4 de junho de 2026

COP-10, commodities e citricultura

TERRA MAGAZINE HOJE: COP-10, COMMODITIES, CITRICULTURA 

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Do Terra Magazine

De tanta coisa um pouco

Rui Daher
De São Paulo (SP)

Um erro bem-vindo

A coluna de 26/10 foi cética quanto à possibilidade de que os 193 países presentes à COP-10 (Conferência da ONU para a Biodiversidade), em Nagoya, chegassem a um protocolo que trouxesse avanços para o tema. Felizmente, errou. Propostas desde 1992 estagnadas, último dia do evento e, ao apagar das luzes no jargão de velhos locutores esportivos, desesperançados participantes puderam explodir em urras. Entre os consensos, o principal é o reconhecimento de que os países são soberanos sobre seus recursos genéticos e diversidade. Para explorá-los, os de fora precisarão de licença e, para comercializá-los, deverão dividir os lucros com o país de origem do recurso. O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta. Nossa delegação, chefiada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi decisiva. O fato deve ser motivo de orgulho para a senadora Marina Silva: saber que não é exclusiva na defesa dos interesses ambientais do País.

ComoComo elefante em loja de cristais

Assim se mexeu o Fed, banco central norte-americano, ao anunciar que irá comprar US$ 600 bilhões de títulos públicos até meados de 2011. Não apenas procura estimular a lenta recuperação da economia do país, mas derrama recursos no seu ainda combalido sistema financeiro.

Diante de taxas internas de juros pouco atrativas, entre zero e 0,25%, anunciadas assim permanecerem por período prolongado, tais recursos preparam malas para fazer turismo em países emergentes. E podem acreditar: muito mais do que as praias do litoral brasileiro suas destinações serão áreas de nossas principais produções agrícolas.

Se produtos como soja, milho, café, açúcar e algodão, já vinham em trajetória ascendente, outros, como cacau e suco de laranja, na semana passada, interromperam suas quedas.

O outro lado: mais desvalorização do dólar e inflação potencial. O total proveito de nossa agropecuária dependerá da forma como o novo governo brasileiro lidará com os riscos.

Menino(s) das Laranjas

Theo de Barros compôs. Foi o primeiro sucesso de Elis Regina. Os mais antigos devem lembrar-se do refrão de forte apelo mercadológico: “Compra laranja, doutor, ainda dou uma de quebra pro senhor!”

Associtrus (citricultores), CitrusBR (indústria), Consecitrus (as duas anteriores, Secretaria e Federação da Agricultura de São Paulo, Sociedade Rural Brasileira). De bom tamanho, não? Negativo. Vem aí a Unicitrus-SP para “aglutinar as demais associações que representam produtores de laranja em São Paulo e apresentar posições comuns nas negociações com as indústrias de suco”.

O experiente empresário do setor, Lair Antônio de Souza, idealizador da nova entidade, munido de sua própria planilha de custos, adianta que “as dificuldades se aprofundarão a partir das discussões que irão determinar os parâmetros para definir os preços da fruta utilizada pelas indústrias”.

Há pelo menos três décadas esse é o impasse do setor: os preços da produção nos pomares são determinados pelas planilhas das indústrias, o que tem expulsado citricultores da atividade. Muita água ainda passará debaixo da ponte citrícola.

Lá, mas não aqui

O governo do Canadá prefere ver o diabo à mineradora anglo-australiana BHP Biliton como dona da PCS (Potash Company of Saskatchewan), produtora e exportadora do fertilizante. De forma explícita, assume as dores de três Províncias fortemente dependentes da PCS que procuram barrar a venda.

Diante de tantos equívocos ouvidos na discussão sobre privatização da campanha eleitoral brasileira, para muitos o Canadá deve parecer um país socialista. 

Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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