4 de junho de 2026

Bolsa cai 1,03%, em dia de forte oscilação

Ajuste do preço do petróleo ajudou a reduzir perdas no mercado

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Jornal GGN – O mercado brasileiro encerrou as operações do dia em queda, repercutindo um cenário externo instável e o novo rebaixamento anunciado pela agência de classificação de risco Moody’s. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou as operações em queda de 1,03%, aos 42.084 pontos e com um volume negociado de R$ 4,786 bilhões. O indicador chegou a cair 3,1% na mínima do dia, por volta das 12h. Ao longo da tarde, algumas ações passaram a operar próximas da estabilidade, diminuindo o ritmo de queda.

“A aversão ao risco teve continuidade na sessão de hoje nos mercados globais. Ontem os ministros envolvidos nas negociações para redução da produção de petróleo negaram a possibilidade de um acordo, o que derrubou os preços da commodity. Na Ásia e na Europa as quedas foram predominantes, com exceção da China, onde o Banco Central promoveu nova desvalorização da moeda local. Em Nova Iorque as bolsas também abriram em baixa, enquanto a bolsa paulista já perdia cerca de 3%”, diz o BB Investimentos, em relatório.

Logo em seguida à abertura, porém, o Departamento de Energia dos Estados Unidos informou que os estoques de gasolina no país caíram 2,236 milhões de barris na semana passada, muito mais do que a estimativa de 300 mil. “Apesar do mesmo relatório informar que os estoques de petróleo bruto cresceram 3,5 milhões de barris (acima dos 2,4 milhões esperados), o fato é que o efeito líquido foi favorável, e o preço do petróleo passou a subir”, explica a corretora.

A recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional ajudou o mercado financeiro em todo o mundo a reduzir as perdas. Depois de cair ontem (23), o barril do tipo Brent, negociado em Londres, encerrou o dia acima dos US$ 34. O barril do tipo cru, negociado em Nova York, também subiu e fechou em US$ 32. “Seguindo um roteiro já bem conhecido, notícias ruins na economia geralmente são positivas para os mercados, já que os investidores esperam manutenção do apoio dos Bancos Centrais, o que dá suporte aos ativos de risco. Assim, os mercados inverteram a direção e passaram a mostrar recuperação”, pontua a instituição.

No cenário doméstico, o tom de pessimismo foi dado pelo rebaixamento, ontem, da nota soberana do Brasil pela agência de risco Moody´s que, juntamente com o cenário externo desfavorável, indicava um quadro de forte queda para a bolsa, mas a melhora do humor no exterior acabou por amenizar as perdas registradas.

As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 5,41%, a R$ 11,71, e as preferenciais (VALE5), que dão prioridade na distribuição de dividendos, perderam 4,44%, a R$ 8,60. As ações foram afetadas pela queda no preço do minério de ferro na China.

Já as ações da Petrobras chegaram a cair mais de 4% durante o dia, mas reduziram o ritmo da queda conforme os preços do petróleo no mercado internacional passaram a subir. Os papéis ordinários da estatal (PETR3) encerraram a sessão com baixa de 0,71%, a R$ 7,03, enquanto os preferenciais (PETR4) recuaram 1,02%, a R$ 4,87.

No câmbio, a cotação do dólar comercial chegou a subir mais de 1% durante o dia e passar de R$ 4, mas inverteu o movimento no fim da sessão e fechou em queda de 0,15%, a R$ 3,957 na venda. Na máxima do dia, por volta das 11h40, foi vendido a R$ 4,005, com alta de 1%. À tarde, no entanto, a cotação mudou de tendência. Perto do fim da sessão, a moeda anulou a alta e passou a ser negociada em torno de R$ 3,95, encerrando com pequeno recuo.

Assim como aconteceu com a bolsa, as operações do câmbio foram afetadas pela retirada do selo de bom pagador do Brasil pela Moody’s, embora o impacto em si não tenha sido tão grande uma vez que o anúncio já era esperado. Além disso, o dólar anulou a alta após a recuperação dos preços do petróleo no mercado global.

Para quinta-feira, os analistas aguardam os dados da pesquisa mensal de emprego pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), resultado primário do governo central pelo Tesouro Nacional, e o índice de custos de construção e a sondagem do consumidor e da construção no Brasil; índice de confiança do consumidor na Alemanha; PIB (Produto Interno Bruto) preliminar do quarto trimestre no Reino Unido; índice de preços ao consumidor na zona do euro; pedidos de auxílio desemprego, encomendas de bens duráveis e o índice de preços de imóveis nos Estados Unidos.

 

(Com Reuters e Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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