10 de junho de 2026

Bandeira vermelha na tarifa de energia influencia IPCA de junho

Inflação oficial chega a 0,24%, segundo IBGE; queda da alimentação ajudou a compensar reajuste na conta de energia
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou em junho e atingiu 0,24%, ante os 0,26% vistos em maio, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Com isso, a inflação acumulada no ano chega a 2,99%, e a variação nos últimos 12 meses totaliza 5,35%.

Um dos destaques do período foi o desempenho do grupo Habitação, que atingiu 0,99%, afetado principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 2,96% no mês por conta da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 1, sendo assim o subitem com maior impacto no índice (0,12 ponto percentual).

As mudanças nas tarifas de várias capitais também afetaram o cálculo geral. Outro ponto de impacto foi a alta na taxa de água e esgoto (0,59%).

Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, a energia elétrica residencial acumula 6,93% de alta no primeiro semestre, e exerce o principal impacto positivo individual (0,27 ponto percentual) no ano – a maior variação para um semestre desde os 8,02% vistos em 2018.

O grupo dos Transportes também teve contribuição positiva relevante no mês (0,05 p.p), aumentando 0,27% após recuo de 0,37% em maio. Mesmo com a queda dos combustíveis (-0,42%), as variações no transporte por aplicativo (13,77%) e no conserto de automóvel (1,03%) impulsionaram a alta.

No Vestuário (0,75%), que contribuiu com 0,04 p.p. em junho, destacam-se as altas na roupa masculina (1,03%), nos calçados e acessórios (0,92%) e na roupa feminina (0,44%).

As demais variações e impactos no IPCA de junho foram: Saúde e cuidados pessoais (0,07% e 0,01 p.p.); Despesas pessoais (0,23% e 0,02 p.p.); Comunicação (0,11% e 0,01 p.p.); Educação (0,00% e 0,00 p.p.); e Artigos de residência (0,08% e 0,00 p.p.).

No agregado especial de serviços, o IPCA acelerou de 0,18% em maio para 0,40% em junho, e o agregado de preços monitorados, ou seja, controlados pelo governo, desacelerou de 0,70% para 0,60%.

Queda no preço dos alimentos

Por outro lado, o grupo Alimentação e bebidas registrou a primeira queda (-0,18%) em 9 meses, contribuindo com -0,04 p.p. na taxa geral.

Os dados foram afetados pela alimentação no domicílio, que saiu de 0,02% em maio para -0,43% em junho, com quedas no ovo de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%). No lado das altas, destaca-se o tomate (3,25%).

Já a alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,46% em junho, frente ao 0,58% de maio. O subitem lanche passou de 0,51% em maio para 0,58% em junho, e a refeição, por sua vez, saiu de 0,64% em maio para 0,41% em junho.

Segundo o IBGE, a queda no grupo Alimentação e bebidas se reflete no índice de difusão do mês de junho – ou seja, no percentual de subitens que tiveram resultado positivo, que passou de 60% em maio para 54% em junho.

Entre os alimentícios, o índice caiu de 60% para 46% (o menor índice de difusão desde os 47% vistos em julho de 2024, quando o grupo Alimentação também apresentou uma redução de -1,00% em sua taxa). Sem os alimentos no cálculo do IPCA, a inflação mensal cairia para 0,36%, e a variação sem energia elétrica seria de 0,13%.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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