4 de junho de 2026

As comparações dos anos Lula com o New Deal

Por Fernando G Trindade

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Comentário ao post “A aproximação do Lulismo com o New Deal

Estou lendo com atenção o livro de Singer. Dá para adiantar que é trabalho de reflexão sério que acredito será uma importante contribuição para o debate sobre o Brasil dos dias que correm.

Numa primeira e provisória avaliação diria que há análises excelentes e outras nem tanto.

Tomemos essa questão da comparação entre o New Deal e os anos Lula, por exemplo.

Embora sem dúvida haja aqui ou alim similaridades para mim parece que há muitas diferenças, diferenças grandes.

Acho que há um excessivo ‘ocidentalismo’ por parte de Singer, vale dizer, adotar como critério de comparação principal com o Brasil os países do Ocidente do hemisfério norte, ditos desenvolvidos.

As forças em disputa nos EUA no tempo de Roosevelt eram muito mais equilibradas em termos de poder real e institucional. Quando a Suprema Corte americana começou a declarar inconstitucionais medidas do new deal Roosevelt mando um projeto para o Congresso que previa a ampliação do número de membros da Corte. O projeto não foi aprovado, mas a Corte recuou da sua posição inicial anti new deal, havendo uma composição entre as ‘partes.’

Agora, alguém pode imaginar algo semelhante no Brasil de Lula?

O metalúrgico estaria ferrado, o mundo viria abaixo, não tenho dúvida que Lula ficaria quase isolado.

Desse modo a comparação com o new deal é muito, muito problemátic e atenção para o seguinte. Do ponto de vista de poderes reais havia um certo equilíbrio entre Roosevelt e seus opositores.

A presença do elitismo nas isntituições do Estado é aqui muito mais avassaladora.

A base social de Lula, a base do lulismo  não tem presença quase alguma na instituições nem do Estado, e é muito minoritária na chamada sociedade civil organizada.

A conclusão que faço é que devemos comparar o Brasil menos com EuA e Europa e mais com países do Sul, como Turquia (veja-se o  elitismo da Suprema Corte da Turquia, por exemplo), Rússia, Índia, África do Sul e da própria A. Latina, como México, Venezuela e Argentina.

Insisto: o Brasil está no Ocidente, mas não está no Norte, está no Sul.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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