5 de junho de 2026

Alckmin diz que governo espera vigência do acordo Mercosul–UE ainda em 2026

O vice-presidente ressaltou que o pacto fortalece o multilateralismo em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e pelo avanço de políticas isolacionistas
Foto : Cadu Gomes/VPR

Vice-presidente Alckmin prevê assinatura do acordo Mercosul-União Europeia nos próximos dias, com vigência em 2026.
Acordo deve impulsionar empregos e investimentos entre Brasil, Mercosul e União Europeia, segundo Alckmin.
Comissão Europeia confirma apoio ao pacto, destacando compromisso com crescimento e sustentabilidade.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (9) que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve ser assinado nos próximos dias e que a expectativa do governo brasileiro é de que o pacto entre em vigor ainda em 2026.

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Em entrevista à imprensa, Alckmin explicou que, para a vigência do acordo, será necessário o processo de internalização, com aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos dos países do Mercosul. Segundo ele, a sociedade tende a se beneficiar com produtos mais baratos e de melhor qualidade.

“Se o Congresso brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai para que o acordo já entre em vigor”, afirmou o vice-presidente.

Empregos e investimentos

Alckmin destacou que o acordo tem grande potencial para impulsionar a geração de empregos e atrair investimentos. De acordo com ele, a expectativa é de aumento tanto dos aportes europeus no Brasil e nos demais países do Mercosul quanto dos investimentos brasileiros nos 27 países da União Europeia.

O vice-presidente ressaltou ainda que o pacto fortalece o multilateralismo em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e pelo avanço de políticas isolacionistas. Atualmente, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2025, a corrente de comércio entre as duas regiões — soma de exportações e importações — alcançou cerca de US$ 100 bilhões.

Alckmin citou como exemplo o desempenho da indústria de transformação brasileira, que exportou US$ 23,6 bilhões para o bloco europeu no ano passado, crescimento de 5,4%. Para o restante do mundo, a expansão do setor foi de 3,8%. Segundo ele, a União Europeia figurou como primeiro ou segundo principal destino das exportações de 22 estados brasileiros.

Além disso, cerca de 30% dos exportadores nacionais vendem produtos para o mercado europeu, o que representa mais de 9 mil empresas brasileiras responsáveis pela geração de mais de três milhões de empregos.

Sustentabilidade e multilateralismo

O vice-presidente ressaltou que o acordo estabelece regras claras para o comércio e reforça compromissos relacionados à sustentabilidade e ao enfrentamento das mudanças climáticas. “É um acordo de ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende”, afirmou.

Para Alckmin, a conclusão do pacto é ainda mais relevante diante de um cenário internacional considerado difícil, marcado por instabilidade e conflitos. “Mostra que é possível construir um caminho de abertura comercial com regras, fortalecendo o multilateralismo e não o isolacionismo”, disse.

Avaliação europeia

A aprovação política do acordo foi confirmada nesta sexta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou haver apoio de ampla maioria dos países da União Europeia. Em publicação nas redes sociais, ela classificou a decisão como histórica e destacou o compromisso do bloco com o crescimento econômico, a geração de empregos e a defesa dos interesses de consumidores e empresas europeias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comemorou o avanço da parceria comercial nas redes sociais. “Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos. O texto amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados. Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos.”

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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