Maria Cristina Quirino, mãe do jovem de 16 anos Denys Henrique Quirino, poderá finalmente lutar por justiça pela morte de seu filho. Após quase 4 anos da operação brutal que ficou conhecida como o “Massacre da DZ7 de Paraisópolis”, a primeira audiência ocorre nesta terça (25), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
Em entrevista ao Jornal GGN, a mãe compartilha a expectativa para o dia, mesmo em meio à angústia desse período em que o caso ficou, muitas vezes, sob as mãos da Justiça Militar.
“Esperamos que seja entendido que houve de fato dolo eventual, quando eles tiveram a intenção de matar nossos filhos, e [esperamos] que haja realmente uma punição para os 31 envolvidos na ação”, desabafa Maria Cristina.
Entenda o caso
Denys foi uma das vítimas de uma ação da Polícia Militar, que ocorreu durante um baile funk, na comunidade de Paraisópolis, e deixou 9 jovens e adolescentes mortos, entre 14 e 29 anos.
Segundo relatos e vídeos divulgados, a polícia militar interveio no evento de forma violenta, ao utilizar bombas de efeito moral e disparar tiros para dispersar a multidão.
As pessoas que estavam presentes no baile acabaram sendo encurraladas em vielas estreitas e sufocadas pela multidão em pânico, o que resultou em pisoteamentos e ferimentos graves.
O caso gerou uma grande comoção na sociedade brasileira, levantando discussões sobre o uso da força policial, a violência nas favelas e a criminalização do funk, um gênero musical popular nas comunidades.
Familiares das vítimas e organizações de direitos humanos exigem, até hoje, uma investigação completa e imparcial sobre o ocorrido, além de justiça para os envolvidos. As famílias obtiveram apenas uma indenização em dezembro de 2021 em um acordo firmado com o estado de São Paulo.
A mãe do menino Denys – jovem que saiu para curtir o baile e nunca mais voltou para casa – quer apenas que a verdade seja dita.
“Como mãe, essa é a maior tristeza dentro do meu ser, saber que eu criei um filho por 16 anos, eduquei para que se tornasse um cidadão de bem (…) e estava conseguindo, se não fosse a interrupção desse meu curso como mãe, por esses assassinos que ainda se legitimam em cima da ação”.
As versões do ocorrido
De acordo com os agentes da Polícia Militar, a mobilização começou por uma perseguição a dois suspeitos que transitavam na região antes de seguirem para o baile. Segundo a versão, eles teriam atirado contra os PMs e por isso resolveram adentrar a multidão. Ao sofrerem hostilidades do público, revidaram.
Os fatos não condizem com o apurado pelas mães e envolvidos na operação que causou a morte dos jovens. À época, havia uma mobilização intensa da polícia devido à morte de um dos seus, o Sargento Ruas.
“Temos provas o suficiente pra isso, pra mostrar a verdade que eles não contam, repercutir, justificar e legitimar a ação deles”, revela Maria Cristina.
Agora com a primeira audiência, ocorre a fase de instrução do processo penal instaurado contra 12 policiais militares, dos 31 apontados na brutal operação. Familiares pedem pela reversão da absolvição dos 19 agentes da segurança pública que não foram denunciados ou foram sumariamente inocentados.
A frustração de uma mãe com a Justiça
Maria Cristina aproveita para compartilhar que, apesar da fatalidade, prefere acreditar que “algo possa mudar nas leis”, como uma forma de corrigir os maus feitos dos “assassinos fardados”, para que a violência policial acabe.
“Sou uma mãe que está revoltada, amargurada, por ter tido o filho assassinado por quem devia proteger, e o que aconteceu foi o contrário, além de matarem meu filho, eu ainda tenho que provar que meu filho era inocente, que meu filho tinha direito à vida”.
O manifesto
Familiares e organizações sociais estão se mobilizando para acompanhar o desenrolar do processo. Entidades e instituições da sociedade civil de todos os cantos do Brasil e de fora do país podem contribuir com a luta por Justiça assinando o manifesto.
Acessem o link para assinatura de apoio ao manifesto.
Leia mais no GGN:
José de Almeida Bispo
25 de julho de 2023 3:37 pm“ALVARÁ SOBRE O MESMO,
Eu El Rey faço saber aos que este Alvará em forma de Ley virem, que sendo-me prezente os insultos, que no Brazil commetem os Escravos fugidos, a que vulgarmente chamão Calhambollas, passando a fazer o excesso de se juntarem em quillombos, e sendo preciso acodir com Remedios, que evitem esta desordem : Hey por bem que a todos os negros,que forem achados em quillombos, estando n’elles voluntariamente, se lhes ponha com fogo uma marca em uma Espadua com a letra F., que para este effeito haverá nas Camaras, e se quando se for a executar esta pena, for achado já com a mesma marca, se lhe cortará uma orelha, tudo por simples mandado do Juiz de Fora, ou Ordinario da terra, ou do Ouvidor da Commarca sem processo algum, e só pela notoriedade do facto, logo que do quillombo for trazido antes de entrar para a Cadeya. Pelo que mando ao Vice-Rey, e Capitão General de mar e terra do Estado do Brazil, Governadores e Capitães Generaes Dezembargadores da Relação, Ouvidores, Juizes, e Justiças do dito Estado, cumprão e guardem, e fação cumprir e guardar este meu Alvará em forma de Ley, que vallerá posto que seu effeito haja de durar mais de um anno sem embargo da Ordenação do Livro 2° tit. 40 em contrario, o qual será publicado nas Camaras do Estado do Brazil, e se registará na Relação, Secretarias dos Governos, Ouvedorias e Camaras do mesmo Estado para que venha a noticia de todos. Dado em Lisboa occidental a 3 de Março de 1741 = Rey=
(Anais da Biblioteca Nacional, volume 28, p.200 – Rio de Janeiro, 1906)
ESSA É A REALIDADE da Segurança em nosso país. Atira primeiro e, se sobrar alguém de pé, pergunta depois.
Enquanto a Segurança – Exército, Marinha, Aeronáutica e as polícias – forem treinados para matar quilombolas sempre será isso. Não é segurança; é o exercício discricionário do terror de Estado em benefício da elite do poder real; além do voto universal, claro. Pistolagem financiada pelo Estado. E tome-lhe Canudos e as resultante de Canudos espalhadas desde lá pelo país inteiro. No caso das polícias, começa pelo seguinte: são quantos policiais técnicos contra quantos militares? Há coisa mais grosseira e desinteligente do que se está num ambiente comum com um monte de policiais, fardados e armadas até os dentes? Agora, quantos investigados por habitante?