7 de junho de 2026

Bets dobram faturamento no Brasil e já recolhem impostos comparáveis ao tabaco e à agricultura

A arrecadação de impostos sobre apostas saltou de R$ 2,2 bilhões, nos primeiros quatro meses de 2025, para R$ 4,5 bilhões no mesmo intervalo de 2026
Ludopatia: o slot Fortune Tiger - mais conhecido como “Jogo do Tigrinho” - tornou-se um símbolo de como a adicção a jogos de azar proliferou-se de forma avassaladora nos últimos dois anos no Brasil, por conta da evolução das tecnologias digitais móveis e da ausência de regulamentação. Foto: Daniel Cymbalista /Fotoarena/Folhapress

Faturamento das casas de apostas online no Brasil dobrou nos quatro primeiros meses de 2026 após regularização em 2025.
Arrecadação de impostos sobre apostas cresceu de R$ 2,2 bi para R$ 4,5 bi entre jan-abr de 2025 e 2026, segundo Receita Federal.
Ministério da Fazenda emitiu 85 licenças; 10 marcas controlam 70% do mercado, com Betano e Bet365 liderando o setor.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A indústria de apostas online atravessa um ciclo de expansão acelerada no Brasil. Desde a regularização do setor, em janeiro de 2025, o faturamento das casas de apostas licenciadas dobrou nos quatro primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, e a expectativa é de crescimento ainda maior com a proximidade da Copa do Mundo.

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Os dados da Receita Federal ilustram o avanço: a arrecadação de impostos sobre apostas saltou de R$ 2,2 bilhões, nos primeiros quatro meses de 2025, para R$ 4,5 bilhões no mesmo intervalo de 2026. O montante já se aproxima do que pagam mensalmente a indústria do tabaco e o setor agrícola, cerca de R$ 1 bilhão por mês cada.

Como os tributos correspondem a 37% da receita das empresas, estima-se que as bets tenham faturado R$ 12,2 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano. Em 2025, o faturamento anual do setor chegou a R$ 36,9 bilhões.

A expansão deve ganhar novo impulso com o Mundial. A consultoria H2 Gambling Capital projeta um aumento de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões nos valores depositados para apostas esportivas durante o torneio. O ganho líquido, no entanto, ainda é incerto, como explica Ed Birkin, presidente da H2, o resultado dependerá diretamente do que acontecer em campo, já que o faturamento do setor corresponde ao saldo que sobra após o pagamento dos prêmios.

Desde o início da operação regulamentada, o Ministério da Fazenda emitiu 85 licenças, cada uma permitindo a operação de até três plataformas. Atualmente, 187 sites estão autorizados a funcionar.

A concentração, porém, é alta: no fim de 2025, dez marcas detinham quase 70% do mercado. A grega Betano liderava com 23% da receita, seguida pela britânica Bet365, com 15,1%. Completam o topo do ranking SportingBet, Esportes da Sorte e Superbet.

O avanço ocorre mesmo diante de restrições impostas pelo governo e pela Justiça, que limitaram apostas por beneficiários de programas sociais e pessoas endividadas. Para Lauro Gonzalez, do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV, a expansão está diretamente ligada ao aumento da presença publicitária do setor. “É um setor que está se consolidando”, resume Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.

O debate sobre endividamento, dependência e atuação de plataformas ilegais, no entanto, segue aberto, e tende a se intensificar à medida que o mercado cresce.

*Com informações da Folha de S. Paulo.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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