10 de junho de 2026

Para economista, Bancos Centrais podem arcar com investimentos verdes

Quando setor privado tira recursos de fundos climáticos e finanças públicas estão limitadas, ideia de ampliar papel dos BCs não é descartada
Foto de Markus Spiske via pexels.com

Muitos bancos centrais se uniram à luta contra as mudanças climáticas no período em que a inflação era baixa e os juros estavam negativos ou zerados, o que os levou a experimentar ferramentas como empréstimos, compras de ativos e requisitos tendenciosos para investimentos “verdes”. A retomada da inflação trouxe a cautela de volta.

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“Presumivelmente, eles estão ansiosos para demonstrar que a estabilidade de preços é seu foco principal, o que implica que quando a inflação está persistentemente acima da meta, a política climática importa menos”, explica Lucrezia Reichlin, professora de economia da London Business School e ex-diretora do Banco Central Europeu.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, Lucrezia lembra que um compromisso com a estabilidade dos preços não exige que as políticas monetárias voltadas para o verde sejam descartadas – a questão é como fazer com que políticas verdes direcionadas e a política monetária possam andar juntas.

Para a articulista, o comprometimento pode ser mantido por dois motivos: primeiro, as autoridades monetárias precisam considerar as mudanças climáticas para gerenciar seu risco de portfólio.

A segunda razão é que, na maior parte dos países, os bancos centrais são obrigados a apoiar os objetivos traçados pelos governos na garantia do bem-estar dos cidadãos, desde que isso não interfira na estabilidade dos preços.

“O conceito de “dupla materialidade” é central para esse processo, que sustenta que você deve fazer o que puder para causar impacto e não se concentrar apenas em mitigar seus próprios riscos financeiros”, diz a articulista, lembrando que o apoio à transição verde “deve figurar de forma proeminente em qualquer estrutura que avalie rigorosamente as potenciais compensações entre estabilidade de preços e formulação de políticas econômicas”.

Ao citar medidas tomadas por diversos bancos centrais pelo mundo, Lucrezia Reichlin afirma que a mudança climática é o problema existencial para toda a humanidade.

“Em um momento em que o setor privado está retirando recursos dos fundos climáticos e as finanças públicas estão limitadas em todos os lugares, a ideia de que os bancos centrais podem desempenhar um papel maior não deve ser descartada”, destaca.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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