. Essas perguntas como já sabemos serão parcialmente respondidas, sem detalhes e ficarão por isso mesmo.

Paulo de Deus

- 2021-12-10 17:23:55

Estas são as perguntas de um jornalismo de verdade. Parabéns!

Lucival Vasconcelos Barros

- 2021-12-10 16:50:01

R$ 2,2 milhões pagos em 60 parcelas dá aproximadamente, sem juros, R$ 37 mil. Por isso continua a dúvida. Qual a fonte de renda ara pagar esse empréstimo, haja vista que o valor da prestação é superior ao salário de um procurador da república?

Robson Santos Dias

- 2021-12-10 15:25:35

Ah as convicções...

Marcio Gonçalves

- 2021-12-10 12:05:11

Enfim, uma manifestação. E ótimas perguntas do GGN que ainda precisam de resposta...

Francisco

- 2021-12-10 11:37:24

DMD mordeu a isca...Agora é só ir dando linha!

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