21 de maio de 2026

Movimentos levam comida a famílias que reviravam caminhão de lixo em Fortaleza

Grupos se organizaram para doar cestas básicas em bairro da capital cearense. Muitos produtos vieram de acampamentos e assentamentos do MST
Vários movimentos somaram forças para prestar solidariedade a famílias em situação de fome num bairro rico de Fortaleza - Fotos Aline Oliveira/MST-CE

da Rede Brasil Atual

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Movimentos levam comida a famílias que reviravam caminhão de lixo em Fortaleza

Por Redação RBA

São Paulo – Um grupo de movimentos se organizou para doar alimentos a famílias de um bairro de Fortaleza, cujas imagens correram o país, mostrando pessoas buscando restos de comida em um caminhão de lixo. A ação solidária, ontem (20), levou 20 cestas básicas aos moradores. Parte desses alimentos veio de assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foram distribuídos itens como arroz, feijão, abóbora, farinha, coco e rapadura de caju, entre outros.

“Aqui, nós não temos como garantir nosso alimento, então a alternativa é vir esperar o carro do lixo passar, catar os alimentos que são descartados pelos supermercados”, contou Maria de Lourdes, moradora de Vicente Pinzon – originariamente uma região de pescadores, hoje um bairro rico da capital cearense. “É isso, ou não ter nada pra comer. A gente passa a manhã toda esperando no sol e, às vezes, nem água pra beber. Queremos trabalho. A falta de alimento, a fome bate na nossa porta todos os dias, então agradeço muito a vocês pela ajuda.”

:: Menos área para cultivo, agrotóxico, distribuição: obstáculos ao direito humano à alimentação

“Nós não podemos encarar isso com naturalidade”, diz Gene Santos, da direção nacional do MST no estado. “É com muita indignação que nós vimos as imagens em que homens e mulheres recolhem comida do lixo para se alimentar. Então, diante dessa situação estamos mais vez realizando uma ação de solidariedade. Mas principalmente uma ação de denúncia para demonstrar que este é um problema grave que precisa ser encarado com políticas públicas para resolver a situação da fome”, acrescenta. Ela cobra política de reforma agrária “de verdade”, com distribuição de terras, acesso à agua, medidas para criação de empregos.

Distribuição de alimentos

Além do MST, a ação realizada ontem envolveu o Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), Consulta Popular (CP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Levante Popular da Juventude (LPJ). São ações feitas pelos sem-terra desde o início da pandemia. Eles estimam que, ate agora, foram distribuídas 5 mil toneladas de alimentos e aproximadamente 1 milhão de marmitas pelo país.

Para Joyce Ramos, dirigente da CP, a carestia e a fome fazem parte de um “projeto de fome” do governo. “Pensando nisso, os movimentos, as organizações populares vêm se solidarizando com as famílias mais pobres a fim de que a gente possa amenizar a situação dessas famílias e pensar alternativas para estas saírem da miséria”, afirma.

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  1. Estevo Pinto

    22 de outubro de 2021 10:11 am

    Temos que ter consciência que estas famílias foram vistas…Centenas de milhares não são vistas. A questão estrutural deve ser um elemento forte a ser pensado em qualquer política. Considerando, evidente, que qualquer governo não é o poder. É mera gestão, parcial, do administrável.

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