10 de junho de 2026

Ata do Copom confirma pausa no ciclo de ajuste dos juros

Extensão e adequação de novos ajustes no futuro vão levar em conta cenário macroeconômico e a convergência da inflação à meta
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deu a entender que um cenário macroeconômico mais desafiador, aliado às expectativas de inflação acima da meta, não abre espaço para novos cortes de juros em um primeiro momento.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“O comitê, unanimemente, avalia que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade e expectativas desancoradas demandam maior cautela”, diz a ata da última reunião do Copom.

Segundo o colegiado, “a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”.

Na ocasião, o colegiado decidiu reduzir o ritmo de ajuste da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros da economia para 10,50% ao ano em uma decisão apertada – que foi decidida no voto de desempate do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, em favor do corte de 0,25 ponto percentual.

Expectativas inflacionárias

Embora a taxa de inflação esteja em queda, o índice permanece acima da meta estabelecida pelo Banco Central – a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Além disso, as projeções para a inflação divulgadas no último Relatório de Inflação do BC, em março, indicavam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechará 2024 em 3,5% no cenário base. Contudo, tal projeção pode ser revista na nova versão do relatório, que será divulgada no fim de junho.

Outros pontos que influenciaram a decisão do Bacen englobam a piora do cenário externo, os últimos anúncios ligados à política fiscal, e a percepção sobre o compromisso do BC de atingir a meta inflacionária ao longo dos anos.

“O comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira”, diz a ata.

Quanto ao cenário internacional, o Bacen listou como pontos de referência para sua decisão o aumento da volatilidade nos mercados financeiros globais, a desaceleração da economia americana e a persistência da inflação em diversos países. Clique aqui para ler a íntegra da ata do Copom.

Ata de tom hawkish

Na visão de Leandro Manzoni, analista de economia do site Investing.com, a ata “apazigua a percepção de um Banco Central atual político e com a expectativa de uma composição de um novo colegiado sob um novo presidente da instituição “leniente com a inflação”’.

“Todos os membros atuais do Copom prescrevem a “necessidade de uma política monetária mais contracionista e mais cautelosa, de modo a reforçar a dinâmica desinflacionária”, de acordo com a ata”, destaca Manzoni.

“O aumento das incertezas em relação ao início do corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que elevou a volatilidade nos mercados globais, com um maior dinamismo da atividade econômica interna e um mercado de trabalho apertado acima do esperado pelo Copom contribuem para um tom mais duro (hawkish) da política monetária”.

Na visão do analista, o principal ponto de divergência levou em consideração o chamado forward guidance (mecanismo que permite aos bancos centrais ajustarem a política monetária de um país) proposto no mês de março, considerando um corte de 50 pontos-base da taxa de juros.

“Os favoráveis pelo corte menor, vencedores no colegiado, argumentaram que o risco de credibilidade está na perda da capacidade do Banco Central de combater a inflação e não influenciar mais na ancoragem das expectativas de inflação. Além disso, é importante frisar que alguns membros ressaltaram que o balanço de risco de inflação está atualmente favorável para aumento da inflação, embora na ata não seja possível identificar se essa avaliação seja unânime da ala mais hawkish ou teve algum membro dos defensores da manutenção do forward guidance”, diz Manzoni.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados