1 de julho de 2026

As diferentes inflações por faixa de renda

Variação de preços em alimentação e habitação levam famílias de menor renda a registrar deflação no mês de julho, diz Ipea
Foto: Agência Brasil

A inflação mensurada no mês de julho apresentou resultados bem diferentes quando se analisa a faixa de renda: enquanto as famílias de renda alta apresentaram alta inflacionária de 0,50%, o segmento de renda muito baixa registrou deflação de -0,28%.

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Os dados são de estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacando que as famílias de renda muito baixa possuem a menor taxa de inflação (2,2%), enquanto os domicílios de renda alta possuem a maior variação registrada (3,5%).

Os principais alívios vistos no período foram vistos nas deflações dos grupos alimentos e bebidas e habitação.

No primeiro caso, os preços foram diretamente afetados pela queda dos preços dos alimentos no domicílio, o que afetou principalmente as famílias com rendas mais baixas.

As principais quedas de preços registradas foram: cereais (-2,2%), carnes (-2,1%), aves e ovos (-1,9%) e leites e derivados (-0,89%).

No caso do grupo Habitação, a queda de 3,7% nas tarifas de energia elétrica também favoreceu os segmentos com menor poder de compra.

Já o reajuste de 4,8% do preço da gasolina foi o principal ponto de pressão inflacionária sobre o grupo “transportes”, que exerceu a maior contribuição positiva para a inflação e atingindo todas as classes de renda pesquisadas.

No caso das famílias de renda mais alta, além do impacto proporcionalmente maior do aumento dos combustíveis, as altas de 4,8% das passagens aéreas e de 10,1% do aluguel de veículos fizeram com que a pressão inflacionária do grupo “transportes” anulasse, inclusive, os efeitos baixistas vindos da deflação dos alimentos e da energia elétrica.

Este quadro de pressão inflacionária para as faixas de renda mais altas também reflete os aumentos de 0,78% dos planos de saúde e de 0,51% dos serviços de recreação, impactando positivamente os grupos “saúde” e “despesas pessoais”.

A comparação com julho de 2022 mostra que, mesmo com a queda dos alimentos (com quedas de 0,72%, ante variação de 1,5%, em 2022), houve uma piora no comportamento da inflação para todas as demais faixas de renda, em especial entre as faixas de renda mais elevadas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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