20 de junho de 2026

Stiglitz critica política externa de Trump e fala em novo imperialismo dos EUA

Economista diz que ação na Venezuela simboliza uma nova fase no imperalismo liderado por Trump, marcado pela força e desprezo ao direito
Joseph Stiglitz, economista e vencedor do Nobel. Foto: Reprodução/IPD - Initiative for Policy Dialogue, Columbia University

Joseph Stiglitz critica a nova era imperialista dos EUA, destacando a intervenção na Venezuela e o desprezo ao direito internacional.
Ele aponta que a captura de Maduro violou normas americanas e internacionais, ignorando extradição e aval do Congresso.
Stiglitz alerta para retaliações globais e defende que Europa e China busquem estratégias para conter o imperialismo dos EUA.

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Os Estados Unidos entraram em uma nova era de imperialismo, marcada pelo uso da força, pelo desprezo ao direito internacional e pelo enfraquecimento do Estado de Direito, segundo Joseph Stiglitz, economista e vencedor do Nobel.

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Em artigo publicado no Project Syndicate, ele avalia que a intervenção americana na Venezuela simboliza uma mudança profunda na política externa do país, com consequências negativas tanto para os EUA quanto para a estabilidade global.

Segundo Stiglitz, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro violou normas constitucionais americanas e princípios básicos do direito internacional, ao ignorar mecanismos como a extradição e a necessidade de aval do Congresso.

Para o economista, ações desse tipo refletem uma lógica em que “a força faz o direito”, afastando-se de valores democráticos historicamente defendidos por Washington.

O autor também critica declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre controlar a economia venezuelana e se apropriar do petróleo do país, interpretando-as como sinais claros de um projeto imperialista movido por interesses econômicos e não por princípios.

Esse comportamento, alerta Stiglitz, pode estimular retaliações globais, como disputas por áreas de influência e o uso de instrumentos econômicos como armas geopolíticas.

No plano interno, o economista argumenta que o enfraquecimento dos freios e contrapesos institucionais nos EUA favorece a corrupção e a busca de rendas, prejudicando o crescimento econômico. Para ele, sociedades dominadas por interesses rentistas não geram prosperidade sustentável, pois dependem do Estado de Direito e da previsibilidade institucional.

Diante desse cenário, Stiglitz defende que Europa, China e outras regiões não podem depender exclusivamente dos Estados Unidos e devem construir estratégias de contenção e cooperação alternativa. Resistir ao novo imperialismo americano, conclui, tornou-se essencial para preservar a paz e a prosperidade globais.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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