10 de junho de 2026

Intervenção dos EUA nas eleições brasileiras torna‑se cada vez mais evidente

Sob a lógica da Doutrina Monroe, o governo americano usa pressão militar e econômica para delimitar sua zona de influência
Embaixada EUA

Por Monica Herz e Paulo Esteves

Em The Conversation

Duas características do governo Trump sinalizam que há um projeto cada vez mais claro de intervenção nas eleições de Brasil e Colômbia este ano: suas atitudes em relação às instituições e aos princípios da democracia liberal; e sua política de afirmação da América Latina como zona de influência dos Estados Unidos.

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Seguindo a tendência global de governos de extrema direita, observamos um processo de destruição das instituições da democracia liberal em diversos países. Há uma vasta literatura hoje sobre o assunto e uma vasta nomenclatura para o fenômeno – de democracias iliberais a autocracias.

A crise de legitimidade da democracia envolve processos de desagregação de instituições como o Judiciário ou a liberdade de imprensa, e a constituição de um discurso e imagem de mundo em que representação política e participação são substituídas por “valores naturais” e “essências da nação”. O exercício da crítica se torna inaceitável. Diversas organizações vêm salientando o rápido processo de deterioração da democracia americana.

A despeito da resistência dos movimentos sociais e das Cortes americanas, observa-se uma concentração de poder sem precedentes, desrespeito às leis, arbitrariedade, ataque ao jornalismo e às Universidades e um discurso que transforma a gramática da competição política em conflitos assentados no léxico amigo-inimigo. Além disso, o processo eleitoral é tratado como instrumento a ser manipulado: do acesso às urnas à contagem de votos.

Há nos EUA uma imensa preocupação e mobilização em relação às eleições parlamentares desse ano já que quando perdeu a eleição em 2020 Donald Trump não aceitou o resultado da eleição. Em 2020, o Presidente chegou a pedir que o Secretário de Estado da Georgia “encontrasse” votos suficientes para mudar o resultado das eleições em seu favor. Depois estimulou um ataque violento ao Congresso. Os condenados pelo ataque foram anistiados quando Trump voltou ao poder. O Presidente tem deslegitimado o processo eleitoral de forma sistemática. A expectativa é de que o Immigration and Customs Enforcement (ICE) seja usado como forma de intimidação.

Estratégia para América Latina busca barrar influência chinesa

A política externa norte-americana para a América Latina também vem sendo muito modificada neste segundo mandato de Donald Trump. O documento publicado em dezembro de 2025 – Nova Estratégia de Segurança Nacional – é uma fonte crucial para a compreensão desta mudança. Diante da disputa sistêmica entre Estados Unidos e China e partindo de uma lógica geopolítica em que o conceito de região adquire nova relevância, observa-se uma busca agressiva pela contenção da presença chinesa na região.

A estratégia afirma a preeminência militar norte-americana e busca barrar a influência chinesa em corredores estratégicos, em particular portos, infraestrutura estratégica e na exploração de minerais estratégicos. A política de pressão em relação ao Panamá teve sucesso e abriu a porta para uma expectativa positiva em outros países. A referência à Doutrina Monroe é explicita. O uso da força vem sendo empregado de forma significativa.

Duas características do governo Trump sinalizam que há um projeto cada vez mais claro de intervenção nas eleições de Brasil e Colômbia este ano: suas atitudes em relação às instituições e aos princípios da democracia liberal; e sua política de afirmação da América Latina como zona de influência dos Estados Unidos.

Seguindo a tendência global de governos de extrema direita, observamos um processo de destruição das instituições da democracia liberal em diversos países. Há uma vasta literatura hoje sobre o assunto e uma vasta nomenclatura para o fenômeno – de democracias iliberais a autocracias.

A crise de legitimidade da democracia envolve processos de desagregação de instituições como o Judiciário ou a liberdade de imprensa, e a constituição de um discurso e imagem de mundo em que representação política e participação são substituídas por “valores naturais” e “essências da nação”. O exercício da crítica se torna inaceitável. Diversas organizações vêm salientando o rápido processo de deterioração da democracia americana.

A despeito da resistência dos movimentos sociais e das Cortes americanas, observa-se uma concentração de poder sem precedentes, desrespeito às leis, arbitrariedade, ataque ao jornalismo e às Universidades e um discurso que transforma a gramática da competição política em conflitos assentados no léxico amigo-inimigo. Além disso, o processo eleitoral é tratado como instrumento a ser manipulado: do acesso às urnas à contagem de votos.

Há nos EUA uma imensa preocupação e mobilização em relação às eleições parlamentares desse ano já que quando perdeu a eleição em 2020 Donald Trump não aceitou o resultado da eleição. Em 2020, o Presidente chegou a pedir que o Secretário de Estado da Georgia “encontrasse” votos suficientes para mudar o resultado das eleições em seu favor. Depois estimulou um ataque violento ao Congresso. Os condenados pelo ataque foram anistiados quando Trump voltou ao poder. O Presidente tem deslegitimado o processo eleitoral de forma sistemática. A expectativa é de que o Immigration and Customs Enforcement (ICE) seja usado como forma de intimidação.

Estratégia para América Latina busca barrar influência chinesa

A política externa norte-americana para a América Latina também vem sendo muito modificada neste segundo mandato de Donald Trump. O documento publicado em dezembro de 2025 – Nova Estratégia de Segurança Nacional – é uma fonte crucial para a compreensão desta mudança. Diante da disputa sistêmica entre Estados Unidos e China e partindo de uma lógica geopolítica em que o conceito de região adquire nova relevância, observa-se uma busca agressiva pela contenção da presença chinesa na região.

A estratégia afirma a preeminência militar norte-americana e busca barrar a influência chinesa em corredores estratégicos, em particular portos, infraestrutura estratégica e na exploração de minerais estratégicos. A política de pressão em relação ao Panamá teve sucesso e abriu a porta para uma expectativa positiva em outros países. A referência à Doutrina Monroe é explicita. O uso da força vem sendo empregado de forma significativa.

Monica Herz é doutora pela LSE e presidente do Instituto Latino-Americano para o Multilateralismo (ILAM)

Paulo Esteves é professor associado do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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