16 de julho de 2026

Alta do salário mínimo não causa perda de emprego, diz estudo

Estudo da UC Berkeley mostra que pequenas empresas podem repassar custos aos consumidores com pouco impacto negativo
Agência Brasil

Empresas de pequeno porte consideradas vulneráveis aos reajustes do salário mínimo, como lojas de varejo e restaurante, podem ser favorecidas quando os governos aumentam o salário mínimo, segundo estudo divulgado pela universidade norte-americana UC Berkeley.

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De co-autoria do economista Michael Reich, o levantamento mostra que as pequenas empresas podem repassar os custos aos consumidores com pouco impacto negativo.

Tal conclusão contraria a visão comum entre muitos empresários e economistas de que, quando o salário mínimo sobe, os empregadores menores acabam sofrendo com os custos trabalhistas e têm mais probabilidade de fechar vagas de trabalho.

“Um aumento do salário mínimo não mata empregos”, disse Reich, presidente do Centro de Dinâmica de Salários e Empregos (CWED) da UC Berkeley.

“Isso mata vagas de emprego, não empregos. O salário mais alto torna mais fácil recrutar trabalhadores e retê-los. As taxas de rotatividade diminuem. Outras pesquisas mostram que esses trabalhadores provavelmente também serão um pouco mais produtivos”, pontua o economista.

Nos Estados Unidos, o salário mínimo federal desde 2009 é de US$ 7,25/hora, mas a Califórnia e dezenas de governos estaduais e locais nos últimos anos aumentaram seu mínimo para US$ 15,50 ou mais.  Restaurantes, mercearias e lojas de mercadorias em geral respondem por 36% de todos os empregos com salário mínimo.

Ao mesmo tempo, estudo revisado em dezembro constatou que US$ 15 por hora e salários mínimos mais altos na Califórnia e em outros estados e cidades deram aos funcionários mais segurança financeira sem levar seus empregadores a cortar empregos.

Os pesquisadores usaram métodos estatísticos e 30 anos de dados fornecidos pelo Censo norte-americano para entender como cerca de 550 mudanças nos salários mínimos estaduais e federais entre 1990 e 2019 ocorreram no mercado de trabalho.

É contra intuitivo, mas salários mais altos beneficiam quase todos – quando os empregadores ouvem que os salários mínimos estão subindo, explicou Reich, eles tendem a imaginar o impacto apenas em seus próprios negócios.

Eles se perguntam como podem absorver custos mais altos sem cortar pessoal ou perder lucros. “Eu digo a eles: ‘Olha, sua indústria responderá de maneira muito diferente em comparação com o que sua empresa individual pode fazer’”, acrescentou Reich.

“’Se todos na indústria enfrentarem os mesmos choques e custos, não apenas você, então a resposta do mercado pode ser um modesto aumento de preços.’” De fato, alguns restaurantes repassam os custos mais altos aos consumidores – e os pequenos aumentos de preços não são suficientes para afastar os consumidores, disse Reich.

Os proprietários se beneficiam ainda mais porque salários mais altos significam menos rotatividade, bem como menos publicidade e treinamento para novos trabalhadores. No final, seus lucros não são prejudicados.

“O efeito líquido”, disse Reich, “é uma transferência de renda dos consumidores, que podem pagar um pouco mais, para os trabalhadores”.

Leia abaixo a íntegra do estudo, divulgado pelo IRLE – Institute for Research on Labor and Employment

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Luiz alberto Melchert de carvalho e Silva

    17 de março de 2023 11:59 pm

    Só uma coisa faz empregar-se ou se desempregar, ter ou não o que o emlpregado fazer, é óbvio. Qualquer estudo nessa área é aceitar que o preço da mão de obra seja causa ou consequência do nível de emprego. Se houver gente comprando, haverá gente produzindo, é isso que faz empregar ou desempregar.

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