5 de junho de 2026

Bets, criptoativos e fintechs causam salto no registros de atividades financeiras suspeitas no Coaf

Número de informes cresceu oito vezes entre 2015 e 2024; pesquisadores indicam que instituição tem lacunas para atender demanda por maior segurança
Ludopatia: o slot Fortune Tiger - mais conhecido como “Jogo do Tigrinho” - tornou-se um símbolo de como a adicção a jogos de azar proliferou-se de forma avassaladora nos últimos dois anos no Brasil, por conta da evolução das tecnologias digitais móveis e da ausência de regulamentação. Foto: Daniel Cymbalista /Fotoarena/Folhapress

Apenas em 2024, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) recebeu 2,56 milhões de informes sobre operações financeiras suspeitas, número 766% maior em comparação ao registrado em 2015, quando o total foi de 296 mil. 

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O levantamento é do  Instituto Esfera de Estudos e Inovação, frente acadêmica do think tank Esfera Brasil, feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Apresentado nesta quarta-feira (25), a pesquisa indicou que o aumento das operações financeiras suspeitas resultou na produção de mais  Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) pelo órgão. No ano passado, foram 18,7 mil RIFs produzidos, enquanto 10 anos atrás o total foi de 4,3 mil. 

Plataformas on-line, mais conhecidas como bets, criptoativos e fintechs são os três principais meios que justificam os alertas sobre atividades financeiras suspeitas, uma vez que são usados por organizações criminosas para lavagem de dinheiro. 

Enquanto as bets causam grandes prejuízos aos jogadores e, consequentemente, à economia brasileira, os criptoativos são usados para ocultar patrimônio e permitir transferências internacionais de forma ágil e anônima. 

Por fim, criminosos usam fintechs para garantir operações ilegais em instituições financeiras sem autorização do Banco Central.

“O poder do crime organizado não se dá mais por armamentos. Temos hoje uma penetração do crime organizado nas estruturas do Estado, corrompendo estruturas financeiras. O crime aprendeu a funcionar como empresa”, apontou o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União.

“A gente vê um bombardeio de publicidade, temos que verificar os efeitos sociais e econômicos. Temos um mundo legalizado das bets, foi escolha legislativa, temos que respeitar, mas sabemos que existem dezenas de empresas nas sombras para ganhar em cima de pessoas mais vulneráveis”, afirmou Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos.

Entre as conclusões dos pesquisadores está a de que a estrutura institucional e tecnológica do Coaf não acompanhou o avanço das ameaças, uma vez que o conselho carece de pessoal, plano de carreira e tecnologia para resolver as demandas por maior segurança. 

*Com informações do Conjur.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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